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Há 44 anos, cortejo de estudante assassinado repudiava ditadura

Há exatos 44 anos, o cortejo fúnebre de Edson Luís de Lima Souto, no Rio,  reunia milhares de brasileiros, a grande maioria jovens estudantes, em protesto contra o terror da repressão militar no nosso país.Ao mesmo tempo alertava a consciência nacional para o caráter ditatorial do regime implantado quatro anos antes no país.

Com apenas 16 anos, Edson, um estudante pobre de Belém (PA), foi assassinado com um tiro no peito pela polícia durante uma invasão dos militares no restaurante universitário do Calabouço, no Rio. Quando os estudantes planejavam naquele dia apenas uma passeata contra o mau funcionamento do restaurante.

Ante a invasão de agentes dos mais diversos órgãos da repressão e o assassinato do jovem, a manifestação contra a ditadura militar tomou as ruas do Rio. Edson foi velado na Assembléia Legislativa carioca. A morte trágica do secundarista expôs nacionalmente a face de terror da repressão.

Barbárie e covardia, registrava o Correio da Manhã

O Correio da Manhã (fechado pelo garroteamento financeiro do regime por fazer-lhe oposição) daquele 29 de março registrava: “Atirando contra jovens desarmados, atirando a êsmo, ensandecida pelo desejo de oferecer à cidade apenas mais um festival de sangue e morte, a Polícia Militar conseguiu coroar, com êsse assassinato coletivo, a sua ação, inspirada na violência e só na violência. Barbárie e covardia foram a tônica bestial de sua ação, ontem”.

O jornal mencionava, ainda, o terror a que estávamos submetidos: “o ato de depredação do restaurande pelos policiais, após a fuzilaria e a chacina, é o atestado que a Polícia Militar passou a si própria, de que sua intervenção não obedeceu a outro propósito senão o de implantar o terror na Guanabara”. E questionava: “Diante de tudo isto, depois de tudo isto, é possível ainda discutir alguma coisa? Não, e não.”

À morte de Edson sucederam-se protestos, atos e paralisação de faculdades. Seu corpo foi envolvido pela Bandeira Nacional e sobre seu peito foram colocados dois têrços, cravos e o seu caderno de Geometria. Dor, pesar, indignação e revolta nos uniu durante o cortejo de Edson. Lamentavelmente, o jovem que tinha toda a vida pela frente tornou-se um mártir desta nossa luta.

Que seu assassinato pela repressão jamais seja esquecido por vocês, sobretudo, pelos jovens que recebem como herança desta luta a democracia e a liberdade. Jamais abdiquem de saber da verdade sobre nossa história e de lutar para que a Justiça possa ser feita em memória de Edson e de todos aqueles que deram suas vidas por um país livre e soberano.

Do Blog do Zé


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