Por Luiz Müller
Há muitos postos de trabalho em aberto no SINE. Não são preenchidos, segundo o empresariado, pela falta de qualificação profissional. Por outro lado, as estatísticas do IBGE (3,7% de desemprego) e do DIEESE nos mostram que na região metropolitana de Porto Alegre atingimos o patamar de Pleno Emprego ou próximo disto. Então é de se perguntar: Há trabalhadores sobrando aos quais falta qualificação? Não estão praticamente todos trabalhando, formal ou informalmente ligados ao mercado e ao mundo do
trabalho? Todos os seres humanos pensam na sua sobrevivência. Quando o básico para esta sobrevivência esta garantido, começam a fazer cálculo de custo/benefício imediato. Pensando assim, há razão imediata para que o trabalhador se qualifique mais? O mercado vai corresponder com melhores salários do que lhes é pago na informalidade em que
atuam hoje? As condições de trabalho da formalidade oferecidas, sempre pensando do ponto de vista do imediato, incentivam que o trabalhador busque mais qualificação? As compensações desta “formalidade” atendem as necessidades imediatas apontadas no cálculo custo/benefício do trabalhador? Os trabalhadores, formais ou informais, fazem parte da sociedade de todos e assimilam para si os valores desta sociedade. O empresariado para empreender, também pensa assim. Precisa colocar no cálculo a sustentabilidade imediata da empresa, para em cima desta sustentabilidade imediata estabelecer o planejamento estratégico de longo prazo que viabilizará a contínua ampliação. Se a produtividade cresceu vertiginosamente nos últimos anos, principalmente em função das novas tecnologias e a produção só tem subido em função do mercado interno em expansão e da vitalidade da economia brasileira, é justo pois que os trabalhadores, chamados a participar deste salto econômico tenham a contrapartida da mesma sociedade que não existiria sem o seu trabalho. Por outro lado, o empresariado, formador de opinião, deveria estaqr mais debruçado sobre o problema da informalidade, visto que só há trabalhadores informais se são contratados por empresários, sendo estes formais ou informais. Não há como dizer que este é apenas um problema de “fiscalização do estado”. É um problema de compreensão e cultura de classe. Assim como o Movimento Sindical dos Trabalhadores não deve estar preocupado somente com os trabalhadores com CTPS assinada, os empresários também devem chamar a razão os seus pares que insistem em se utilizar da informalidade como forma de redução de custos e instrumento de competição mercadológica. O “Estado” é gerido por entes eleitos oriundos das classes sociais que compõe a sociedade. É claro que eles repercutirão no poder o que a classe lhes estabelece, consciente ou inconscientemente. Assim, entendo ser necessário ir para além do clichê “falta qualificação profissional” e avançarmos para identificar quais os meandros culturais erguidos na nossa sociedade por muitos anos de abandono e até de privatização do estado por parte de parcelas da classe dominante e que hoje sofre ela própria os efeitos deste processo instituído no país a partir de 1989 com a eleição de Collor de Mello e só quebrado nos últimos 8 anos, no governo Lula, com o resgate do papel do estado como regulador da sociedade e da economia que a move.
Leia também sobre o tema, outro post publicado aqui no BLOG e que procura enxergar uma solução que, embora compreenda a premente necessidade das pessoas acenderem na sua escolaridade, possibilita dar conta de demaandas imediatas do merdado de trabalho e também da necessidade imediata de pessoas que ainda estão excluídas deste mesmo mercado https://luizmullerpt.wordpress.com/2012/01/05/o-programa-bolsa-familia-a-inclusao-produtiva-e-as-portas-do-outro-mundo-possivel/
Lê ainda http://luizmullerpt.wordpress.com/2013/05/19/alunos-com-bolsa-familia-se-destaca-no-ensino-medio/
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Olha, a questão é tratada de forma muito em cima de dados e não da realidade que se vê nas ruas…O desemprego ainda é grande…não tem ninguém nas classes menos abastadas que não tenha um ou dois desempregaods na família…Aliás, uma grande maioria de afro-brasileiros jovens estão desempregados…enfim, é mais ou menos como premiar empresas pela capacitação dada ao seu quadro funcional pelo núero de cursos oferecidos e o número de funcionários(cada vez menor)…
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Caro Manoel
Dados são retratos da realidade. Há metodologia para isto. No caso dos postos de trabalho formais, O CAGED, Cadastro Geral de Emprego e Desemprego, estes dados são ainda mais consistentes, por que trabalham com Registro Profissional, o seja, Carteiras de trabalho assinadas ou “desassinadas”, ou seja, número real de trabalhadores admitidos e demitidos. Ainda há de fato desempregados. Mas há também muitos postos de trabalho em aberto. E por isto mesmo a razão de ser do PRONATEC, que possibilita cursos de todos os tipos, desde formar pedreiros e operadores de computador de 200 horas por exemplo, até técnicos com cursos que chegam à 1.200 horas. Tudo de graça, disponibilizado nos Insitutos Federais, no SENAI e no SENAC. Só que não adianta só oferecer as vagas. É preciso ver também a cultura vigente. Por isto sugiro que leias também o meu post de hoje com o titulo “O Programa Bolsa Família, a Inclusão Produtiva e as portas do outro mundo possível”. Para trabalhar com as populações mais carentes, tem que ir muito além, de só oferecer a oportunidade de emprego, que exiaste, e a qualificação necessária.
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Caro Manoel.
O meu assunto não tem a ver com o tema. Estou tentando contatar consigo, pois sou teu ex-colega da CRT e tenho interesse em lhe falar.Gostaria muito que entrasse em contato atraves de email – walter@olhar180.com.br. Abraços
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É o velho “coitadismo”… As bolsas deveriam ser oferecidas por tempo determinado. Quem recebe bolsa NÃO quer trabalhar nem estudar,porque teme perder a benesse.
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Cara Sirlei
Esta é uma visão equivocada que ainda permeia a sociedade. Não vou reproduzir aqui, mas gostaria que tu fosses ler outro post meu aqui no Blog, do dia 4 de janeiro. Nele eu falo sobre o por que, que ao contrário de usar o argumento de tirar o Bolsa Família de alguém, por que isto não adiantou nada nas ações feitas até aqui, é preciso sim verificar o que acontece de fato na sociedade, em especial nesta camada da população que sempre foi alijada das relações de trabalho formais e sequer sabe o que significam direitos trabalhistas ou previdenciários. Vai o Link do Post, https://luizmullerpt.wordpress.com/2012/01/05/o-programa-bolsa-familia-a-inclusao-produtiva-e-as-portas-do-outro-mundo-possivel/ .
ABraço
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