Por Antônio Escosteguy Castro no SUL 21
Desde o início do ano a sociedade gaúcha cobra que o Governador apresente seu projeto para enfrentar a tão propalada crise do estado do Rio Grande do Sul. Afora medidas pontuais, algumas das quais altamente polêmicas (como o corte de diárias e horas extras da Brigada Militar), muito pouco tem sido feito, mormente face ao anunciado tamanho do rombo, de mais de 5 bilhões por ano.
Ávido por um agenda positiva, na semana passada Sartori fez soar as fanfarras, com ampla cobertura do Grupo RBS, para anunciar suas “metas gerais de governo”. Seria uma decepção se não fosse um deboche. Esperar cinco meses de um mandato de governador para anunciar, solenemente, que vai “reduzir a criminalidade”, “qualificar a atenção básica de saúde” e “construir novas unidades habitacionais” , dentre outras generalidades, sem uma única meta concreta, sem um único indicador preciso, é um escárnio para com a população gaúcha. Se tal tivesse sido feito antes da posse, já beiraria o ridículo, pois equivaleria a uma promessa do tipo “Juro que vou governar bem”. Mas cinco meses depois de tomar posse, repita- se, por necessário, que é um deboche.
Mas imediatamente após este festival midiático vazio, Sartori embarcou para a Europa. Nada contra viagens internacionais de governadores. Pelo contrário, podem ser muito úteis para divulgar o estado e suas oportunidades de investimento. Mas esta viagem em particular é um desperdício. Não se leva o Governador do Estado e sua entourage apenas para dois ou três contatos bilaterais com empresas pré-definidas. O sentido de sair o Governador em caravana é se encontrar com entidades empresariais ou apresentar o estado em Feiras, expondo suas vantagens competitivas. Conversar apenas com esta ou aquela empresa, cujos contatos já estão em andamento (alguns desde o governo Tarso…) é uma missão técnica, para ser feita pelos técnicos do estado. Sartori só vai para fazer mais espuma, obter manchetes da Zero Hora sobre seus esforços em desenvolver o Rio Grande.
O que me preocupa, porém, com a sucessão de um anúncio vazio de concretude com uma viagem internacional quase inútil é que isto deixa todo o conteúdo do Governo Sartori para o plano de ajuste e contenção que ainda se encontra em planejamento. Se Sartori não foi capaz de apresentar nada minimamente concreto de agenda positiva real, terá de confiar integralmente no Pacotão de arrocho. E isto é um desastre para o estado.
Com um déficit orçamentário real (independentemente de seu tamanho) e uma conjuntura nacional recessiva, o maior esforço do Governo do estado deveria ser a tomada de medidas de incentivo ao crescimento e ao investimento, nem que fosse para minorar os efeitos da recessão que se avizinha. Quanto a isto, vimos que nada de concreto foi apresentado até agora.
Assim, como o estado também não se esforça em obter novos créditos nem em renegociar as dívidas com a União, sobra apenas aguardar o pacote de cortes, arrocho e privatizações, que vai aprofundar a recessão, a não ser para os agraciados com as empresas e serviços públicos que serão concedidos ou entregues à iniciativa privada. Mas mesmo aqui, os sinais que vêm do Piratini são confusos e contraditórios. Cortar a incorporação de Funções gratificadas , além de juridicamente questionável, só terá efeitos a longo prazo. As privatizações anunciadas pela imprensa ( o Zoológico e o Parque de Itapuã) pertencem à periferia da máquina pública e não terão qualquer efeito prático no déficit (sem sequer entrarmos, neste momento, em seu mérito).
Sartori continua perdido. Agora, na Europa.
Antônio Escosteguy Castro é advogado.
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