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PARA ALÉM DO JORNALISMO, A COMUNICAÇÃO NOS BLOGUES E REDES SOCIAIS

Por Luiz Müller

Comunicação é a forma como as pessoas se relacionam entre si, dividindo e trocando experiências, idéias, sentimentos, informações, modificando mutuamente a sociedade onde estão inseridas. Sem a comunicação, cada um de nós seria um mundo isolado.
Partindo desta premissa, não podemos considerar “comunicação” apenas uma tarefa de jornalistas e comunicadores dos vários meios midiáticos existentes.
Comunicar é tornar comum, divulgar, externar opinião, podendo ser um ato de mão única, como TRANSMITIR (um emissor transmite uma informação a um receptor), ou de mão dupla, como COMPARTILHAR (emissores e receptores constroem o saber, a informação, e a transmitem). Comunicação é a representação de uma realidade. Serve para partilhar emoção, sentimento, informação. A realidade pode ser vista de vários ângulos, com olhares e concepções diferentes. Se a “realidade” é comunicada, sem a possibilidade da critica, ela conterá sempre o viés de quem a comunicou. Assim são os tradicionais meios de comunicação. Rádio, jornal e televisão transmitem, mas não recebem a crítica direta da sua visão de “realidade”. Assim, quem vê jornal, ouve rádio ou vê TV sem um olhar crítico, estará assimilando a visão parcial da realidade comunicada. As novas mídias, em especial a Internet possibilitaram que a crítica, antes restrita as rodas de amigos ou pequenos grupos de pessoas, agora possibilitam uma visão critica coletiva e ampla, pois além da “versão” da realidade exposta, ela pode ser debatida por pessoas de qualquer canto do mundo, “descobrindo” então a realidade antes comunicada a partir de um único olhar. Mudam os papéis. Jornalistas e radialistas, antes todo-poderosos “comunicadores” tem que construir a versão mais real possível dos fatos, quando os noticiam, para que não sejam contestados, não só por opiniões divergentes, mas também por versões diferenciadas do mesmo fato. Árdua profissão de jornalista, radialista e afins, sujeita agora ao crivo crítico do receptor. Receptor que antes só se fazia número, na audiência deste ou daquele jornalista ou comunicador, para julgar a possível “veracidade” contida no fato relatado e comentado. Agora é possível já não ser mais só receptor. É possível ser crítico, externar a crítica em forma de opinião e publicizá-la. É dada a possibilidade de a comunicação de cada um, antes comunicada apenas em grupo, ganhe agora o espaço massivo das redes sociais e dos Blogs. Não é afinal jornalismo, mas sem dúvida é comunicação. A insistente repetição da mentira que por isto acaba se transformando em verdade no senso comum, como pregava Goebels, já não é mais tão fácil de ser vendida. A “unanimidade” em torno da realidade vendida pelos grandes meios de comunicação já não é mais tão unânime assim. A consensualidade em torno de uma determinada realidade, construída por um grupo ou mais de pessoas parece ser a nova forma de interpretar a realidade fática. Assim, cabe aos Jornalistas mostrar o fato com a menor interpretação possível da realidade na narração do mesmo. Ao órgão midiático caberá também possibilitar que o Jornalista relate o fato sem contaminá-lo com sua visão da realidade. Não significa no entanto que o órgão midiático não possa expressar sua opinião sobre o fato. Até é dever, para não escondê-la na entrelinha do relato, na editoria do mesmo.

A BLOGOSFERA É ESPAÇO DE COMUNICAÇÃO

Outro dia fui surpreendido pela opinião de um Jornalista, de que a Blogosfera e as redes sociais seriam o novo e grande “espaço da fofoca” , como teriam sido antes os comentários nas “rodas de turma”. Os comentários nas rodas de amigos, ou discussão em grupo, eram na verdade possibilidade de aceitação ou não de uma determinada realidade fática oferecida pela grande mídia. Agora esta roda ficou maior. E comentamos com muito mais gente e muito mais gente lê e opina sobre as opiniões do outro. A Blogosfera pode e deve também ser espaço para o Jornalismo de qualidade, mas muito mais do que isto, é espaço de comunicação de todos com todos. O espaço das opiniões não é o mesmo espaço da realidade fática. O espaço das opiniões é o espaço da comunicação da minha compreensão sobre esta realidade fática, que só pode ser relatada de fato pelo jornalista competente e comprometido com a informação real, presente e verdadeira. Assim, preservam-se os espaços de cada um e cada um assume o seu papel na sociedade agora capaz de se comunicar de mil diferentes maneiras e não só mais a comunicação unilateral do Jornal, do Rádio e da Televisão. Bom pra humanidade, bom pra cidadania e muito bom para quem luta por igualdade para todos e todas, ou melhor, luta para que todas as diferenças possam ter seu espaço reconhecido.

