Ato de celebração na Casa da Moeda do Brasil destaca a política de valorização do salário mínimo como instrumento de distribuição de renda, iniciada por Lula em seu primeiro mandato
Em discurso emocionado e incisivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação do salário mínimo como forma de repartir o crescimento econômico com os trabalhadores, que, segundo ele, são os verdadeiros responsáveis pelo PIB. “Quando cresce o PIB, cresça o PIB do trabalhador. É justo que você reparta com os trabalhadores que são os responsáveis pelo crescimento do PIB”, afirmou, durante a cerimônia na Casa da Moeda do Brasil (CMB), nesta sexta-feira (16). Lula enfatizou: “Vamos ter que continuar trabalhando para aumentar o salário mínimo. Qual é o problema?,” questionou.
A solenidade celebrou os 90 anos da criação do salário mínimo, instituído por Getúlio Vargas em 1936, e os 20 anos da política de valorização iniciada no primeiro mandato de Lula em 2006 e retomada em 2023. Com o valor atual em R$ 1.621 – reajuste de 6,7% sobre 2025 –, a medida beneficia cerca de 62 milhões de brasileiros, injetando R$ 81,7 bilhões na economia em 2026 e reforçando o papel do mínimo como ferramenta de justiça social e redução de desigualdades.
Abertura e Homenagem à História
O presidente da Casa da Moeda, Sérgio Perini, abriu a cerimônia exaltando a medalha comemorativa, que representa “o trabalhador, a Constituição e a produção nacional”. Ele destacou o simbolismo da CMB: “Somos responsáveis por soluções que sustentam a confiança do país […] Essa medalha representa, em metal e arte, símbolos que expressam a história da soberania”.
A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, lembrou do histórico da política de valorização. “Mas principalmente há 20 anos, quando o senhor [Lula] começou a política de valorização do salário mínimo, diziam que isso ia gerar desemprego. Na verdade, foi um dos grandes motores do desenvolvimento do país, com o Brasil crescendo e reduzindo desigualdades pela primeira vez”.
Voz dos Trabalhadores e do Ministério do Trabalho
Um dos momentos mais tocantes foi o depoimento de Simone, trabalhadora da Casa da Moeda do Brasil e sindicalista que foi chamada por Lula para subir ao palco. Ela agradeceu ao presidente da República que permitiu que os trabalhadores demitidos na gestão Bolsonaro pudessem reaver o emprego na CMB. “Graças a ele [Lula], a minha mãe […] retornou, se aposentou com a dignidade que ela merece […] Hoje vai ser o dia mais feliz da minha vida depois do nascimento dos meus filhos, que foi conhecer, poder dar um abraço nesse velhinho aí. Barbudinho, te amo”, falou.
O ministro Luiz Marinho reforçou a luta da classe trabalhadora e a política de reajustes dos governos petistas: “Não fosse a política de valorização desses 20 anos, hoje o salário mínimo valeria a ordem de R$ 830. Hoje é R$ 1.621. Veja a importância”. Ele defendeu reformas tributárias para que “os bilionários passem a pagar mais” e projetou injeção de R$ 120 bilhões na economia em 2026.
Discurso de Lula: Crítica Social, Soberania e Alerta contra Fake News
O ponto alto foi o pronunciamento de Lula, que após a solenidade de quebra dos cunhos da medalha – limitando a tiragem a 500 unidades em prata e 3.001 em bronze – fez um discurso franco, com humor, crítica e visão estratégica do embate eleitoral que se aproxima.
Lula contextualizou o salário mínimo como uma visão de Vargas, mas insuficiente: “Nós não estamos fazendo apologia ao valor do salário mínimo, porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil […] Nós estamos fazendo apologia aqui da ideia de um presidente da República que em 1936 criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares: a gente morar, comer, estudar e ter o direito de ir e vir”.
Ele destacou que os trabalhadores organizados têm um piso salarial acima do salário mínimo. Já os trabalhadores informais e os aposentados têm o salário mínimo como pagamento. E criticou a avareza das elites: “Tem cara que dá R$ 1.000 de gorjeta para tomar whisky e não quer pagar o desgraçado do salário mínimo para um povo pobre”. Ele defendeu a repartição de renda: “Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria. Ao contrário, pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição da riqueza”.
O presidente lembrou que a Casa da Moeda por pouco não foi privatizada. “O fato de você utilizar papel brasileiro, tinta brasileira, tudo brasileiro e sobretudo o trabalhador brasileiro é um símbolo extraordinário de que a gente tá exercendo uma parte da nossa soberania. Um dinheiro de um país não pode ser feito noutro país, tem que ser feito por nós. Essa é a coisa sagrada”, afirmou.
Por fim, ao falar do embate eleitoral que se avizinha, Lula alertou sobre as fake news e Inteligência Artificial. “Se a gente não for esperto, a mentira vencerá a verdade. Vocês tomam cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua e colocar você pelada no celular,” concluiu.
Do Blog da Mônica Moreira Lima
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