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O Triunfo da Acadêmicos de Niterói: Uma Homenagem Histórica e Teatral a Lula na Sapucaí

O Carnaval do Rio de Janeiro é mais do que uma festa de cores, ritmos e fantasias; é um palco onde a história, a política e a cultura brasileira se entrelaçam de forma vibrante e, muitas vezes, controversa. A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí com um enredo que não apenas homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também resgatou capítulos cruciais da recente história política do Brasil.

Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile foi uma narrativa épica da trajetória de Lula, desde sua infância pobre no Nordeste até sua ascensão ao Planalto, passando por lutas sindicais, prisões e vitórias eleitorais.

A escola de Niterói, estreando no Grupo Especial, entregou um espetáculo rico em conteúdo histórico, sem cair em simplificações ou exageros gratuitos. Foi uma aula de samba-enredo que dialoga diretamente com o presente, lembrando-nos de que o Carnaval é, acima de tudo, uma forma de resistência cultural e política.

Em um momento em que o Brasil ainda lida com as feridas de polarizações recentes, ver uma escola de samba transformar a Avenida em um espelho da nossa democracia foi revigorante.O grande destaque, sem dúvida, foi a Comissão de Frente, coreografada por Handerson Big e Marlon Cruz, intitulada “O amor venceu o medo”.

Essa performance foi incrivelmente completa e teatral, misturando drama, humor e crítica social de forma magistral. Os componentes encenaram momentos icônicos da política brasileira recente: Michel Temer “roubando” a faixa presidencial de Dilma Rousseff em uma alusão ao impeachment de 2016, passando-a para Jair Bolsonaro – retratado de forma satírica como o palhaço Bozo –, e, finalmente, a retomada triunfal por Lula, subindo a rampa do Palácio do Planalto em 2023.

Essa sequência não foi apenas visualmente impactante, com figurinos elaborados e movimentos precisos, mas também carregada de simbolismo, evocando o ciclo de rupturas e reconquistas democráticas no país. Foi um teatro de rua elevado à potência máxima, que fez a Sapucaí vibrar e refletir ao mesmo tempo.

Outro aspecto que enriqueceu o desfile foi a participação de atores globais, trazendo um toque de celebridade e autenticidade à narrativa. Dira Paes, com sua intensidade habitual, interpretou Dona Lindu, a mãe de Lula, revivendo a jornada da família em um “pau-de-arara” do Nordeste para o Sudeste – uma representação comovente da migração e da resiliência popular.

Dira Paes, da Novela 3 graças direto pra Sapucaí, representando dona Lindú, a abnegada mãe de Lula.

Já Paulo Vieira, o talentoso humorista, encarnou o próprio Lula em diferentes fases de sua vida, adicionando leveza e carisma à homenagem.

Juliana Baroni completou o trio, revivendo Marisa Letícia, a ex-primeira-dama.

Esses artistas, todos contratados da Globo, deram um brilho extra ao desfile, conectando o mundo do entretenimento à política real.No entanto, aqui vai uma crítica que não pode ser ignorada: a cobertura da Globo foi solenemente contida em relação a esses destaques. Enquanto em desfiles de outras escolas a emissora costuma enfatizar a presença de seus próprios talentos – com close-ups, entrevistas e menções efusivas –, dessa vez, Paulo Vieira e Dira Paes pareceram ser “escondidos” na transmissão.

A audiência inicial foi modesta, com cerca de 11 pontos no Ibope, e houve reclamações sobre problemas técnicos, como áudio ruim e atrasos.

Em um Carnaval que sempre celebra a diversidade, é lamentável, porém previsível ver a Globo optando por uma abordagem evasiva – quando o enredo toca em figuras como o Presidente Lula, ou até o palhaço Bozo.

Em resumo, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi uma obra-prima: histórico, ousado e emocional. Ele não só homenageou Lula como um “operário do Brasil”, mas também nos lembrou do poder do Carnaval em narrar nossas vitórias coletivas.

Para mim, como observador, foi impecável – um exemplo de como o samba pode ser ferramenta de memória e esperança. Que venham mais enredos assim, desafiando o status quo e celebrando nossa resiliência nacional. Viva o Carnaval!

E o que a Globo não mostra, as Redes Sociais tem mostrado.

O Palhaço #bozo recebendo a faixa do Temer, que a roubou da Dilma. Parte da Coreografia da Comissão de Frente da Acadêmicos de Niterói. É #Lula homenageado na Sapacaí. Clica aee pra ver:

E busca nas redes a Tag #Carnaval, por que tu vais ver muito mais do que a Globo mostrou.


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