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Desemprego na Região Metropolitana de POA cai de 9,8% para 7% em um ano

Extraido do texto Original publicado no Jornal do Comércio

Contratos no setor público mantêm a taxa de empregos

FREDY VIEIRA/JC

Dulce diz que as vagas compensaram a queda nas empresas privadas
Dulce diz que as vagas compensaram a queda nas empresas privadas

O aumento nos empregos no setor público foi o responsável por manter estável a taxa de assalariados na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), conforme o a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social (FGTAS) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo o estudo, os 8 mil novos postos no serviço público equilibraram a queda de 8 mil assalariados na iniciativa privada.

O recuo do emprego no setor privado se deve à diminuição de 7% de trabalhadores sem carteira assinada e 1% com carteira assinada. Também houve redução de 13% de trabalhadores autônomos. O índice de desemprego estável em relação a fevereiro – 150 mil desempregados na região metropolitana, ou 7,4% da População Economicamente Ativa (PEA) – se deve ao fato de a eliminação de 24 mil ocupações ter sido compensada pela saída em igual número de pessoas da força de trabalho. O nível de ocupação teve retração no mês de 1,3%, tendo apresentado crescimento somente no setor de serviços, com quatro mil novos trabalhadores (0,4%).

A similitude em relação ao ano anterior na variação do quadro deve seguir durante todo o ano, com a provável queda no número de pessoas ocupadas a partir da metade do ano. O movimento se deve, principalmente, à saída dos trabalhadores de postos temporários criados para as datas comemorativas. A sequência de festividades pode, conforme a economista da FEE Dulce Helena Vergara, tanto diminuir como aumentar a quantidade de empregos com carteira assinada, o que dependerá da experiência das empresas com os trabalhadores e do faturamento. Conforme Dulce, os trabalhadores autônomos também têm papel importante nesse indicador, sobretudo devido à época de festividades, como Páscoa e Dia das Mães.

Apesar disso, a expectativa é otimista, visto que a pesquisa mostra números bem mais animadores que o início de 2010. Em relação ao ano anterior, o número de postos criados cresceu 3% e houve a incorporação de 3% no índice de PEA, o que resultou na queda de desemprego de 24,5%, ou menos 48 mil pessoas sem emprego na região metropolitana. Em março de 2010, o desemprego chegava a 9,8%.

O diretor do Trabalho da Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social do Estado, Luiz Müller, lembra que é típico do primeiro trimestre a queda de

Irene da FGTAS, Dulce da FEE e Müller da Secretaria do Trabalho e Desen.Social na apresentação da PED-RMPA

desemprego, devido ao dinamismo do mercado no início do ano. A possível baixa nesse quadro tende a ser modificada, conforme ele, com a qualificação dos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal. Conforme Müller, há 8 mil postos de trabalho abertos pelo Sistema Nacional de Empregos (Sine) para a região metropolitana da Capital que não são preenchidos devido à falta de mão de obra qualificada, sobretudo no setor de construção civil.

No País, a taxa de desemprego nas sete regiões metropolitanas participantes da PED subiu para 11,2% em março, ante 10,5% medida no mês de fevereiro. A taxa de desemprego média estava em 13,4% em março do ano passado.

Formalização atingiu 13 milhões de pessoas entre 2001 e 2009

A parcela de trabalhadores formais cresceu 43,5% entre 2001 e 2009, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem. Segundo o instituto, o número de trabalhadores não formalizados cresceu menos no período: 9,2%. Em 2001, o País tinha 28,5 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada. Em 2009, esse número passou para 41 milhões. Já o número de informais aumentou de 43,7 milhões para 47,7 milhões no período.

Segundo o pesquisador do Ipea Sandro Sacchet, esse aumento se deu por dois fatores principais. “Á medida que a economia cresce, cresce também o número de postos formais de trabalho. Além disso, o Ministério do Trabalho aumentou a fiscalização”, explicou. A região Sudeste registra a maior parcela de trabalhadores formais. Da população economicamente ativa, 53,6% têm contrato de trabalho assinado. A região Nordeste, por sua vez, foi a que apresentou a maior taxa de crescimento dos postos formais de trabalho, 27,4% entre 2001 e 2009.

O estudo mostra que a formalização é maior entre os homens. Em 2001, 37,7% dos empregados do sexo masculino tinham carteira assinada. Em 2009, o percentual passou para 44,5%, um aumento de 18% no período analisado. A taxa de formalização tem crescimento diretamente proporcional à elevação do nível de escolaridade do trabalhador. Entre os trabalhadores com até três anos de estudo, a proporção de formais cresceu 9%. O mesmo aconteceu com os que passaram mais de 15 anos na escola.

Entre os ramos de atividade, o estudo mostra que o setor agrícola ainda concentra o maior número de empregos informais. As atividades tradicionalmente mais formalizadas são aquelas mais próximas da atividade pública, como nas áreas de educação, saúde e assistência social, onde a taxa de formalização ficou acima dos 69% no período estudado.


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