A Decisão de submeter os interesses regionais a prioridade da reeleição do Presidente Lula diante da ascensão do Nazifascismo no mundo e em Defesa da Soberania Nacional, foi tomada no Encontro Nacional do PT. No Rio Grande do Sul houve inclusive um primeiro movimento neste sentido, patrocinado pelo PT Gaúcho, em 12/11/2025, que relatei em artigo aqui no Blog:
Pra quem não leu a época, e quiser ler agora, este movimento era no meu entendimento e de muitos, o “start” pra levar a efeito a Política Nacional do PT também aqui no RS.
No entanto, como é possível verificar em vários movimentos da Direção Estadual do PT, a ênfase dada de lá para cá foi numa “Frente de Esquerda” sem a presença do PDT, contrariando aí a política democraticamente decidida em Encontro Nacional do Partido, com a anuência inclusive dos Delegados gaúchos presentes.
Mesmo assim, o PDT foi chamado ao Encontro Estadual do PT em Dezembro, onde Edegar Pretto anunciado como PRÉ Candidato para a mesa de negociação com os demais partidos da Frente. Entendi eu naquele encontro, que o PT RS havia retomado o caminho da Aliança apontada pelo Encontro Nacional. Mas não foi assim.
O PT RS seguiu conduzindo uma Frente de Esquerda apartada do PDT. Um grande má interpretação da Orientação tirada do Encontro Nacional do PT, no mínimo. Isto alias foi reafirmado em entrevista coletiva de Edegar Pretto, dada na Sede do PSB, que ouço agora, enquanto escrevo este artigo. Segundo esta fala, ele representa esta Frente de Esquerda nas negociações que iniciam agora com o PDT.
E o que era pra ser uma Política de Aproximação com o PDT, passou a ser conduzida como uma Política de Imposição e Subordinação do PDT a uma única possibilidade: Juliana Brizola teria que ser Vice, para que a Frente Ampla Anti Fascista de concretizasse por aqui.
Política é antes de tudo, a arte da negociação. Não pode haver pré-conceitos quando se quer construir o comum com a comunidade de todos os diferentes que dela participam.
Arte esta, em que Lula nos dá aula todos os dias. Mas as vezes a gente esquece a lição de casa.
Em boa hora o Grupo de Trabalho Eleitoral Nacional colocou luz sobre as decisões do Encontro Nacional e reorientou o Partido para a devida lição de casa.
Isto não tem nada a ver com “Intervenção”, como tentou dizer a RBS e a Zero Hora, mas que até muitos militantes acreditaram . Mas acreditaram honestamente, por que abraçaram o método adotado pela Direção no RS, que na opinião deste blogueiro e de outros militantes, destoava da Política definida não pela Direção Nacional, mas pelo Encontro Nacional, de Dar Prioridade Total a Reeleição de Lula e a ampliação dos espaços no Senado e na Câmara Federal.
Felizmente, mesmo com um certo atraso temporal, o PT do RS volta ao caminho necessário para derrotarmos o nazifascismo aqui e no Brasil inteiro.
SEGUE NA ÍNTEGRA A CARTA DO ZÉ DIRCEU AO PRESIDENTE EDINHO SOBRE A SITUAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL
Presidente,
Escrevo esta pequena carta para nossa Direção Nacional e ao GTE para expor minha posição com relação ao Rio Grande do Sul e à nossa tática eleitoral.
Como sabemos, o DN nacional do nosso PT adotou, por unanimidade, uma tática nacional de privilegiar, o que é óbvio, a candidatura e a reeleição do nosso presidente Lula, dado o momento histórico e político que vivemos, já definido também pelo nosso DN.
Praticamente em todo o Brasil, essa política foi acatada e definida pelas direções estaduais. Para citar alguns estados em que apoiamos ou podemos apoiar candidatos de outros partidos: no Sul, Santa Catarina e Paraná; no Sudeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro; no Nordeste, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Maranhão; no Norte, Pará, Amapá, Amazonas, Acre e Rondônia; no Centro-Oeste, Mato Grosso.
Assim sendo, não se trata de intervenção, como está sendo argumentado no caso gaúcho, nem de uma violência estatutária, mas simplesmente da aplicação, no entender do GTE Nacional, da tática definida pelo DN.
A direção estadual do PT gaúcho pode ter outro entendimento. Para isso, o DR tem autonomia para decidir. Mas a direção nacional também tem autonomia para decidir sobre a aplicação da política nacional, defendida democraticamente a partir da avaliação política dela, tão legítima e legal quanto a do DR gaúcho.
Grave é a desqualificação do debate político e as acusações indevidas, inclusive contra a pré-candidata do PDT, de violação da democracia partidária por parte daqueles que defendem a aplicação da política nacional ao Rio Grande do Sul.
A unidade do PT é decisiva, mais do que nunca, nesta conjuntura e nesta eleição. Preservá-la é nosso dever.
Zé Dirceu
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