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PROCURADORA DIZ QUE MATADORES DE SEM TERRA AGIRAM “PROFISSIONALMENTE”

O Ministério Público tem a incumbência de proteger os interesses do povo. Mas para alguns procuradores, parece que vale tudo na defesa da propriedade privada e nada na defesa da vida dos cidadãos. Em matéria publicada ontem em vários jornais da RBS, a procuradora Lisiane Villagrande não teve dúvidas em chamar assassinos de profissionais. Abaixo vai a matéria.

” Eles foram extremamente profissionais” disse a propotora Lisiane Villagrande que acompanhou a ação na Fazenda Southall desde as 5h desta sexta-feira

Atualizada às 17h00min Lisiane Villagrande, promotora de São Gabriel desde 2002, acompanhou a ação da Brigada Militar (BM) na desocupação do acampamento da Fazenda Southall desde as 5h desta sexta-feira. Na operação, um integrante do MST foi morto. Ela afirmou em entrevista ao programa Gaúcha Repórter que o momento da desocupação era aguardado desde a semana passada e defendeu a ação da BM, além de relatar o que viu:

— Eles foram extremamente profissionais. Em momento nenhum eu senti alguma tensão ou nervosismo por parte dos policias militares que executavam a ação. Foi tudo muito rápido.

Se os brigadianos não estavam nervosos, é por que estavam muito bem orientados. A ordem era mesmo usar armamento mortal para enfrentar meia duzia de foices e facões. Há agora um debate se o tiro que matou um Sem terra foi pelas costas ou pela frente, como se esta fosse a questão. Assassinato a a queima roupa, isto sim. De frente ou de trás, não houve nenhuma possibilidade de defesa. Ou há possibilidade de defesa contra uma calibre doze?

Desde que Yeda Crusius assumiu o governo do estado, os ataques ao sem terra tem sido muito mais frequentes e mais violentos. É claro que a postura arrogante de governadora diante das situações é emblemática das orientações que passa ao seu governo. Bater em professore, agredir, ferir e matar sem terra e usar da violência contra qualquer mobilização popular parece ser orientação corrente na BM.

mstMas aí, diante dos ataques do aparelho estatal contra os seus cidadãos, era de se esperar que o Ministério Público se posicionasse em defesa dos direitos constitucionais. Mas não. A procudora chama um ato covarde de “extremamente profissional”, defendendo assim a ação da força do estado, assassina neste caso, contra os cidadãos que se mobilizam em torno daquilo que julgam seu direito. O pior, é que mesmo tardiamente, a brigada reconhece que errou, afastando o subcomandante da Brigada. E o Ministério Público, afastará a procuradora que dá titulo de profissionais a assassinos evidentes? Ou a procuradoria, como já o fizeram alguns procuradores em situações semelhantes, tomam uma postura ideológica de criminalizar movimentos sociais? Não é de hoje que o Ministério Público no Rio Grande tem se posicionado ideológicamente. Isto não é bom para a democracia e nem para o povo, que precisa do Ministério Público como guardião da constituição.


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