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A patética tentativa da Globo em justificar seu golpismo em resposta ao The Guardian

A resposta constrangedora do dono da Globo a um artigo no Guardian sobre o impeachment. Por Kiko Nogueir no Diário do Centro do Mundo

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Paulo Francis dizia que quem escreve cartas para jornais é doido. Francis provavelmente abriria uma exceção para João Roberto Marinho, que de doido não tem nada.

Eventualmente, de desesperado. Ou de alguém que não aprecia muito ser contrariado.

O dono da Globo é autor de uma resposta a um artigo de David Miranda no Guardian chamado “A razão real por que os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment”.

No subtítulo: “Corrupção é só um pretexto para os ricos e poderosos que falharam em derrotá-la nas eleições”.

Miranda lembra que “a maioria dos grandes grupos de mídia atuais – que aparentam ser respeitáveis para quem é de fora – apoiaram o golpe militar de 1964 que trouxe duas décadas de uma ditadura de direita e enriqueceu ainda mais as oligarquias do país. Esse evento histórico chave ainda joga uma sombra sobre a identidade e política do país. Essas corporações – lideradas pelos múltiplos braços midiáticos das Organizações Globo – anunciaram o golpe como um ataque nobre à corrupção de um governo progressista democraticamente eleito. Soa familiar?”

Continua: “Por um ano, esses mesmos grupos midiáticos têm vendido uma narrativa atraente: uma população insatisfeita, impulsionada pela fúria contra um governo corrupto, se organiza e demanda a derrubada da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff, e do Partido dos Trabalhadores (PT). O mundo viu inúmeras imagens de grandes multidões protestando nas ruas, uma visão sempre inspiradora.

Mas o que muitos fora do Brasil não viram foi que a mídia plutocrática do país gastou meses incitando esses protestos (enquanto pretendia apenas ‘cobri-los’). Os manifestantes não representavam nem de longe a população do Brasil. Ao contrário, eles eram desproporcionalmente brancos e ricos: as mesmas pessoas que se opuseram ao PT e seus programas de combate à pobreza por duas décadas.”

JRM não gostou do que leu e escreveu, ou mandou escrever, um texto publicado pelos editores do Guardian naseção de comentários.

O contraste com as palavras de Miranda não fica apenas na simplificação para inglês ver do papel da emissora no processo — “com o Grupo Globo repousa a responsabilidade de relatar os fatos como eles aconteceram”, diz ele —, mas num erro de fundamento que explicita a farsa jurídica.

Marinho confirma Miranda.

“Tudo começou com uma investigação (chamada Operação Lava Jato), que por sua vez revelou o maior esquema de suborno e corrupção na história do país, envolvendo os principais membros do Partido dos Trabalhadores (PT), assim como líderes de outras partidos da coalizão do governo, funcionários públicos e magnatas dos negócios.

Muitas dessas figuras foram encarceradas, algumas foram condenadas. todo o processo de investigação foi conduzido de acordo com as regras do direito do Brasil, sob a estrita supervisão de Suprema Corte”.

Ok. Mas o impeachment não é baseado na Lava Jato e sim nas inefáveis pedaladas fiscais. Ou mudou tudo? Melhor deixar as pedaladas pra lá?

“O Grupo Globo não apoiou o impeachment em editoriais”, prossegue. Dois exemplos dessa falácia: “O impeachment é uma saída institucional da crise” e “Tempo no impeachment corre contra o país”.

Por fim, uma demonstração de humildade. “A imprensa brasileira é uma paisagem vasta e plural de várias organizações independentes, 784 jornais diários impressos, 4 626 estações de rádio, 5 redes nacionais de transmissão de televisão, 216 canais a cabo pagos e outra infinidade de sites de notícias”.

Um comentarista rebateu, em inglês: “É sofisma especioso, especialmente no que concerne à pluralidade da mídia. Dos 221 canais de televisão mencionadas, a Globo detém 122 deles. Em 1995, eles tentaram censurar o filme ‘Muito Além do Cidadão Kane’”.

