O Fórum Social Mundial (FSM) surgiu em 2001 como um contraponto direto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, simbolizando a resistência dos povos contra a dominação dos super-ricos e das elites globais que priorizam seus interesses acima das nações e sociedades.
Realizado pela primeira vez em Porto Alegre, no Brasil, entre 25 e 30 de janeiro de 2001, o evento reuniu cerca de 20 mil participantes de movimentos sociais, ONGs e ativistas de todos os continentes, com o lema “Um outro mundo é possível”.
Essa iniciativa foi inspirada por eventos como o levante zapatista de 1994 no México e as manifestações contra a OMC em Seattle em 1999, marcando o início de um movimento global antineoliberal.
Enquanto o Fórum de Davos, na Suíça, reúne anualmente bilionários, CEOs e líderes políticos para discutir estratégias que perpetuam a globalização capitalista e a concentração de riqueza, o FSM posicionou-se como um espaço democrático e horizontal para debater alternativas sustentáveis e justas.
Em Davos, decisões são tomadas a portas fechadas, frequentemente ignorando os impactos sociais e ambientais, priorizando lucros corporativos sobre o bem-estar das pessoas.
Já o FSM representava os excluídos: trabalhadores, indígenas, ambientalistas, negros e todos que viam na elite de Davos uma ameaça à soberania popular.
As edições subsequentes do FSM expandiram seu alcance. Em 2002 e 2003, o evento voltou a Porto Alegre, consolidando a cidade como berço do altermundialismo.
A partir de 2004, o fórum tornou-se itinerante, ocorrendo em Mumbai (Índia), retornando a Porto Alegre em 2005, e depois adotando formatos policêntricos em lugares como Caracas (Venezuela), Bamako (Mali) e Nairóbi (Quênia) em 2006.
Essa internacionalização refletia a diversidade das lutas globais contra o imperialismo econômico, promovendo debates sobre direitos humanos, meio ambiente, igualdade de gênero e soberania alimentar.
Ao longo dos anos, o FSM influenciou políticas progressistas na América Latina, como durante a onda de governos de esquerda que governaram vários países latino-americanos na 1ª década do Século 21 . O Fórum serviu como plataforma para criticar instituições como o FMI e o Banco Mundial, acusadas de impor agendas que beneficiam os super-ricos às custas dos povos.
O FSM não foi apenas um evento; foi uma expressão viva da resistência popular contra o poder dos bilionários que, reunidos em Davos, ditam regras globais que exacerbam desigualdades. Esses super-ricos, representando menos de 1% da população mundial, controlam recursos e influenciam governos para priorizar seus interesses, frequentemente sobrepondo-se à soberania nacional e aos direitos dos povos.
Exemplos incluem a exploração de recursos naturais em países em desenvolvimento e a imposição de acordos comerciais desiguais, que o FSM denunciava como formas modernas de colonialismo.
Nos anos recentes, o contexto global mudou drasticamente, com a escalada dos interesses imperiais dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, que retornou à presidência em 2025.
A invasão da Venezuela em 3 de janeiro de 2026, sob o pretexto de combater o narcotráfico, mas com claras intenções de controlar as reservas petrolíferas do país, exemplifica essa agressão.
Trump declarou abertamente que os EUA assumirão o controle da indústria petrolífera venezuelana, vendendo o óleo para outros países e integrando-o às cadeias de suprimento americanas.
A ameaça que Trump promete concretizar, de tomar a Groenlândia e Ações como a da Venezuela, revivem a Doutrina Monroe, rebatizada como “Doutrina Donroe”.
Nesta política, os EUA tratam a América Latina como quintal dos interesses estratégicos dos EUA, priorizando recursos minerais e bloqueando influências rivais como a China.
Tais medidas não só violam a soberania nacional, mas intensificam o fascismo e o autoritarismo, com Trump utilizando ambiguidades jurídicas para justificar intervenções militares.
Inspirada no espírito do FSM, essa conferência reúne organizações de todo o mundo para combater o fascismo crescente, defender a democracia e promover a soberania popular contra ameaças imperiais.
O evento, lançado em 2025 com comitês internacionais, visa unir ativistas, intelectuais e movimentos sociais em um momento crítico, ecoando o “grito” do FSM contra as elites.
Essa conferência representa uma oportunidade para Porto Alegre reconquistar seu papel como capital da resistência global. Com a ascensão de governos autoritários e intervenções como a na Venezuela, o antifascismo torna-se urgente, conectando lutas locais a desafios planetários.
Assim como o FSM desafiou Davos, essa nova iniciativa pode mobilizar os povos contra os super-ricos e seus aliados imperiais, provando que outro mundo não só é possível, mas necessário.
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