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Militares saudosistas e Folha desmemoriada

Carros da Folha transportaram presos políticos

carros da Folha transportaram presos políticos para a ditadura militar.

Os militares de pijama (da reserva) mostraram seu saudosismo mais uma vez, no último sábado, dia 31 de março, data que eles escolheram proclamar como o início da quartelada que implantou a ditadura no Brasil (1964-1985). O golpe consolidou-se, de fato, a 1º de abril (dia 2 de abril o presidente constitucional, João Goulart, o Jango estava em território nacional, no Rio Grande do Sul), mas um dentre eles, mais inteligente, descobriu que não ficava bem falar de uma “revolução” – como eles chamaram – iniciada no Dia da Mentira.

No fim de semana, no sábado, 31 de março, cerca de 80 pessoas se reuniram na praia da Reserva no Rio para assistir oito militares nostálgicos, na maioria coronéis e todos da reserva, a saltar de paraquedas com bandeiras brasileiras. Mais cedo, um avião sobrevoou a orla da zona sul do Rio com uma faixa escrita “parabéns Brasil, 31 do 3 de 64”.

Matéria da Folha de S.Paulo informa que o voo e a faixa foram pagos pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que desembolsou R$ 2 mil. Bolsonaro realmente compareceu e, segundo registram os jornais, era dos mais exultantes. Como vocês vêem, a manifestação em si e o número de espectadores prova o tamanho do apelo e apoio que os promotores do ato recebem e que o golpe – “revolução” para os golpistas – ainda tem. Não passam de uns saudosistas.

Já manifestação contra o golpe reuniu centenas

Felizmente, não só manifestações incipientes e contrárias à verdade e à democracia marcaram os dias que lembram o aniversário do golpe. Ontem (01), o intitulado Cordão da Mentira reuniu centenas de manifestantes que fizeram um périplo por lugares marcantes da ditadura. Ou melhor, por locais, entidades e instituições que a apoiaram ou que ainda herdam ou são vítimas de práticas de uma política de repressão típica daqueles anos, como a promovida na Cracolândia pela parceria tucana dos governos Geraldo Alckmin-Gilberto Kassab.

Com coletivos políticos, sambistas e grupos de teatro, o Cordão passou, entre outros, pela sede da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), organizadora da “Marcha da Família com Deus e Pela Liberdade”; Minhocão, o elevado Costa e Silva, que leva o nome do presidente que promulgou o Ato Institucional nº 5; o jornal Folha de S.Paulo; e a antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), prisão política na ditadura.

Interessante, mesmo, é a matéria do jornalão da Barão de Limeira (Folha) sobre o Cordão da Mentira em seu ato de ontem. Ela registra que a manifestação passou por sua sede mas, convenientemente, esquece-se de explicar o porquê – parte considerada importante em matérias jornalísticas.

Os organizadores explicaram: teve exatamente o propósito de passar em frente e denunciar pessoas, entidades e instituições que apoiaram e colaboraram com o golpe – aberta ou veladamente, sem coragem de assumir. “A Folha ficou conhecida nos anos 70 como o jornal de ‘maior tiragem’ do Brasil, por contar em sua redação com o maior número de ‘tiras’, agentes da repressão”, assinalou uma das organizadoras do ato, Beatriz Kurshnir, professora da UNICAMP.

Pescado do Blog do Zé


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Um pensamento sobre “Militares saudosistas e Folha desmemoriada

  1. Quem chama o golpe midiático/militar de 64 de revolução, deve voltar a estudar para tentar compreender o que quer dizer REVOLUÇÃO.
    Não dá nem pra considerar provocação!
    Marcio Vasconcelos
    Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de São Paulo
    Sindicato invadido pela milicia do deputado paulo invasor de Sindicatos pereira. Desde 28 de agosto de 2011.

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