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Por Que o PT Continua “correndo atrás” nas Redes Sociais Enquanto Lula Lidera Índice de Engajamento?

No ecossistema digital da política brasileira, as redes sociais são um campo de batalha onde narrativas se constroem e destroem em tempo real.

De acordo com o estudo da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgado em seu site, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como o presidenciável com maior presença nas redes em 2025, ostentando um Índice de Relevância das Redes (IR² Nexus) de 79,92 pontos – 38,5% acima de Flávio Bolsonaro (PL), o segundo colocado.

Lula reina absoluto em plataformas como TikTok (97,98 pontos, com 5,3 milhões de seguidores e 11,5 milhões de interações), Instagram (88,83 pontos, 14,3 milhões de seguidores e 131 milhões de interações) e Facebook (83,21 pontos).

Seu carisma pessoal gera empatia e viralidade orgânica, misturando agendas oficiais com momentos “humanos” que cativam milhões.

No entanto, enquanto Lula brilha individualmente, o Partido dos Trabalhadores (PT) segue levando pancadas nas guerras narrativas online, como no recente caso do PIX.

Na minha opinião, o problema não é falta de tropas – o PT tem milhões de “soldados” voluntários, militantes dedicados que produzem individualmente conteúdos de alta qualidade e engajamento orgânico.

O calcanhar de Aquiles é a ausência de uma estratégia clara de guerra: o partido trata as redes como um mero canal de jornalismo, propaganda e marketing, ignorando que se trata de uma verdadeira batalha de narrativas, onde quem dá o primeiro tiro, com clareza e coordenação, sai vitorioso.Tomemos o episódio do PIX como exemplo paradigmático.

No início de 2025, a Receita Federal anunciou medidas para monitorar transações acima de R$ 5 mil, com o objetivo de combater sonegação fiscal. Rapidamente, a oposição distorceu isso em uma narrativa viral de “imposto sobre o PIX”, explorando o sistema de pagamentos instantâneos criado no governo Bolsonaro como bandeira.

Influenciadores como Nikolas Ferreira (PL-MG) e perfis bolsonaristas inundaram as redes com posts que acumularam milhões de visualizações e interações. Um levantamento da Meta, reportado pela BBC News Brasil, indicou que 90% dos anúncios políticos pagos durante a crise vieram da oposição, com investimentos que eclipsaram os do governo.

O PT demorou a reagir: respostas oficiais, como vídeos de Fernando Haddad desmentindo a taxação, só surgiram após dias de bombardeio digital. No X, posts da oposição explodiam em engajamento, enquanto contas petistas oficiais mal chegavam às centenas de likes e reposts.

Aqui, a militância petista brilhou individualmente: milhares de perfis voluntários produziram conteúdos explicativos, memes e contra-argumentos que geraram engajamento orgânico significativo em nichos. Mas sem coordenação central, esses esforços se dissiparam como tiros isolados em um tiroteio caótico, enquanto a direita, com sua máquina bem oleada, atirava em uníssono e conquistava o terreno narrativo.

Essa disparidade não é acidental. O PT, com raízes em mobilizações sindicais e de rua, possui um exército vasto de militantes – estimados em milhões – que já dominam as ferramentas digitais.

Esses “soldados” criam vídeos virais, threads informativos e posts engajadores sem precisar de incentivos, impulsionados por convicção ideológica.

Estudos como o da consultoria Bites, citado pela Folha de S.Paulo, mostram que, em 2025, o engajamento de perfis de esquerda, incluindo esses voluntários, pode rivalizar com o da direita em termos orgânicos, mas perde feio na escala coordenada.

O problema é que o partido opera sob uma lógica ultrapassada: comunicação como jornalismo factual, propaganda institucional e marketing eleitoral. Isso ignora a essência das redes – uma guerra de narrativas onde algoritmos premiam indignação, rapidez e sincronia.

Como aponta um artigo na SciELO, plataformas favorecem conteúdos polarizados, e a direita explora isso desde 2013, com redes de influenciadores que agem como batalhões organizados.

Numa guerra verdadeira, se há exército e clareza sobre o alvo, o primeiro tiro define o rumo da batalha. A oposição sabe disso: ela ataca proativamente, moldando a agenda antes que o PT consiga se posicionar.

Iniciativas como os cursos de formação em redes sociais, promovidos pelo PT para parlamentares e militantes, são bem-intencionadas, mas de impacto limitado.

Esses programas visam capacitar, mas para muitos “soldados” que já sabem usar as plataformas com maestria, eles soam como treinamento básico em um exército de veteranos.

O que falta não é habilidade individual, mas estrutura coletiva: transformar essa militância voluntária em um exército organizado, com comandos claros, divisão de tarefas (como monitoramento de tendências, criação de contra-narrativas em tempo real e amplificação sincronizada) e uma estratégia de guerra explícita.

Lula escapa dessa armadilha porque sua presença é pessoal e autêntica, crescendo 55% em engajamento em 2025, conforme a Bites, enquanto bolsonaristas como Michelle veem declínio.

Mas o PT como instituição ainda é visto como burocrático, e narrativas antigas de escândalos são exploradas sem contraponto imediato.

Um post oficial do PT sobre o PIX, por exemplo, mal passou de 500 likes, enquanto distorções da direita viralizavam.

Na minha visão, o PT precisa urgentemente reorganizar suas tropas. Invista em uma “guerrilha digital” coordenada, aproveitando os milhões de militantes como um exército unificado – com ferramentas de monitoramento, squads temáticos e protocolos para “primeiros tiros” em narrativas emergentes.

Criticar as Big Techs e buscar sua regulamentação, como o partido tem feito, é válido, mas não substitui ação.

Com as eleições de 2026 no horizonte, depender só do brilho de Lula é arriscado.

Se o PT continuar tratando as redes como um folheto publicitário em vez de um front de batalha, seguirá apanhando.

Mas se organizar sua militância como um exército de verdade, pode virar o jogo e dominar o feed da política brasileira.


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Um pensamento sobre “Por Que o PT Continua “correndo atrás” nas Redes Sociais Enquanto Lula Lidera Índice de Engajamento?

  1. O problema é que a extrema-direita tem as bigtechs como aliadas e elas manipulam os algorítmos a seu favor. O que tem que ser feito, urgentemente, é regulamentar as bigtechs e a mídia corporativa tupiniquim.

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