Ali em 2017, depois de ter ajudado Donald Trump a se eleger com o uso de dados dos cidadãos, colhidos a partir do Facebook, Zuckerberg desenhou as primeiras linhas de seu “mundo ideal”, sem fronteiras e sem nações comandado…por quem mesmo?
Agora em 2025, com a nova vitória de Trump, o que antes eram bilionários das bightechs disputando mercados, virou uma sociedade de bilionários criminosos dispostos a destruir as nações que não se submeterem ao poder absoluto de seus algoritmos. Ou alguém acredita nesta esparrela de “liberdade de expressão” que entrega mais as expressões de uns e muito menos ou nada, a dos com os quais o dono da rede não compactua?
Leis podem até ajudar a conter ações do inimigo no campo legal, mas não deterão o inimigo no campo ilegal, por que é de guerra que estamos falando.
Por isto é que faço coro a Carta do companheiro Everton, um militante digital, vinculado a Economia Solidária, cuja íntegra reproduzo abaixo:
Senhor Presidente,
Meu nome é Everton Rodrigues, integrante dos movimentos software livre, economia solidária, cultura digital, democracia participativa e do @Time_Lula. Através desta carta, venho, humildemente, propor uma ação urgente: convoque imediatamente hackers do movimento software livre e representantes da cultura digital para criar estratégias que enfrentem esse novo ataque e ajudem o seu governo democrático a desenvolver um sólido projeto de Soberania Digital. A soberania do Brasil no século XXI depende tanto do digital quanto, em outros tempos, dependeu da Petrobras.
A Secretaria Nacional de Economia Solidária já possui diretrizes importantes para a Soberania Digital, que visam enfrentar o tecno-feudalismo dos senhores das Big Techs e conectar diferentes iniciativas para construir políticas públicas de tecnologia capazes de transformar o Brasil em uma referência nessa área.
Presidente, além da regulamentação do ambiente digital, precisamos construir nossas próprias tecnologias de autodefesa. Isso só será possível se feito de forma articulada e estratégica, utilizando tecnologias livres do controle das grandes empresas.
O governo federal, sozinho, não terá condições de enfrentar a gravidade dessa situação anunciada pelo dono da Meta. Precisamos mobilizar toda a inteligência coletiva disponível no Brasil. Nosso país é rico em conhecimento e inovação, presentes em diversas instituições e movimentos. Aposte nisso, Presidente.
Acompanho suas ações e pronunciamentos diariamente e sei que o senhor compreende a seriedade das recentes declarações de Mark Zuckerberg, dono da Meta, que anunciou mudanças significativas na postura da empresa. Ele alinhou-se a Elon Musk e ao governo dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, o que terá implicações profundas para o Brasil, a União Europeia e outros países que buscam equilibrar direitos no ambiente digital. Além disso, essas ações visam enfraquecer os BRICS, que se opõem ao controle e aos monopólios exercidos pelos EUA no mundo.
É inaceitável que Zuckerberg tenha se referido ao Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro como um “tribunal secreto”, criticando decisões que, segundo ele, promovem censura. O fim do programa de checagem de fatos nas plataformas da Meta, sob a justificativa de que os checadores “mais destruíram do que construíram confiança”, evidencia uma tentativa clara de fortalecer o fascismo, tanto no ambiente digital quanto nas ruas.
Presidente, este é um ataque direto à nossa soberania e à democracia brasileira. Vamos, juntos, governo e sociedade civil, enfrentar esse desafio e proteger o Brasil de mais essa investida contra nossa independência.