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A imprensa brasileira precisa repensar seu noticiário… A imprensa brasileira precisa repensar seu noticiário sobre a Irã. Não pode simplesmente continuar a repetir o que divulgam as agências noticiosas, fortemente influenciadas pela mídia sob controle político do Pentágono e/ou Departamento de Estado. Se não, vai cair no ridículo das mentiras que o ex-presidente George W.Bush, nos EUA, e o ex-premiêr Tony Blair, na Grã-Bretanha, impuseram a seus povos com a invenção das armas químicas de destruição em massa de Saddam Husseim, no Iraque. Depois, eles mesmos foram desmascarados de forma brutal e sem piedade pelos próprios meios de comunicação, é óbvio, quando os fatos se impuseram à mentira e à propaganda. Foram obrigados a vir a público e se desmentir. O que os EUA estão propondo na ONU, no Conselho de Segurança onde Brasil e Turquia têm assento provisório nesse momento, é mais do que sanções com relação à questão nuclear. Sanções, aliás, que jamais impuseram nem a Índia, nem ao Paquistão e nem a Israel – que tem um governo pouco confiável em matéria de riscos de guerra e com um histórico de agressões aos vizinhos. Ou seja, a política de não proliferação nuclear é ditada pelos interesses de hegemonia e dominação dos EUA e não da paz e segurança mundial. EUA querem impedir o Irã de se desenvolver O que estão propondo de fato na ONU, no Conselho de Segurança, o que estamos assistindo é à tentativa dos EUA de impedir o Irã de se desenvolver e de se transformar numa potência média, econômica e militar na região. Basta ver que entre as sanções estão medidas para impedir o país de comprar armas médias e defensivas como aviões e carros de combate e tanques. O que tem a ver isso com a questão nuclear? Nada. O acesso à tecnologia nuclear sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e da legislação internacional é um direito de todos os países e nações. Amanhã o próprio Brasil pode ser vítima dessa política para nos impedir de ocupar nosso papel no mundo, como ocupamos agora nessa vitoriosa negociação que o presidente Lula liderou e levou a um acordo que visa, antes de mais nada, impedir a guerra e o agravamento da crise na região. A situação do Afeganistão e do Iraque prova que o caminho da guerra e da ocupação de países não leva a nada, que a saída tem que ser negociada e diplomática nos organismos internacionais e que os interesses dos EUA nem sempre são os nossos, o da comunidade internacional e mesmo os da humanidade. Agem como se ainda estivéssemos no século XX A recusa de Washington em pelo menos analisar e negociar os termos do acordo do Irã com a Turquia, patrocinado pelo Brasil, dá bem uma idéia do temor americano à presença de outros atores e negociadores que rompa o monopólio que eles detêm com a Grã Bretanha, como se ainda estivéssemos no século XX. Só a resistência da Rússia e da China e a autonomia da França têm evitado o pior. Vai levar semanas e semanas, mas tudo indica que serão novamente esses países que darão a palavra final no Conselho de Segurança que pode agravar as sanções ou aceitar o caminho proposto pelo Brasil, Turquia e Irã. |
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