Em Rio Grande, o presidente Lula trouxe à tona uma crítica que ecoa o sentimento de muitos: o uso indiscriminado de celulares e o impacto das redes sociais na nossa capacidade de convivência. No centro do seu alvo, uma figura emblemática: Donald Trump e sua insistência em “governar o mundo pelo Twitter” (agora X/Truth Social).
A fala de Lula toca em um ponto nevrálgico da modernidade. Para o presidente brasileiro, a política é, essencialmente, um exercício de humanidade. Ao questionar se é possível tratar o povo com respeito sem “olhar no rosto”, ele resgata o valor do contato direto em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos.
Lula sancionou recentemente leis que restringem o celular em escolas e tem defendido uma regulação que proteja, especialmente, crianças e adolescentes da “adultização” precoce e do discurso de ódio. O argumento é claro: o excesso de telas está nos isolando em bolhas, destruindo a atenção e substituindo laços de solidariedade por brigas em grupos de WhatsApp.
Do outro lado do espectro, Donald Trump elevou o uso das redes sociais a uma ferramenta de estado. Para ele, o Twitter (e suas alternativas) não é apenas um canal de comunicação, mas uma arma diplomática e administrativa.
A crítica de Lula: “É fantástico. Todo dia ele fala alguma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou”, ironizou Lula.
O perigo institucional: Governar via redes sociais transforma decisões complexas em frases de impacto de 280 caracteres. O que para uns é “transparência e agilidade”, para outros é a degradação do protocolo diplomático e a substituição da governança real pelo espetáculo digital.
A divergência entre Lula e Trump não é apenas sobre o uso de um aparelho, mas sobre o futuro da democracia.
Enquanto um lado busca frear o avanço das “Big Techs” para preservar o que resta de convivência social e saúde mental, o outro utiliza essas mesmas plataformas para pular intermediários (como a imprensa tradicional) e pautar o mundo através do caos informativo.
A pergunta que fica para nós, cidadãos, é: queremos líderes que nos chamem para o diálogo real ou líderes que nos governem através de notificações? O celular em nossas mãos pode ser uma ferramenta de trabalho, mas quando ele se torna o único filtro da realidade política, talvez seja hora de, como sugeriu o presidente brasileiro, voltar a olhar mais nos olhos e menos para as telas.
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