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Depois de uma Semana de Cerco a La Paz, Trabalhadores da Bolívia tem vitória parcial

Depois de um Cerco de uma Semana pelos Trabalhadores a Capital, La Paz, Governo anuncia um acordo e retira o decreto 5503 mas mantém o Fim dos Subsídios ao preço dos combustíveis, o que gerará mais inflação ainda no país. Novas mobilizações virão.

Fato é, que apesar deste recuo tático do Governo diante da Capital já cercada há uma semana e com produtos e alimentos faltando em toda a cidade, ele tende a voltar ao ataque e os trabalhadores da Bolivia precisam que o todo mundo saiba o que esta acontecendo por lá. já que a grande mídia não fala.

A eleição de Rodrigo Paz em novembro de 2025 marcou uma ruptura drástica com duas décadas de governos nacionalistas e populares na Bolívia. Alinhado ideologicamente ao movimento de Donald Trump nos Estados Unidos e ao novo conservadorismo regional, Paz assumiu o poder prometendo um “choque de liberdade”, mas o que entregou foi o Decreto Supremo 5503, um projeto que aprofunda a dependência externa e ataca frontalmente a classe trabalhadora.

O “Pacotaço” do Decreto 5503 não é apenas um ajuste fiscal; é um “tapete vermelho” para o capital transnacional, focado especialmente no Triângulo do Lítio e nas reservas de gás.

O Decreto 5503 não é apenas uma medida econômica de ajuste; é um projeto de desmonte do Estado boliviano. Ao analisarmos seus pontos principais, fica claro por que a Central Operária Boliviana (COB) e os movimentos camponeses o classificam como “criminoso”:

O Confisco via Combustíveis: Ao extinguir o subsídio e permitir que o diesel subisse 160%, o governo Paz transferiu o custo da crise cambial diretamente para as famílias mais pobres. Isso encarece o transporte e o alimento, asfixiando quem já vive no limite.

Entrega da Soberania (Regime de Investimento): O decreto cria um regime que garante 15 anos de “imunidade” tributária e jurídica para capital estrangeiro. Na prática, abre-se as portas para que multinacionais explorem o lítio e o gás sem deixar contrapartidas reais para o país.

O “Cala-boca” Institucional: O uso de mecanismos como o Fast Track (aprovação acelerada) e o silêncio administrativo positivo para projetos estratégicos ignora as consultas prévias a comunidades indígenas e ignora o debate legislativo.

Governo por Decreto: Rodrigo Paz chegou a editar normas para “governar do exterior”, demonstrando um desdém pelas instituições locais e uma submissão à agenda internacional de seus aliados no Norte.

Após 20 anos de avanços sociais, o povo boliviano desenvolveu uma memória política aguçada. A resistência que vemos hoje nas ruas não é apenas por centavos no combustível, mas pela defesa da dignidade nacional.

A “Geografia do Protesto” isolou as elites de Santa Cruz e o poder político em La Paz. Os trabalhadores do campo e das minas controlam as artérias do país, provando que o governo Paz pode ter o decreto, mas o povo tem a força produtiva.

Diferente de crises anteriores, há uma união sólida entre mineiros, professores e camponeses. Eles exigem não apenas a suspensão da alta dos combustíveis, mas a anulação total do DS 5503.

O governo responde com a “mão de ferro”, utilizando a polícia para buscas noturnas e prisões de líderes. No entanto, quanto mais Paz reprime, mais a sua base se esfarela — inclusive com o rompimento público de seu vice-presidente, Edmand Lara, que acusou o presidente de “governar para os ricos”.

O governo de Rodrigo Paz tentou importar uma fórmula que já fracassou na América Latina: beneficiar o capital financeiro sob o pretexto de “modernização”, enquanto empobrece a base da pirâmide social. Ao flertar com o autoritarismo e ignorar a tradição de luta boliviana, Paz mergulhou o país em uma crise institucional sem precedentes.

A Bolívia está hoje em uma encruzilhada. De um lado, o Governo Neo Liberal títere das Mineradoras e do Agro Negócio e de outro a combativa Classe Trabalhadora Urbana e Camponesa da Bolívia, que hoje cerca a Capital La Paz, impondo a falta de produtos e serviços básicos a elite boliviana.


O Papel das Mineradoras Estrangeiras no DS 5503

O Decreto 5503 não é apenas um ajuste fiscal; é um “tapete vermelho” para o capital transnacional, focado especialmente no Triângulo do Lítio e nas reservas de gás.

O decreto permite que grandes mineradoras operem com isenções que chegam a 80% nos primeiros anos, permitindo que o lucro saia do país sem reinvestimento social. Isso reverte a política de nacionalização que garantiu a estabilidade boliviana nas últimas décadas.

Um dos pontos mais críticos é a flexibilização das normas ambientais e sociais. O DS 5503 permite que o governo autorize explorações em territórios indígenas de forma “simplificada” se a consulta não for concluída em 30 dias. É a priorização do lucro estrangeiro sobre a autodeterminação dos povos originários.

O Caso do Lítio: Empresas norte-americanas e europeias, encorajadas pelo alinhamento de Rodrigo Paz com a agenda de Trump, já sinalizaram interesse em assumir o controle da YLB (Yacimientos de Litio Bolivianos), transformando a riqueza estratégica do país em mera commodity colonial.

A unidade da Classe Trabalhadora, fundamental para este combate agora parcialmente vitorioso, mostra que a Unidade da Classe é fundamental para derrotar os interesses do Império.

Três lideranças foram fundamentais para a construção desta Unidade.

Juan Carlos Huarachi (Liderança da COB)

O secretário-executivo da Central Operária Boliviana unificou as federações de trabalhadores fabris e mineiros. Sob seu comando, a COB declarou que não aceitará “migalhas de aumento salarial” enquanto o custo de vida sobe por decreto. Huarachi é o articulador da greve geral que fechou as minas de Potosí e Oruro.

Felipa Montenegro (Movimento Camponês/Bartolinas)

Representando as mulheres camponesas e as comunidades originárias, Montenegro lidera o Pacto de Unidade. Ela é responsável pela tática de “cerco às cidades”, impedindo que produtos do agronegócio exportador saiam do país enquanto as mesas bolivianas estiverem vazias. Seu discurso foca na defesa da “Mãe Terra” contra a predação das mineradoras autorizadas pelo DS 5503.

David Choque (Federação de Mineiros de Huanuni)

A vanguarda mineira, historicamente o setor mais combativo, está sob a liderança de figuras como Choque. Eles controlam os pontos estratégicos de dinamite e bloqueios nas rodovias que ligam La Paz ao sul do país. Para eles, a luta é existencial: se o DS 5503 avançar, a mineração estatal será a próxima a ser esquartejada e vendida.

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