
“Já são 20 mulheres mortas e Leite não assinou o Pacto Nacional de combate ao feminicídio” diz Natasha Ferreira em audiência pública
Presidenta da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) critica gestão estadual no combate à onda de feminicídios no RS
O Rio Grande do Sul já registra 20 feminicídios em 2026, e a falta de investimentos em políticas de proteção às mulheres foi alvo de críticas durante reunião realizada nesta terça-feira (10) na Câmara Municipal de Porto Alegre. O debate foi proposto pela presidenta da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), vereadora Natasha Ferreira (PT) e reuniu parlamentares, representantes do poder público, movimentos sociais e integrantes da sociedade civil.
Durante a abertura do encontro, Natasha apresentou dados sobre a violência de gênero e alertou para o crescimento dos feminicídios na capital. Ela destacou que seis dos 80 casos registrados pela Polícia Civil no Rio Grande do Sul em 2025 ocorreram em Porto Alegre. Em média, a cidade teve um feminicídio a cada dois meses no último ano. Em 2026, até o momento, já foi registrado um caso por mês.
A parlamentar também criticou a postura do governo estadual diante da crise. Para ela, a falta de investimento e de articulação com políticas nacionais enfraquece as estratégias de prevenção no estado.
“Já são 20 mulheres mortas e Eduardo Leite não assinou o Pacto Nacional de Combate ao Feminicídio, lançado pelo governo federal, deixando o estado de fora dessa política” , enfatizou.
“Se essa tendência continuar, o número de feminicídios pode dobrar neste ano. O poder público não pode se omitir diante desse cenário” , completou.
Ao longo da reunião, participantes destacaram a necessidade de fortalecer políticas públicas já existentes, como a Patrulha Maria da Penha, ampliar o acesso às medidas protetivas e criar mecanismos de proteção financeira para mulheres em situação de violência.
“A gente precisa regularizar instrumentos que já estão previstos na Lei Maria da Penha, como o auxílio-aluguel para mulheres em situação de risco. O enfrentamento à violência contra as mulheres é multifatorial” , afirmou a defensora pública Paula Granetto.
Impacto da “machosfera” entre jovens preocupa especialistas
Outro ponto debatido durante a reunião foi o crescimento do discurso de ódio contra mulheres entre jovens, impulsionado por grupos extremistas e fóruns masculinistas na internet. Participantes relataram perceber o aumento de comportamentos violentos e hostis contra meninas e mulheres, inclusive no ambiente escolar.
“A gente observa uma onda de misoginia, especialmente entre meninos jovens. Não podemos ignorar o impacto de grupos redpill, Legendários e outros fóruns masculinistas que fomentam uma violência sistemática contra as mulheres” , pontuou Natasha.
A defensora pública Paula Granetto também destacou a importância de ações educativas para enfrentar esse cenário.
“A violência contra as mulheres entre os jovens aumentou muito. Precisamos levar esse debate com urgência para as escolas” , disse.
Ao final do encontro, Natasha destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige tanto políticas públicas quanto transformação cultural. A vereadora também ressaltou a importância de projetos como o Prateleiras Maria da Penha, de sua autoria, que leva acervos sobre enfrentamento à violência de gênero para escolas e bibliotecas públicas municipais.
“ O papel de gênero é fundamental na perpetuação do machismo. Combater essa violência também exige educação e mudança social” , concluiu.
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