Um excelente texto pescado do Blog Brasil que Vai do Luiz Cézar
Houve um dia em que a milenar sabedoria chinesa foi aplicada à arte da guerra e o resultado foi um conjunto de recomendações para a vitória sobre o inimigo no campo de batalhas inspirada na interação das energias opostas e complementares que permeiam todos os acontecimentos sobre a terra.Quem compilou esses ensinamentos foi Sun Tzu, ainda no tempo dos “reinos combatentes” que dividiam em guerras fratricidas os reinos da China durante o século quinto antes de cristo e ainda antes que fosse conquistada a unificação no século segundo a.c. durante a dinastia Hu.
Transformada em obra de referência de doutrina militar no século segundo anterior ao primeiro milênio, os escritos de Sun Tzu inspiraram Maquiável na redação de texto homônimo que abordava as premissas assentadas no taoísmo do texto chinês do ponto de vista do pensamento renascentista de contestação à moral cristã do fim da idade média.
Vem daí talvez a associação dos meios propugnados por Maquiável com o que se convencionou chamar de “falta de moral” e de suas recomendações para a condução da guerra com algo não afeito ao requisito de pureza que deve guardar os fins ultimados pelas batalhas.
Pois com Sun Tzu não era assim. Sua visão da guerra não distinguia entre os meios e os fins porque sua visão da existência humana não se apoiava na visão dualística de Sócrates que distinguia entre o representacional e o real – o que quer que isso pudesse significar – na vida do homem.
Para Sun Tzu a condução da guerra era governada por 5 princípios e o primeiro deles era o caminho, ou o Tao. Exatamente o campo das representações morais e dos valores que guiavam a aceitação dos povos. Nada que estivesse em desacordo com a sensibilidade do homem comum teria chances de vingar enquanto movimento de guerra nos campos de batalha.
Tinham origem no Tao – a que estavam submetidos povos, guerreiros e generais – outros 4 princípios disponíveis ao chefe em armas. Eram eles o clima, o terreno, o comando e a disciplina. O clima dizia respeito ao quando guerrear, o terreno a que em condições guerrear e o comando e a disciplina às habilidades que deveria deter o general para manter seus homens preparados e dispostos para o combate.
Num salto propositado na história seria interessante, como se tem feito desde o século 18, aplicar as ponderações de Sun Tzu à batalha política para a qual se prepara o PT para conquistar a prefeitura de São Paulo em outubro próximo.
Por polêmico que foi, seria o caso de avaliar, dentro todos os requisitos exigidos para a vitória final, se está em desacordo com o caminho ou o Tao a adesão de Paulo Maluf aos exércitos combatentes de Hadad. A questão corresponde a indagar se há algo intrinsicamente contraditório com a predisposição do eleitorado em associar-se com um líder político conservador para a busca da vitória.
Desde que o sentimento de justiça pode eventualmente suscitar sentimentos oposto nos corações mais perverso, como pregam as doutrinas de diferentes matizes filosóficos sobre o ato do arrependimento, o eleitorado veria com naturalidade o eventual apoio de um antigo antagonista às teses adversárias, desde que estas visassem efetivamente em direção ao bem comum.
Era por essa razão que Sun Tzu considerava como prática necessária à vitória a incorporação permanente de inimigos às forças de combate, que deveriam ser tratados com respeito por representarem o reconhecimento das alternâncias de estado, ainda que não de natureza, de tudo que tem existência no universo.
Disse Sun Tzu: “se utilizas o inimigo para derrotar ao próprio inimigo, serás poderoso em qualquer lugar aonde fores. A isto se chama vencer o adversário e incrementar, por acréscimo, as forças em ti”.
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