economia

Sobre a inflação anunciada: Governo faz festa com a desgraça camponesa (por Frei Sérgio Görgen)

“Já são muitos os que estão diminuindo a produção, ou até, abandonando”. (Foto: Assessoria de Imprensa/Incafer)

Frei Sérgio Antônio Görgen ofm (*)

O Governo Federal comemorou a inflação baixa no ano de 2017, menos de 3%. Qual a causa se o gás, a luz, os combustíveis, as passagens e tantos outros itens tiveram enormes aumentos?

O Presidente do Banco Central, de nome estrangeiro difícil de escrever e de pronunciar, Ilan Goldfajn, explicou candidamente que a inflação baixa se deve à queda do preço dos alimentos.

Sim. Alguém está pagando a conta e são as famílias camponesas, as que alimentam o Brasil.

A lógica é bastante simples. Com o aumento do consumo de alimentos de 2003 para cá, com os programas de redução da fome, alta empregabilidade e melhorias de renda das famílias pobres, o consumo de alimentos cresceu muito. E os pequenos agricultores, que produzem mais de 70% do abastecimento alimentar interno passaram a produzir mais e atenderam às demandas. E os preços pagos aos agricultores, embora modestos, mas com maior escala de consumo e financiamentos baratos, eram compensadores.

A partir de 2016, com a ação cada vez mais forte do juiz destruidor de empregos de Curitiba e das políticas do novo governo que se apossou de Brasília, os empregos caíram, a renda caiu, os programas sociais minguaram, a fome voltou e o consumo de alimentos desabou.

Como a oferta continuou alta, os preços entraram em queda livre. Os preços aos agricultores beiram o ridículo e estão levando desgraça e desespero ao campo. Leite, trigo, feijão, milho, frutas, hortigranjeiros, batatinha, ovos, mandioca, etc, etc, estão com preços desanimadores pagos os camponeses. E os custos em alta.

O agronegócio da soja ainda foi pouco afetado pois produz para exportar e seus preço é formado pelo câmbio do dólar e a bolsa de cereais de Chicago. As vítimas são os que produzem para encher as mesas do povo brasileiro.

E já são muitos os que estão diminuindo a produção, ou até, abandonando. Logo vem o repique e a inflação dos alimentos vai voltar por falta de oferta e vai somar-se às outras desgraças.

O Presidente de Banco de nome impronunciável pode entender de finanças que enchem bolsos de banqueiros internacionais, mas em economia social é analfabeto. As festas com desgraças alheias costumam ser caras. As lutas virão.

Pois os que alimentam o Brasil saberão como exigir respeito.

(*) Frade da Ordem Franciscana, militante do Movimento dos Pequenos Agricultores e autor do livro “Trincheiras da Resistência Camponesa”.

Do SUL 21

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