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Libra: vitória política completa. Econômica, um pouco menos que o possível

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Politicamente, a vitória obtida pelo Brasil no leilão não poderia ter sido maior.

A presença minoritária da Shell no consórcio da Petrobras jogou por terra todo o blá-blá-blá de que as regras eram inviáveis, que as empresas comerciais temiam a ingerência do governo, que a partilha era um modelo fadado ao fracasso.

A outra empresa privada, a Total, é muito ligada ao governo francês, que tem participação acionária e já se esperava que pudesse entrar no consórcio por razões estratégicas de abastecimento. Mas não a Shell.

Deixou de queixo caído todos os “mercadistas” que não entenderam que as americanas e inglesas caíram fora por conta da espionagem e a “dupla cidadania” da Shell – também holandesa – a deixou menos exposta ao escândalo.

Nem a Miriam Leitão tem o que falar sobre isso, agora.

Do ponto de vista do resultado econômico do leilão, todos viram que o representante do consóricio esperou até os últimos segundos para entregar aquele envelope.

Claro, porque havia outro, com um lance maior, para o  caso de haver outros na disputa.

Se não há, vai a proposta mínima, até porque a Petrobras não tem como forçar seu aumento se não há licitantes a vencer.

Poderíamos ter alcançado os 80% de participação estatal, mas acabamos ficando, como mostrou o post anterior, em 75,79%.

Duas razões nos impediram,

A primeira, o alto bônus de assinatura, que criou dificuldades de desembolso imediato para a Petrobras. E isso, com todo apoio que este blog deu ao leilão, jamais deixou de ser objeto de crítica, sobretuso porque derivou das necessidades imediatas de caixa do Governo para alcançar a meta de superávit primário, aquele do maldito tripé que a direita e, agora, Marina Silva, endeusam.

A segunda, a pressão política.

Não a das poucas dezenas de manifestantes  ali fora do leilão que, tirando meia-dúzia de provocadores black blocs – são gente nacionalista.

A pressão vem de outros black blocs, os mascarados do mercado, que vêm vandalizando as ações da Petrobras faz tempo, sob a música de desastre que a mídia incessantemente toca para a empresa com mais reservas novas a explorar neste momento no mundo.

Nada isso, entretanto, diminui meu otimismo com a exploração de Libra. Até porque, fora da parcela de lucro embolsada pela União, pela Petrobras e pelas outras empresas do consórcio, existe uma parcela imensa, de algo perto de US$ 300 bilhões, que vai ser apropriada pelo país na forma de salários, compras de insumos e de encomendas com o máximo possível de conteúdo nacional, como é tradição da Petrobras, e que, por isso, vai irrigar nossa economia com impostos e salários.

Nem falo, também, no horizonte de cooperação que ela abre com a China, que lentamente vai assumindo o seu papel de parceiro estratégico do nosso país.

O Brasil está de parabéns. Provamos que é possível juntar a defesa dos interesses nacionais, o controle de nossas matérias primas estratégicas, a eficiência tecnológica e operacional com a necessária captação de recursos para o desenvolvimento de nossa indústria petroleira.

O petróleo teve três fases neste país.

A primeira, a de acreditar que ele existia e encontrá-lo.

A segunda, a de sermos capazes tecnologicamente de extraí-lo, nas difíceis condições onde ele surgiu.

A terceira, agora, a de sermos capazes de mobilizar, sem perder a soberania sobre ele, os recursos necessários a realizar essa imensa riqueza potencial.

Demos um passo gigantesco e seria tolice deixar de reconhecê-lo por acharmos que se poderia ir alguns centímetros além.

E, depois dos retrocessos que a década neoliberal nos obrigou, estamos mais longe do que qualquer um de nós poderia pensar naqueles anos amargos.

Esta caminhada jamais foi fácil, jamais foi simples.

Mas não há de parar nunca.

Por: Fernando Brito no Tijolaço


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7 pensamentos sobre “Libra: vitória política completa. Econômica, um pouco menos que o possível

  1. Não entendo mais nada : Vendemos pra nós mesmos o que muitos acham que nem deveríamos ter posto na vitrine ? Ah, não. É que a Petrobras precisava de parceiros pra exploração e correu o risco de entregar pra outro que não ela mesma ? Não podia vender lotes e manter o controle ? Tem que explorar tudo que há em Libra agora, em curto prazo ?

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    • Caro Antonio

      Não estamos falando só de Petróleo. Estamos falando de uma nova ordem mundial. E uma nova geo política de poder não se constrói sozinho. E quanto a explorar em curto prazo, sim. Temos que buscar este petróleo e vendê-lo o quanto antes, pois não adianta manter ele lá em baixo, sem explorá-lo, sujeito a ser vendido a troco de banana, como fez FHC com esta mesma região, quando a vendeu por R$ 250 mil. E o povo precisa de mais educação, saúde, ou não? A Petrobrás tem a tecnologia mas não tem todo o dinheiro necessário. Então o caminho é fazer sim a parceria econômica com outras empresas.Mas esta parceria também mudou o lugar do Brasil no mundo político. Uma nova hegemonia mundial esta em gestação e o Brasil toma lugar a frente desta nova hegemonia, junto com a China.

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  2. A Shell é “semi-estatal”. Seu capital votante está nas mãos do governo da Holanda. As posturas da Shell ficam sempre no meio termo entre as empresas estatais e as grande privadas, que hoje todas estão mal das pernas, sem caixa.

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  3. São noticias que deixa os reacionários e neoliberais muito trites. Pois o PIG anunciava vários fracassos na parceria para exploração do campo de libra. Com os resultados positivo alcançado ficou confirmado que os criadores factoides e golpistas de plantão, só desejam a derrota para o Brasil . 2014 – Dilma de novo para o Brasil continuar avançando; UNIDOS SOMOS FORTES.

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