Brasil/economia

Altas Taxas de Juros: A auto destruição do Capitalismo Brasileiro e o custo para a sociedade e a Nação

Se uma fraude bilionária como a do Master poderia quebrar o Sistema Financeiro Brasileiro, fato é, que a mais alta Taxa de Juros do mundo ocidental esta destruindo o capitalismo brasileiro por dentro.

Não sou capitalista nem economista. Por outro lado, mesmo para um leigo como eu, fica claro que quem ganha mesmo com a Alta Taxa de Juros que o Banco Central impõe aos Brasileiros, é uma pequena elite financista, em detrimento do Capital Produtivo e de 90% da População Brasileira que perde Serviços Públicos diante do alto custo que o Governo tem que desembolsar para pagar Juros da Dívida aos mesmos financistas e banqueiros que mandam no Banco Central.

Com subsídios de um comentário do Markus Lederman, escrevo a seguir minha opinião de leigo sobre sobre os altos juros que vem corroendo o capitalismo brasileiro.

Uma taxa de juros real de 10% ao ano, mantida de forma persistente pelo Banco Central do Brasil (BCB), não é uma ferramenta de política monetária neutra.

Enquanto beneficia uma pequena elite financeira – os rentistas que lucram com a especulação –, ela impõe um custo devastador e multifacetado ao restante da nação, minando a capacidade produtiva, aprofundando a desigualdade social e comprometendo a soberania nacional.

O BCB, ao insistir nessa política de Juros altos, ignora as críticas construtivas e as evidências de que juros excessivos sufocam o crescimento.

Em contraste, o Presidente Lula tem se posicionado firmemente em defesa de juros mais baixos, argumentando que eles são essenciais para fomentar investimentos produtivos, gerar empregos e impulsionar a economia real.

Lula tem repetidamente destacado que taxas altas beneficiam apenas os especuladores, enquanto penalizam o povo trabalhador, defendendo uma política monetária mais alinhada ao desenvolvimento social e econômico.

Além disso, essa taxa de juros elevada pode colocar em risco uma parte significativa das conquistas recentes obtidas pelo governo Lula no campo dos acordos comerciais internacionais.

Após anos de negociações intensas, o Brasil celebrou vitórias como a aprovação do acordo Mercosul-União Europeia – um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, criando acesso privilegiado a um mercado de cerca de 700 milhões de consumidores e um PIB combinado de trilhões de dólares –, além de avanços com a Indonésia (projetando salto no comércio bilateral para US$ 20 bilhões), China (investimentos bilionários em projetos estratégicos), e abertura de centenas de novos mercados agrícolas.

Esses acordos representam uma diversificação comercial crucial, redução da dependência de poucos parceiros e estímulo ao crescimento via exportações e investimentos produtivos.

No entanto, juros reais de 10% encarecem o crédito interno, desestimulam a expansão industrial necessária para aproveitar essas oportunidades e podem enfraquecer a competitividade brasileira no cenário global que Lula tanto lutou para construir.

A seguir, busco enumerar os principais estragos causados por essa abordagem do BCB, revelando como os próprios capitalistas rentistas estão destruindo o capitalismo por dentro, ao encarecer potenciais investimentos produtivos e priorizar o rentismo parasitário sobre a produção genuína – inclusive ameaçando desperdiçar as conquistas diplomáticas e comerciais do atual governo.

Encarecimento Brutal do Crédito: Sob a direção do BCB, que eleva a taxa Selic para níveis reais de 10%, o crédito se torna exorbitante para empresas que precisam investir em máquinas, tecnologia, expansão ou capital de giro. Isso inibe o investimento, a inovação e o crescimento de longo prazo – exatamente o que seria necessário para capturar os ganhos dos novos acordos comerciais, como exportações ampliadas para a UE e Ásia. Os rentistas, ao pressionarem por esses juros altos para maximizar seus retornos financeiros, sabotam o próprio sistema capitalista, tornando o financiamento produtivo proibitivamente caro e desviando recursos para a especulação ociosa.

Estímulo à Desindustrialização: A indústria, com margens apertadas e ciclos de investimento longos, é a principal vítima dessa política do BCB. Torna-se mais rentável aplicar no mercado financeiro (rentismo) do que na produção de bens e geração de empregos qualificados. Aqui, os rentistas destroem o capitalismo internamente, ao priorizar ganhos passivos que encarecem o capital produtivo, levando à erosão da base industrial que poderia se beneficiar enormemente dos acordos com a UE (acesso a bens industriais) e outros parceiros. O Presidente Lula, em suas declarações públicas, tem criticado essa dinâmica, defendendo juros mais baixos para revitalizar a indústria e criar oportunidades reais de trabalho alinhadas às novas parcerias internacionais.

Incentivo à Fuga de Capital: A combinação de juros altos impostos pelo BCB com um câmbio volátil cria o cenário perfeito para a dolarização do patrimônio. O capital que deveria financiar o desenvolvimento brasileiro – e aproveitar os mercados abertos por Lula – é exportado em busca de segurança e ganhos especulativos. Os rentistas, ao defenderem essa política, minam o capitalismo ao desencorajar investimentos locais produtivos, preferindo a pilhagem financeira que enfraquece a economia nacional.

