NOVA IORQUE/USA – O florescimento da Primavera árabe, que eclodiu por todo o Oriente Médio, com levantes e revoluções, chegou na ONU, no primeiro dia da Primavera no Brasil. O 23 de setembro entra na História como o dia em que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, conclamou os israelenses à paz e à negociação, pouco depois de ter pedido formalmente à ONU o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras anteriores a 1967 e à Guerra dos Seis Dias com Israel.
Muito aplaudido antes de começar sua fala, Abbas discursou no plenário da 66ª Assembleia Geral da ONU diante dos líderes mundiais e foi duro ao tratar da questão da expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinos. O pronunciamento veio logo após Mahmoud Abbas entregar ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido formal de reconhecimento do Estado Palestino pelo organismo multilateral, para ser analisado e enviado ao Conselho de Segurança da ONU para aprovação.
O dirigente palestino afirmou que os palestinos irão continuar a resistência “pacífica e popular” ao que chamou de “ocupação israelense”, alertando que a continuidade das construções “destrói todas as possibilidades de paz” entre os dois lados.
“Estes esforços sinceros e as iniciativas internacionais foram repetidamente destruídas pelas posições do governo israelense, que rapidamente acabou com as esperanças que surgiram com o lançamento de negociações em setembro passado”, afirmou Abbas.
EUA e Israel se opuseram ao pedido de reconhecimento nas Nações Unidas, sob o argumento que deve haver mais negociação bilateral entre palestinos e israelenses, que estão praticamente paralisadas.
A ONU estabeleceu em 1947 que a Palestina, então um protetorado britânico, deveria ser dividida em um Estado judeu e um Estado árabe. Mas os governos árabes imediatamente rejeitaram a decisão e declararam guerra ao recém-criado Estado de Israel, que então capturou territórios além daquilo que previa a partilha da ONU, fazendo com que centenas de milhares de palestinos se tornassem refugiados.
Numa guerra posterior, em 1967, Israel ampliou ainda mais sua área, conquistando vários territórios vizinhos, inclusive a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental – territórios hoje reivindicados pelos palestinos para a criação do seu Estado.
Israel já desocupou a Faixa de Gaza, hoje sob controle do grupo islâmico Hamas, mas diz que nunca irá abrir mão do lado leste de Jerusalém.
PORTO ALEGRE/RS -Na capital do estado do Rio Grande do Sul, a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) organizou ato dentro da campanha “Estado da Palestina, Já!”, reunindo ativistas e simpatizantes da causa. Realizado no ponto mais central da cidade, a manifestação contou com as presenças dos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL, junto a sindicalistas, estudantes e lideranças da comunidade.
Elayyan Taher Aladdin, presidente da FEPAL, disse que as palavras de apoio ao ingresso da Palestina na ONU pronunciadas pela presidente Dilma Rousseff, na abertura da 66 Assembléia Geral do organismo internacional apenas confirmam o apoio popular à causa palestina no Brasil.
Em Ramallah, na Cisjordânia, foram colocados telões para a população acompanhar o discurso de Abbas. Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental — territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.
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