
O principal alvo da investigação é o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, e secretário de Desenvolvimento Urbano do governo Leite.
Quando a Água Levou Tudo, menos a Ganância, roubar da assistência social é o novo ápice da canalhice política.
As enchentes de maio de 2024 foram o pior desastre natural da história do RS. Rios transbordaram, cidades como Lajeado foram engolidas por lamas e águas furiosas, deixando um rastro de destruição estimado em bilhões de reais.
Mais de 180 mortes, milhares de desabrigados e uma economia regional em frangalhos.
O governo federal liberou verbas urgentes via Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), precisamente para amparar os mais vulneráveis: famílias sem teto, idosos isolados, crianças traumatizadas.
Esses recursos deviam financiar serviços essenciais – psicólogos para curar feridas emocionais, assistentes sociais para reconstruir lares, educadores para manter a dignidade humana intacta.
Mas, em vez de alívio, veio a suspeita de pilhagem.
A Operação Lamaçal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), investiga irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Lajeado logo após o decreto de calamidade pública. Dois contratos, totalizando cerca de R$ 120 milhões, foram celebrados sem licitação adequada, com indícios de superfaturamento e contratação direta de empresas sem a busca pela proposta mais vantajosa.
Valores acima do mercado para serviços terceirizados que, ironicamente, deviam ajudar as vítimas – e acabaram, ao que parece, enchendo bolsos privados.
O governo de Eduardo Leite, em nota oficial, lava as mãos: “Os fatos ocorreram durante a gestão municipal de Caumo, sem relação com seu cargo atual”. Uma defesa conveniente, que ignora o fato de que o governador o nomeou sabendo de seu histórico.
Esses R$ 120 milhões não eram abstrações contábeis; eram o equivalente a milhares de consultas psicológicas para sobreviventes em luto, cestas básicas para famílias sem geladeira, abrigos temporários para quem dormia na rua.
É um absurdo ético: enquanto o povo gaúcho se unia em solidariedade, doando roupas, alimentos e tempo, os “líderes” escolhidos para gerir a crise optavam pelo autoenriquecimento.
A Operação Lamaçal é um lembrete cruel de que, no RS, a reconstrução física avança, mas a moral política ainda afunda na lama. Marcelo Caumo e seus comparsas devem ser investigados até o osso, com prisões preventivas se necessário, para que o dinheiro volte aos cofres da assistência social. Eduardo Leite precisa romper o silêncio cúmplice e demitir quem mancha seu governo – ou arriscar-se a ser visto como cúmplice passivo.
Que esta lama seja devidamente lavada, que os Crimonosos parem na cadeia e que a gauchada acorde desta hipnose eleitoral que nos assola desde 2014.
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