A próxima reunião do G20, que será realizada nos dias 15 e 16 de novembro, na Austrália, apresentará aos lideres financeiros do grupo sérios desafios que ameaçam a recuperação econômica mundial, como as disputas cambiais, a luta para manter competitividade da indústria e a falta de crescimento que continua a gerar desemprego no mundo, apesar da indicação de recuperação dos Estados Unidos e dos bilhões de dólares de estímulos governamentais já despejados nas economias desde o início da crise, em 2008.

Será uma oportunidade para o Brasil defender a atenção global para as políticas públicas que permitiram o País a manter o emprego e reduzir a desigualdade entre ricos e pobres, em um momento em que a crise tem levado a maioria das nações a trilhar o caminho contrário, o da concentração da renda.
Segundo afirma o relatório “Equilibre o Jogo: É hora de acabar com a Desigualdade extrema”, elaborado pela organização não governamental Oxfam, que desenvolve ações de combate à pobreza no mundo, o Brasil tem se diferenciado neste sentido, inclusive, entre os Brics.
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No G20, O Brasil é a nação com maior sucesso nessa missão, ao lado do México e da Coreia do Sul – dois países que, apesar dos avanços, estão abaixo do Brasil em termos de redução das desigualdades.
O relatório Oxfam identificou duas forças que estão levando ao rápido recrudescimento das desigualdades em tantos países: o fundamentalismo do mercado e a apropriação da política pelas elites. Como resultado, o número de bilionários do mundo dobrou desde que a crise financeira teve início. E o aumento da desigualdade pode levar a um retrocesso de décadas na luta contra a pobreza. O trabalho destaca alguns passos concretos que podem ser tomados para lidar com essa ameaça.
Para o ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o crescente abismo entre pobres e ricos chegou a um ponto crítico. “Ou fazemos mudanças concretas agora, para revertê-lo ou ele pode se aprofundar, pondo em risco todos os nossos esforços para reduzir a pobreza”, analisou.
Em entrevista ao Fantástico, no último domingo (2), o indiano Kailash Satyarthi, prêmio Nobel da Paz deste ano, disse que o Brasil deveria ser exemplo a ser seguido pelos outros países. “Quando você fala do Brasil, você pode ver a minha cara. É como a minha segunda casa. Eu amo o país, eu amo o povo. Alguns dos meus melhores amigos são brasileiros. Eu acho que o Brasil é um bom exemplo. É um modelo que pode ser replicado”, enfatizou ele.
Kailash afirmou que a iniciativa do Bolsa Família “é muito interessante, tira as crianças do trabalho e as coloca na escola. Há muitos esforços que precisam ser integrados: educação, luta contra o trabalho infantil, saúde, tudo pode ser convertido em um único esforço. Como o Bolsa Família, que pode ser utilizado em outros países”, recomenda o indiano, famoso pela luta para retirar crianças do trabalho forçado em seu país.
O economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia e diretor do Instituto Terra naquela instituição, comentou o trabalho da Oxfam, afirmando que se trata de chamado para agirmos contra a atual tendência de crescimento da desigualdade em todo o mundo. “Esse relatório chegou na hora certa, quando os governos do mundo estão a ponto de adotarem novas Metas de Desenvolvimento Sustentável, em 2015”, defendeu.
Para ele, essa meta significa uma prosperidade econômica que seja inclusiva e ambientalmente sustentável. “Muito do crescimento atual não é inclusivo e nem sustentável. Os ricos ficam mais ricos, enquanto o planeta e os pobres pagam o preço. Devíamos todos lutar juntos pelo objetivo comum [de colocar] a causa do desenvolvimento sustentável inclusivo no coração dos objetivos do milênio, no próximo ano”, afirmou.
Sachs é conhecido por seu trabalho em agências internacionais para a redução da pobreza, cancelamento de dívidas e controle de doenças em países em desenvolvimento.
Fonte: com informações da Oxfam.
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