Governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), afirmou que não só é preciso cobrar multas das empresas responsáveis pelo rompimento da barragem no município de Mariana, mas também um plano de recuperação para os próximos cinco ou dez anos de todo o ecossistema destruído pela lama e pelos rejeitos químicos provenientes do rompimento das barragens; “Esse foi um desastre de proporções mundiais”, enfatizou; uma comissão externa com 17 deputados federais chegou em Belo Horizonte para acompanhar as consequências do desastre ambiental; governo de Minas decretou situação de emergência na região na Bacia do Rio Doce e nos municípios afetados pela tragédia
Minas 247 – O governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), afirmou que não só é preciso cobrar multas das empresas responsáveis pela barragem que se rompeu em Mariana (MG), mas também um plano de recuperação para os próximos cinco ou dez anos de todo o ecossistema destruído pela lama e pelos rejeitos químicos provenientes da barragem.
Uma comissão externa formada por 17 deputados federais para acompanhar as consequências do desastre ambiental em Mariana chegou na manhã de ontem a Belo Horizonte e se reuniu primeiro com a comissão de deputados estaduais que tem o mesmo objetivo e depois com o governo mineiro. Sete mortes haviam sido confirmadas até essa segunda-feira (16) pelo Corpo de Bombeiros em decorrência da tragédia. Há outros cinco não identificados e mais 12 pessoas desaparecidas.
“Esse foi um desastre de proporções mundiais”, enfatizou Pimentel à TV e à Rádio Câmara, destacando que o Rio Doce e seus afluentes estão altamente comprometidos.
Diretores da Samarco, mineradora responsável pelas barragens, informaram que cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram liberados no meio ambiente, o suficiente para encher 24.800 piscinas olímpicas. A Samarco informou nesta semana que apenas uma barragem se rompeu, e não duas, como vem sendo divulgado. As barragens restantes na região, porém, correm o risco de se romper, segundo a empresa.
O governo de Minas decretou situação de emergência na região na Bacia do Rio Doce e nos municípios afetados pela tragédia. Com a medida, as cidades atingidas terão condições especiais nos próximos seis meses para compra de materiais e adoção de medidas de emergência.
O presidente da comissão externa, deputado Sarney Filho (PV-MA), disse ao governador e aos demais deputados que a multa estabelecida até agora de R$ 250 milhões para as empresas precisa ser muito maior. De acordo com Sarney Filho, a empresa British Petroleum pagou U$ 20,7 bilhões pelo vazamento de óleo no Golfo do México em 2010.
O deputado Mário Heringer (PDT-MG) defendeu que se criminalize os auditores que, segundo Pimentel, fazem vistorias todos os anos nas mais de 40 barragens mineiras e as entregam ao governo do estado.
A comissão externa da Câmara estuda fazer mudanças no Marco Regulatório da Mineração, que está sendo analisado na Casa, e na Lei de Segurança de Barragens.
Destruição
Os deputados seguiram para Mariana em microônibus. Em Bento Rodrigues, distrito a 25 km de Mariana, a comissão viu de perto toda a devastação causada pelo desastre.
Ao lado de uma cratera gigante, esqueletos de casas, um carro ilhado em cima de um monte, árvores isoladas altíssimas, que dão uma ideia de quantas outras foram engolidas pela lama cheia de ferro e silício. Nas casas abandonadas, todos os móveis ficaram para trás, uma cidade fantasma, com cheiro de morte e animais famintos.
Um outro grupo de parlamentares segue para o Espírito Santos e para Governador Valadares.
*Com informações da Agência Câmara
Abaixo, reportagem da Agência Brasil:
Governo de Minas decreta situação de emergência na região do Rio Doce
O governo de Minas Gerais decretou hoje (17) situação de emergência na região da Bacia do Rio Doce e nas cidades afetados pelo rompimento das barragens da Mineradora Samarco, em Mariana, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP Billinton.
A situação de emergência vai durar pelos próximos 180 dias. A medida envolve 202 cidades mineiras. Também fazem parte da bacia outros 26 municípios do Espírito Santo. Desde o dia 5, quando houve o rompimento da barragem, uma onda de lama percorre o Rio Doce, impedindo a captação de água e prejudicando o ecossistema da região.
E nota, o governo mineiro informou que uma das principais consequências do rompimento da barragem é o comprometimento da qualidade das águas da Bacia do Rio Doce. “De acordo com parecer apresentado pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam), estima-se que a situação deve perdurar por aproximadamente 30 dias”, acrescentou a nota.
A situação de emergência, que ainda precisa ser reconhecida pelo governo federal, permite às cidades atingidas condições especiais, entre elas a realização de compras sem o processo de licitação. Também é por meio do decreto que os municípios podem ter acesso a recursos estaduais e federais.
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