
O Brasil detém uma das tecnologias nucleares mais avançadas do mundo, com domínio completo da cadeia de processamento de urânio.
Desde a mineração até o enriquecimento, passando pela conversão e fabricação de combustível, o país se destaca pela inovação própria, como as ultracentrífugas desenvolvidas pela Marinha em parceria com o IPEN.
Essa tecnologia, 100% brasileira, utiliza rolamentos magnéticos para maior eficiência, superando até potências globais em durabilidade e custo.
Pode-se afirmar que, tecnicamente, o Brasil poderia desenvolver uma bomba atômica se quisesse. Com reservas vastas de urânio e capacidade para enriquecer até 90% de U-235 (grau armamentista), o “salto” seria questão de reconfiguração e escala.
No entanto, compromissos internacionais como o TNP e o Tratado de Tlatelolco, aliados à postura pacifista, tornam isso improvável. O foco é soberania energética e defesa, não proliferação de armamentos.
Com o enriquecimento enriquecimento de urânio a 20% por exemplo, é utilizado para fins científicos e médicos, como no tratamento do câncer e no desenvolvimento de radiofármacos. O Brasil possui essa capacidade, por quec detem a tecnologia desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).
Mas essa trajetória não foi linear. Um grande atraso veio com a paralisação das pesquisas e implementação do Programa de Submarino Nuclear (Prosub), chefiado pelo Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, o “pai” do programa nuclear brasileiro. Nos anos 1970-80, Othon liderou o programa paralelo, criando as ultracentrífugas e impulsionando o reator para submarinos.
Convocado por Lula em 2003, retomou Angra 3 e acelerou o Prosub, com acordos França-Brasil em 2008. Porém, em 2015, a Operação Lava Jato o prendeu por alegações de corrupção, condenando-o inicialmente a 43 anos, a maior pena da criminosa Operação de Moro e Dallagnol contra a Nação.
Isso interrompeu obras de Angra 3, parou investimentos e atrasou o submarino em anos, sob suspeitas de “lawfare” para frear a autonomia nuclear – criticada por analistas como interferência externa, dada a vigilância histórica da CIA.
Com a volta de Lula a Presidência, também foram retomadas as ações para o Brasil avançar mais na area .
Reuniões sigilosas com a França em 2023 visam mais transferência de tecnologia, com obras reiniciadas em 2024 e previsão de entrega do submarino Álvaro Alberto para 2028-2030.
O ministério de Minas e Energia planeja até 15 usinas até 2050, reforçando a matriz energética.
Essa retomada resgata o legado de Othon, honrado recentemente por contribuições nacionais.
Na minha opinião, essa capacidade latente é um trunfo para o Brasil multipolar.
Em um mundo de tensões geopolíticas, dominar tecnologia nuclear garante independência, deterência e exportações futuras.
A Lava Jato, ao mirar Othon, não só atrasou o progresso como expôs vulnerabilidades a pressões estrangeiras.
Lula acerta ao priorizar isso: soberania não é luxo, é necessidade.
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Este mecanismo já é estudado. É a agnotologia
*”… um mecanismo desconfortável chamado agnotologia. Agnotologia é o estudo da produção deliberada da ignorância. Não do erro honesto. Não da dúvida legítima. Mas da ignorância construída com método, dinheiro, estratégia e paciência histórica. …”*
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