10 pensamentos sobre “PARA ALÉM DO JORNALISMO, A COMUNICAÇÃO NOS BLOGUES E REDES SOCIAIS

  1. Pingback: Tweets that mention PARA ALÉM DO JORNALISMO, A COMUNICAÇÃO NOS BLOGUES E REDES SOCIAIS « Luizmuller's Blog -- Topsy.com

  2. Caro Luiz Müller
    Sou leitor e assinante do seu blog e o sigo no twitter. Compartilho, em muito, das opiniões aqui postadas, mesmo que, por vezes, sejam de terceiros. Concordo com a posição defendida nesse post. Mas, como aborda um assunto que me interessa muito, peço licença para comentar.
    Sou jornalista, sócio-fundador e presidente de uma ONG de comunicação de Porto Alegre, sempre fui um crítico à forma como algumas grandes empresas de comunicação se utilizam do jornalismo para defenderem suas ideologias e seus interesses comerciais. Muitas vezes, distorcendo informações, privilegiam esta ou aquela pessoa, empresa ou entidade. O press release é disfarçado de notícia e o cidadão, leigo na área da comunicação, muitas vezes não percebe a diferença. Misturam-se no imaginário coletivo as definições de imprensa, expressão e opinião.
    Já ouvi dirigentes de entidades representativas dos grandes veículos de comunicação defender a liberdade de imprensa, quando na verdade estão querendo a liberdade de opinião. Acho que ambas são necessárias, mas não é a mesma coisa. Nesse caminho, representantes dessas mesmas entidades, infiltrados em instituições jurídicas brasileiras, tentam desqualificar a formação jornalística, utilizando, ludibriosamente, o artigo quinto da nossa Constituição Federal.
    O exercício da profissão de jornalista não exclui nenhuma outra forma de expressão.
    A maioria dos jornalistas que conheço não emite opinião, embora produza informações conforme a linha da empresa que o contrata.
    Aqui no RS, por exemplo, é possível que os maiores articulistas nem sejam jornalistas formados. Os que opinam, fazem editoriais, defendem pensamentos dos patrões são poucos. Esses são os que têm maiores espaços nos veículos e, consequentemente, aparecem mais, influenciam mais.
    Concordo também que o crescimento da blogosfera trouxe grandes avanços para uma comunicação mais “comuna”. Muitos bons pensadores estão adentrando nesse universo, o que é tremendamente salutar. Mas, infelizmente, acho que, no campo estatístico, os “espaços de fofoca” ainda são maioria.
    Acredito que a união de blogueiros, como sei que está sendo articulada, é uma ótima iniciativa.
    Para encerrar, gostaria de reforçar minha opinião:
    “Jornalista faz jornalismo, assim como advogado advoga, professor leciona, etc. Todo cidadão tem direito a ‘livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’.”
    O tema é complexo e, certamente, não se acaba aqui.
    Abraço
    @hevertonlacerda