Aumento Exponencial da Dívida Pública: O governo é o maior devedor, e cada ponto percentual na taxa de juros, decidido pelo BCB, representa dezenas de bilhões de reais a mais em pagamentos de juros. Esse dinheiro, que poderia ir para saúde, educação, segurança e infraestrutura – ou para apoiar setores beneficiados pelos acordos comerciais –, é transferido para detentores de títulos públicos – grandes bancos e fundos. Lula tem se oposto a isso, posicionando-se pela redução dos juros para aliviar a dívida pública e investir no bem-estar social, contrastando com a rigidez do BCB.

Sufocamento do Empreendedorismo: Pequenas e médias empresas, espinha dorsal da geração de empregos, são asfixiadas pelo BCB ao manter o crédito caro. Sem acesso a financiamento acessível, elas não competem nem expandem para novos mercados abertos por acordos como o Mercosul-UE ou Indonésia. Os rentistas, ao encarecerem o capital, destroem o empreendedorismo capitalista autêntico, substituindo-o por um modelo parasitário que beneficia poucos à custa de muitos – e ameaça desperdiçar as conquistas comerciais recentes.

Os Estragos Sociais: A Fábrica de Desigualdade, Alimentada pelo BCB

Concentração de Renda e Riqueza: Os juros altos, mantidos pelo BCB, agem como um aspirador de renda, sugando recursos da base (trabalhadores, pequenos empresários) e da classe média para o topo (rentistas e sistema financeiro). É a maior transferência de renda às avessas. Os rentistas, nesse processo, corroem o capitalismo de dentro para fora, ao tornar investimentos produtivos inviáveis e perpetuar desigualdades que minam a coesão social necessária para sustentar os ganhos dos acordos internacionais.

Aumento do Desemprego: Ao desestimular investimentos produtivos, o BCB favorece a especulação, gerando menos empregos e precarização. A estagnação leva a demissões ou a superexploração da mão de obra, como a Escala 6X1, o Trabalho Intermitente e outras formas de exploração. Lula defende juros baixos para estimular o emprego, criticando o BCB por priorizar a inflação sobre o crescimento inclusivo que poderia vir dos novos fluxos comerciais.

Encarecimento do Consumo e Endividamento Familiar: A Selic alta, base para todas as taxas, encarece prestações e empréstimos, aprisionando famílias em dívidas. Os rentistas lucram com isso, mas destroem o consumo produtivo que impulsiona o capitalismo saudável e o aproveitamento de mercados externos ampliados.

Deterioração dos Serviços Públicos: Recursos desviados para juros dos Titulos da Divida Pública, reduzem investimentos em hospitais, escolas e segurança. A sociedade paga o preço. Lula tem advogado por juros menores para priorizar o social, em oposição à ortodoxia do BCB.

Os Estragos Estruturais: A Perda da Soberania

Submissão ao Capital Financeiro Internacional: O BCB, ao elevar juros, torna o Brasil dependente de “hot money” estrangeiro, que especula sem compromisso. A economia fica refém. Os rentistas globais e locais destroem o capitalismo nacional ao encarecer investimentos produtivos, favorecendo a dependência externa – em contraste com a diversificação promovida por Lula via acordos comerciais.

Perda de Ativos Estratégicos: Juros altos levam a endividamentos que transferem terras e empresas para estrangeiros, uma perda silenciosa de soberania. O BCB é responsável por esse ciclo. Lula posiciona-se contra, defendendo juros acessíveis para proteger ativos nacionais e maximizar ganhos dos acordos internacionais.

Criação de um Ciclo Vicioso de Dependência: Justificada para “controlar” inflação, a política do BCB cria dependência estrutural, exigindo juros cada vez mais altos. Isso pode levar a crises ou desnacionalização – e colocar em xeque as conquistas comerciais recentes, ao limitar a capacidade de investimento para explorar os novos mercados.

Um Projeto de País, Não uma Medida Técnica – Lula na Defesa do Equilíbrio

Manter juros reais de 10% não é técnico, mas político, refletindo um projeto que prioriza rentismo sobre produção, especulação sobre investimento, capital financeiro sobre trabalho, e submissão sobre soberania.

O BCB carrega a responsabilidade por esses estragos, ignorando alternativas que promovam crescimento sustentável.

Em oposição, o Presidente Lula tem se posicionado consistentemente em defesa de juros mais baixos, argumentando que eles são cruciais para investimentos produtivos, justiça social e, especialmente, para não desperdiçar as conquistas dos acordos comerciais que ele tanto batalhou para concretizar – como o histórico Mercosul-UE e parcerias com Indonésia, China e outros.

Paradoxalmente, os próprios capitalistas rentistas estão destruindo o capitalismo por dentro: ao encarecerem o capital para investimentos reais, eles minam as fundações do sistema que dizem defender, transformando-o em uma máquina de pilhagem que beneficia poucos, empobrece a nação e ameaça frustrar o potencial transformador das vitórias diplomáticas recentes. É hora de repensar essa abordagem para um Brasil mais próspero, equitativo e soberano.


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