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POR QUE É TÃO NECESSÁRIO CONSTRUIR UMA FRENTE AMPLA NO RIO GRANDE DO SUL? (Por Matheus Gomes)

“Conhecemos as contradições do PDT, porém, o que dá base pra discutir uma aliança nunca feita na história do RS são os compromissos assumidos agora”, Extrato do artigo do Deputado Matheus Gomes (PSOL) que reproduzo na íntegra a seguir:

O motivo é óbvio: a união entre esquerda e centro-esquerda desde o 1° turno é o único meio de impedir uma vitória do neofascista Zucco e também interromper o ciclo neoliberal de Eduardo Leite e Gabriel Souza.

Porém, em vez da busca por acordos e um programa comum, assistimos nas últimas semanas a um afastamento de potenciais aliados.

Enquanto a nível nacional a palavra de ordem é “Frente Ampla contra Flávio Bolsonaro”, por aqui, o perigo semelhante deveria impor a mesma tática.

Aliás, me chamou a atenção que a carta lida na plenária de ontem, na presença de várias lideranças do nosso campo, não citou o real perigo que ronda o RS: a vitória do neofascismo.

Tragicamente, hoje Zucco é favorito.

Isso não é um acaso. A aliança de Zucco governa 44% dos municípios gaúchos e tem quase 2 mil vereadores. Também lidera a maioria da Região Metropolitana e dita o ritmo no governo Melo.

A decisão do PP, maior partido RS, também deve ser observada. Ao apoiar Zucco, eles não fizeram apenas uma escolha pragmática, mas, cederam à pressão das suas bases, radicalizadas à direita. Contam com o agronegócio, dos grandes aos pequenos, que está permanentemente mobilizado contra os governos Lula e Leite – considerado um “esquerdista” pelos neofascistas.

Por outro lado, a direita neoliberal que apoia Gabriel e Leite, governa cerca de 200 municípios, muitos entre os mais populosos e também tem milhares de vereadores, a maioria dos Deputados Estaduais e Federais, tudo com o apoio de setores econômicos relevantes.

Leite segue prestigiado: fez o PSD sair de 1 para 9 deputados estaduais e mantém avaliações positivas nas pesquisas, mesmo com a tragédia que representou o seu governo.

Ou seja, corremos o risco de um 2° turno novamente polarizado entre direita e extrema-direita.

Nesse cenário, partidos, parlamentares, movimentos sociais e cidadãos interessados na mudança de rumo do RS deveriam discutir: qual programa pode nos unir?

Já sugeri no mínimo 5 pontos: fim das medidas econômicas neoliberais, um plano robusto para enfrentar a crise climática, a reestruturação da educação e saúde públicas e iniciativas de curto, médio e longo prazo para combater os feminicídios.

Seria só o começo, é claro.

A definição dos nomes que nos lideram seria consequência desse debate.

Reitero a decisão do PSOL na preferência por Edegar Pretto, mas, a questão aqui é: como construir uma composição que seja competitiva e vitoriosa?

Ninguém aqui tem a autoridade de um líder como Lula, ou seja, vale mais a construção coletiva entre os partidos do que só ter um plano A de indicação.

Infelizmente, o que deveria ser uma oportunidade – a consolidação da aliança entre PT, PDT, PSB, PSOL e demais partidos no apoio à reeleição Lula desde o 1° turno – aparece no RS como um problema.

A força da extrema-direita e da direita gaúcha deveriam acelerar a nossa união, não nos dividir.

Não cabe discutir o que os partidos fizeram no “verão passado”.

Por esse critério, seria necessário exigir autocrítica do PT pelo erros cometidos nos governos? Ou retratação do PSB por ter apoiado o impeachment de Dilma e os governos Sartori e Leite no RS?

Conhecemos as contradições do PDT, porém, o que dá base pra discutir uma aliança nunca feita na história do RS são os compromissos assumidos agora.

Sobre o PT, acompanho atentamente a possibilidade de intervenção. Mas, apesar de saber das consequências sobre o conjunto da coligação, se trata de um tema interno do partido.

Não me interessa “tirar casquinha” dessa situação.

Como dirigente do PSOL, à medida que o PT resolver suas questões internas, me posicionarei na discussão com o campo político que represento.

Aliás, nós do PSOL temos uma chance única: eleger uma senadora.

E podemos fazer isso sem sectarismo, com Manuela D’Ávila agregando a esquerda, centro-esquerda e mobilizando o conjunto da sociedade.

Em vez de tomar posição na discussão interna de outro partido, deveríamos dar mais clareza à militância sobre o que realmente está em jogo no RS e ser o vetor de um debate programático e realmente participativo.

Por fim, faço duas reflexões.

A primeira é: nenhuma postura autossuficiente de partidos da esquerda e centro-esquerda se justifica.

Isso só serve para interesses menores, como manter bancadas e apresentar novas lideranças. Se a meta é governar o RS e modificar a correlação de forças a nível estadual, aproveitando a hipótese de um novo governo Lula, precisamos reconhecer a nossa insuficiência e trabalhar pela unidade.

A segunda é uma questão de método: até quando vamos negar a necessidade de novas formas de escolhas de candidatos majoritários?

Ao nosso lado, vizinhos uruguaios dão aulas de como manter unidade entre organizações políticas diferentes ao longo do tempo.

Parte disso passa pela normalização das prévias para escolher candidaturas e também da ideia de que mais vale o programa e as ideias defendidas.

A nossa incapacidade em inovar também explica porque não governamos há tanto tempo.

Temos duas escolhas: ou colocamos em primeiro plano o que realmente importa, a mudança de rumo do RS, ou pavimentamos o caminho da derrota, mais uma vez.

Ainda há tempo de mudarmos a rota e trabalhar pela Frente Ampla. O futuro do RS depende disso!


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