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  3. Caro Luiz Müller
    Sou leitor e assinante do seu blog e o sigo no twitter. Compartilho, em muito, das opiniões aqui postadas, mesmo que, por vezes, sejam de terceiros. Concordo com a posição defendida nesse post. Mas, como aborda um assunto que me interessa muito, peço licença para comentar.
    Sou jornalista, sócio-fundador e presidente de uma ONG de comunicação de Porto Alegre, sempre fui um crítico à forma como algumas grandes empresas de comunicação se utilizam do jornalismo para defenderem suas ideologias e seus interesses comerciais. Muitas vezes, distorcendo informações, privilegiam esta ou aquela pessoa, empresa ou entidade. O press release é disfarçado de notícia e o cidadão, leigo na área da comunicação, muitas vezes não percebe a diferença. Misturam-se no imaginário coletivo as definições de imprensa, expressão e opinião.
    Já ouvi dirigentes de entidades representativas dos grandes veículos de comunicação defender a liberdade de imprensa, quando na verdade estão querendo a liberdade de opinião. Acho que ambas são necessárias, mas não é a mesma coisa. Nesse caminho, representantes dessas mesmas entidades, infiltrados em instituições jurídicas brasileiras, tentam desqualificar a formação jornalística, utilizando, ludibriosamente, o artigo quinto da nossa Constituição Federal.
    O exercício da profissão de jornalista não exclui nenhuma outra forma de expressão.
    A maioria dos jornalistas que conheço não emite opinião, embora produza informações conforme a linha da empresa que o contrata.
    Aqui no RS, por exemplo, é possível que os maiores articulistas nem sejam jornalistas formados. Os que opinam, fazem editoriais, defendem pensamentos dos patrões são poucos. Esses são os que têm maiores espaços nos veículos e, consequentemente, aparecem mais, influenciam mais.
    Concordo também que o crescimento da blogosfera trouxe grandes avanços para uma comunicação mais “comuna”. Muitos bons pensadores estão adentrando nesse universo, o que é tremendamente salutar. Mas, infelizmente, acho que, no campo estatístico, os “espaços de fofoca” ainda são maioria.
    Acredito que a união de blogueiros, como sei que está sendo articulada, é uma ótima iniciativa.
    Para encerrar, gostaria de reforçar minha opinião:
    “Jornalista faz jornalismo, assim como advogado advoga, professor leciona, etc. Todo cidadão tem direito a ‘livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’.”
    O tema é complexo e, certamente, não se acaba aqui.
    Abraço
    @hevertonlacerda

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    • Caro Heverton

      Como sabes, não sou jornalista. Mas como cidadão procuro externar minhas opiniões sobre temas que me interessam. E como dizes, as vezes me utilizo inclusive do texto de outros para expressar opiniões que também são minhas. Mas como diz a boa regra, ensinada pelo bom senso, sempre publiquei os créditos de quem escreve os textos. Fico feliz que estejas acompanhando o meu Blog. Gostaria mesmo de poder escrever mais, emitir diariamente minha opinião, mas muitas vezes o trabalho me toma todo o tempo, dentro e fora do horário dele. Mesmo assim, acredito estar contribuindo para o bom debate. Agradeço que me acompanhes e fica livre pra dizer o que quiseres aqui, por que não censuro absolutamente nada do que os leitores do Blog escrevem, favorável as minhas posições, ou contrárias, por que é assim que se forja o bom debate. E é o bom debate das diferenças que faz construir consensos e aprendizado.

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      • Então Luiz Müller, é exatamente isso. Concordo com a sua posição. Todo cidadão tem o direito de emitir sua própria opinião, replicar opiniões diversas, dar uma notícia, como fonte ou mediador, expressar seu pensamento, etc. A internet está aí pra isso, pra democratizar o acesso à emissão da informação. Acho isso muito bom.
        Só, para deixar claro, me posiciono contra o fato de quererem desmerecer a formação do jornalista. Isso é interesse do PIG, que deseja comunicadores despreparados, que não questionam o editor nem o dono da empresa. Tanto que os comunicadores mais espalhafatosos nem jornalistas são, em alguns casos.
        Quanto a replicar um texto com a citação da fonte, também não tenho nada contra. É como o trabalho de um editor, que escolhe o conteúdo relevante pro seu “veículo”.
        Acho seu blog muito bom, e sigo porque gosto das informações aqui postadas.
        Abraço

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  4. Pingback: Comentário em Luizmuller’s Blog | Na Privada

  5. tenho uma filha de 15 anos que estuda na escola tobias barreto é o professor de matemática estar cometendo abuso de poder amedrontando os alunos do primeiro segundo é terceiro amo.levei minha filha para o pisco.gostaria que Estado orienta-se melhor nossos professores de modo geral.ele afirma que este ano vai fazer com que todos os alunos reprovem passara somente quem for fera em matemática,e complicada é com o professor aterrorizando pior gostaria de que vcese emtrevistase nossas autoridade competente para que os alunos é pais se senta um pouco mais seguros pós somo nós que paga os salario dele,alias que estão achando pouco mais pouco para que ,se alguns em vez de ensinar aterroriza os alunos

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    • O Blog é um Blog de opinião e assim ele esta apresentado aqui. Minha trajetória profissional esta descrita em vários artigos e matérias publicados no Blog, conforme também escrito e anunciado.

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