A China, está vendendo e reduzindo a quantidade de títulos da dívida americana (US Treasuries), acumulando ouro em volumes expressivos e impulsionando transações comerciais em moedas alternativas ao dólar.
Em novembro de 2025, as reservas chinesas de Treasuries caíram para US$ 682,6 bilhões , quando já tinham chegado a US$ 1,3 Trilhões. Na verdade, a China era, e ainda é, um dos maiores financiadores da economia americana. Mas ao vender esta montanha de títulos, isto obriga os EUA a pagar mais juros a quem os compra, encarecendo a economia interna dos EUA.
Ao mesmo tempo, o Banco Popular da China comprou ouro pelo 14º mês consecutivo, elevando as reservas oficiais para cerca de 2.306 toneladas ao final de dezembro de 2025), representando um valor superior a US$ 319 bilhões.
Essas movimentações integram uma estratégia de diversificação de reservas, proteção contra riscos geopolíticos (como sanções) e promoção de um sistema financeiro menos centrado no dólar.
Ao mesmo tempo em que pressionam a economia americana, elas criam vantagens significativas e concretas para o Brasil e os demais países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito, Etiópia, Irã e Indonésia), acelerando a autonomia econômica do Sul Global.
Pequim esta reduzindo vulnerabilidades frente ao dólar diante da Guerra Comercial iniciada pelos EUA.
O ouro é um ativo neutro, enquanto o yuan ganha tração em acordos bilaterais e multilaterais.
No BRICS, o movimento ganha força coletiva: o bloco responde por cerca de metade da produção mundial de ouro, com bancos centrais comprando agressivamente.
Iniciativas como o BRICS Pay, o mBridge e a interoperação de moedas digitais (incluindo propostas do Banco Central do Brasil com o DREX e o e-yuan) facilitam pagamentos rápidos e baratos em moedas locais, reduzindo custos e dependência do SWIFT.
Essas ações chinesas abrem portas reais para economias emergentes, especialmente o Brasil:
Redução de Custos e Eficiência no Comércio Bilateral e Intra-BRICS
O Brasil, cujo maior parceiro comercial é a China, já liquida 25-30% (e em crescimento) do comércio bilateral em real e yuan, eliminando conversões via dólar, spreads cambiais e taxas. Exportadores de soja, minério de ferro, carne e petróleo sofrem menos com volatilidade do dólar. Países como Rússia (quase 90% do comércio intra-BRICS em moedas nacionais) e Índia (acordos em rúpias para petróleo) também ganham eficiência, barateando importações de energia e matérias-primas.
Maior Soberania Financeira e Proteção contra Sanções
Menor dependência do dólar protege contra pressões geopolíticas dos EUA. Para o Brasil, isso significa maior liberdade para diversificar parcerias (com China, Rússia, Índia e África) sem risco de retaliações financeiras ou exclusão de sistemas globais, fortalecendo a posição em negociações internacionais.
Fortalecimento da Balança Comercial e Competitividade em Commodities
O BRICS domina comércio de commodities. Pagamentos em moedas locais permitem ao Brasil comprar petróleo russo/iraniano ou fertilizantes com descontos e vender produtos agrícolas/ minerais sem perdas excessivas por câmbio. Isso impulsiona superávits comerciais, reservas internacionais e estabilidade macroeconômica.
Aceleração da Diversificação de Reservas com Ouro
O Banco Central do Brasil retomou compras agressivas: adicionou 43 toneladas entre setembro e novembro de 2025, elevando as reservas para cerca de 172 toneladas (valor aproximado de US$ 24 bilhões em dezembro). Seguindo China, Rússia e Índia, o ouro serve como hedge contra inflação importada, depreciação do dólar e choques globais, aumentando a resiliência das reservas brasileiras.
Avanço em Pagamentos Digitais e Integração Sul-Sul
Propostas recentes (como a do RBI indiano para link de CBDCs no BRICS) e sistemas como BRICS Pay facilitam transferências instantâneas e baratas. Com o Pix já maduro, o Brasil pode expandir o real para transações regionais e globais, atraindo investimentos intra-BRICS, promovendo inclusão financeira e reduzindo dependência de bancos correspondentes ocidentais.
Já para os EUA, menos compradores como China e Brasil elevam os juros e custos da dívida (acima de US$ 38 trilhões), com depreciação gradual do dólar . Em pouco tempo a participação do Dólar caiu de 65% para 57% nas Reservas Globais.
O BRICS ganha peso em finanças, commodities e geopolítica, favorecendo cooperação Sul-Sul.
A estratégia chinesa de vender Títulos da Dívida do Tesouro Americano, acumular ouro e negociar em moedas alternativas transcende a defesa: representa uma janela de oportunidade para o Brasil e o BRICS conquistarem soberania econômica real.
Custos comerciais menores, proteção geopolítica, competitividade em commodities, reservas mais resilientes e integração financeira digital são benefícios tangíveis e em expansão em 2026.
Enquanto o dólar mantém dominância, o BRICS constrói alternativas viáveis — e o Brasil, com sua posição estratégica em commodities e finanças digitais, está bem posicionado para colher frutos dessa transição multipolar, exportando mais, importando mais barato e navegando o mundo com maior autonomia.
Essa dinâmica está redefinindo as finanças globais em favor da diversificação e da cooperação entre nações emergentes.
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