O golpe está consumado, mas a tentativa de legitimá-lo a todo custo está levando seus agentes a malabarismos lógicos patéticos que passam, desde já, para a história.


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5 pensamentos sobre “A patética tentativa da Globo em justificar seu golpismo em resposta ao The Guardian

  1. Republicou isso em Gustavo Hortae comentado:
    Este congresso não nos representa!!
    ESTE CONGRESSO NÃO NOS REPRESENTA!

    TAMBÉM TÔ CUSPINDO A TORTO E A DIREITO! PRINCIPALMENTE À DIRETA!

    É MESMO. POR QUE O STF NUNCA JULGOU O PEDIDO DE AFASTAMENTO DO CUNHA?? POR QUE SERIA?

    POR QUE O MORO NUNCA INTIMOU, ARRASTOU, CAPTUROU, MANDOU INVESTIGAR OU O CARAI A QUATRO QUALQUER COISA DO PSDB? POR QUE SERIA?

    JUSTIÇA BRASILEIRA, CADÊ VOCÊ? ACORDA, CACETE!

    >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/04/07/anunciou-na-gbobo-gboebells-to-fora/
    >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/03/16/outra-resenha-apenas-para-que-voce-possa-se-inteirar-da-visao-da-esquerda-sem-a-gbobo/
    >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/04/17/tem-nada-nao-lutar-sempre-vencer-talvez-desistir-jamais/
    >>

    DIFÍCIL DE ACEITAR, MAS NÓS SOMOS MESMO UM NADA! DIFÍCIL DE ACEITAR, MAS NÓS SOMOS MESMO UNS BOSTAS! DIFÍCIL DE ACEITAR, MAS NEM VALEMOS O NOSSO VOTO EM ELEIÇÕES DITAS DEMOCRÁTICAS – DEMOCRACIA AQUI NO BRASIL, SÓ SE FOR A DO DEMO, DO CAPETA, DO DEMÔNIO, A DEMO-CRACIA. O PODER DO DIABO.

    É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE!

    É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE! É GOLPE!

    PRESIDENTE DILMA, NAÇÃO BRASILEIRA, SABOTADOS POR TRAIDORES, PELO MENOS NOS ÚLTIMOS 18 MESES! SABOTADOS POR UMA LEVA DE COXINHAS HIPÓCRITAS IDIOTAS IDIOTIZADOS OU MANIPULADORES CONTUMAZES, PELO MENOS NOS ÚLTIMOS 18 MESES.

    MAS O ÂNUS ESCULACHADO, ESCULHAMBADO, ARREGAÇADO É SEMPRE O NOSSO NESTE BACANAL DE SABOTADORES.

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  2. Pingback: A patética tentativa da Globo em justificar seu golpismo em resposta ao The Guardian | BRASIL S.A

  3. inacreditável a tremenda cara de pau e a absoluta preocupação em, ao menos, fazer uma justificativa razoável. ora senhor Marinho, considerando que sua carta tivesse alguma coisa de verdadeiro, de legítimo, de sensato, continua a pergunta: então, porque o impedimento da Dilma não é um golpe, afinal? Você divagou por uma operação assegurada por ela – a DILMA – em que relata com pelna falsidade que “nomes importantes do PT e de outros partidos (os outros partidos não tem identidade?) estariam envolvidos…” mas “esqueceu” de esclarecer que o nome da presidenta nunca apareceu em nenhum dos casos da investigação… e que o nome do ex presidente Lula (com meses de “investigação e muita mídia”) estava envolvido no crime de frequentar o sítio de uma amigo (???) e na compra de um misterioso barco de lata e de dois pedalinhos para crianças…. e formas rios de dinheiro público gastos nesta investigação ridícula e patética…. A pergunta continua, se a Dilma em nenhum momento foi citada, foi suspeita, foi acusada de absolutamente nenhum evento de corrupção, pq mesmo seu impedimento por corruptos e a mídia (particularmente sua rede de intrigas) ousam “esclarecer” , não se trata de um golpe mesmo? Acho que “esqueceu” de responder objetivamente a esta pergunta, que é a manchete doseu discurso em cartinha de esclarecimento.

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