Para muitos cristãos hoje, a bandeira de Israel e a busca pela riqueza parecem partes inseparáveis da fé. No entanto, ao abrirmos os Evangelhos, encontramos um Jesus que frequentemente caminha na direção oposta. Se somos seguidores de Cristo, por que muitas vezes parecemos mais focados nas leis e conquistas do Velho Testamento do que no amor radical do Novo Testamento?
Pra quem não sabe, este blogueiro estudou teologia na Juventude, na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. E baseado neste conhecimento adquirido, decidi escrever este artigo, pois vejo alguns amigos que mais parecem professadores da Fé Judaica que da Fé Cristã. Mas há profundas contradições entre as duas:
1. A Lei vs. A Graça: O Perigo de “Retroceder” ao Velho Testamento
O Velho Testamento é a base da nossa fé, mas para o cristão, ele é uma preparação para algo maior. O Sionismo Cristão foca em terras, exércitos e fronteiras geográficas. Mas Jesus foi claro:
“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).
Quando uma igreja foca excessivamente em rituais do Velho Testamento (como o uso do Shofar ou a guarda de leis levíticas), ela corre o risco de ignorar o que o apóstolo Paulo alertou em Gálatas: se voltarmos a depender da Lei e de rituais antigos para nossa salvação ou identidade, “de Cristo vos desligastes” (Gálatas 5:4). O cristianismo é a religião da Universalidade — onde não há mais judeu nem grego, mas todos são um em Cristo.
2. O Mito da Teologia da Prosperidade: Acumulação ou Partilha?
Muitos acreditam que ser abençoado por Deus significa ter uma conta bancária cheia. Essa ideia, no entanto, não nasceu na Bíblia, mas foi importada dos EUA em meados do século XX.
A “Teologia da Prosperidade” foi incentivada como uma ferramenta política para combater a Teologia da Libertação. Enquanto esta última falava em justiça social, direitos dos pobres e humildade coletiva (as bases do humanismo cristão), a Teologia da Prosperidade focava no indivíduo e no consumo, esvaziando a igreja de sua missão crítica e social.
O que Jesus diz sobre o acúmulo?
O Jovem Rico: Jesus não lhe deu uma estratégia de investimento; Ele disse: “Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres… e vem, segue-me” (Lucas 18:22).
A Humildade Coletiva: No livro de Atos, a igreja primitiva não buscava a prosperidade individual, mas a sobrevivência do grupo: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum” (Atos 2:44).
3. As Contradições do Sionismo sob a Lente da Cruz
O Sionismo Cristão defende a posse de terras através da força e da política. Mas o Novo Testamento nos chama para um tipo diferente de “conquista”:
Vencer o mal com o bem: Enquanto o Velho Testamento fala em “olho por olho”, Jesus diz: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44).
O Templo não é de Pedra: O Sionismo foca na reconstrução de templos físicos em Jerusalém. Mas o Novo Testamento ensina que nós somos o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Gastar milhões em réplicas de templos enquanto irmãos passam fome é uma inversão direta das prioridades de Cristo.
Conclusão: Voltando à Essência
Ser cristão não é ostentar bandeiras de nações estrangeiras nem exibir bens materiais como troféus de fé. O cristianismo é, essencialmente, uma proposta de humildade coletiva e desprendimento.
Se a nossa igreja parece mais com um tribunal de leis do Velho Testamento ou com uma empresa de investimentos do que com a comunidade de partilha de Atos dos Apóstolos, talvez estejamos seguindo um sistema político-econômico, mas não necessariamente a Jesus Cristo.
Pergunta para reflexão:
Se Jesus entrasse na sua igreja hoje, Ele se sentiria em casa com os rituais e a pregação sobre dinheiro, ou Ele estaria lá fora, com os que nada têm, ensinando que o maior no Reino é aquele que serve?
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