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Guinada editorial da velha mídia tenta segurar construção do novo nos protestos pelo Brasil

Em protesto contra aumentos nos preços das passagens do transporte público, cerca de 300 mil manifestantes foram às ruas do Brasil, segundo dados oficiais. A cobertura imediatamente seguinte aos protestos, ainda na noite de segunda, reclamava das depredações e estimulavam novas manifestações pacíficas. Os colunistas mais reacionários aplaudiram os protestos, e certamente não modificaram suas posições políticas de fundo, o que significa clara e obviamente uma tentativa de conduzir o movimento à direita.

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

A forte mobilização que se espalha pelo Brasil obrigou a mídia dominante brasileira, histórica e atualmente ao lado dos adversários fundamentais dos manifestantes, a uma mudança de linha editorial, que começou já no final da última semana. No mesmo ritmo em que os protestos se nacionalizaram também estiveram conectados os donos da mídia brasileira em sua mudança editorial.

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

Foto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

Depois das mobilizações da última quinta-feira, quando inclusive diversos jornalistas foram feridos em São Paulo, imediatamente a Folha de S. Paulo assumiu uma postura de repúdio à violência policial. A revista Veja também tomou a mesma atitude, e dando o sinal que, na sequência, foi adotado pelos demais veículos ligados aos conglomerados midiáticos. Sua mais recente capa traz a manchete: “A revolta dos jovens – Depois do preço das passagens, a vez da corrupção e da criminalidade”.

A manobra da Veja e a guinada da Folha, faróis que guiaram seus aliados, parecem ser parte de uma estratégia da direita para, já que não pode mais controlar os protestos – e entendeu essa situação – tentar apropriar-se deles e leva-los a novos rumos. Procura desviar a pauta principal do movimento – a redução dos preços das passagens de transporte público – para pautas que compõem a linha de frente do velho discurso da direita – o “combate à corrupção” e o “combate à violência” (o que, na prática direitista, significa combate à política e aumento da repressão policial).

Os protestos desta segunda lembraram sempre o papel da mídia na repressão. Em São Paulo a Rede Globo foi corrida. Em Porto Alegre o confronto com a polícia começou porque esta protegia em peso a sede do Grupo RBS, para onde os manifestantes rumavam. Por todo o Brasil equipes dos conglomerados midiáticos foram vaiadas e cartazes gritavam contra a manipulação e os monopólios. O Twitter da Veja foi hackeado.

É fundamental que haja a compreensão de que os conglomerados de mídia também são inimigos, tanto quanto todos os outros setores sociais – e administradores estatais – que mantêm um sistema social e político que cada vez menos representa as necessidades do povo. Se a rebelião é contra tudo isso, não pode recuar em ser também contra a velha mídia. É ela o aparato discursivo de todos os que oprimem. Mudar o modelo de mídia é um caminho importante para que se garanta a manutenção e expansão de direitos.


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