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Quem é Ana Paula Maciel?

Por Luiz Afonso Alencastre Escosteguy in O Chato 

Ana-Paula-Maciel-300x196Até pouco tempo, uma ilustre desconhecida. Assim como eu e como a grande maioria das pessoas. Ana Paula defende uma causa; eu também, assim como a maioria das pessoas. Ana Paula ficou famosa; eu não, assim como a maioria das pessoas.

A fama da Ana Paula se deve não aos méritos que tenha, mas ao governo da Rússia. Não fora ele, Ana Paula continuaria a ser uma ilustre desconhecida navegando um navio do Greenpeace. Mas agora que é famosa, Ana Paula dá entrevistas. É justo que dê. Mas ao fazer, parece que Ana Paula se esquece de um princípio básico: quanto mais se fala, maior a probabilidade de dizer bobagens.

Talvez Ana Paula fosse uma excelente ativista. Mas só isso. E se assim continuasse, quiçá um dia fizesse algo de bom para o mundo, como o tal santuário no Ártico, e ficasse famosa. Sem precisar dizer besteiras tipo “Ainda segundo a ativista, a exploração do pré-sal gera, automaticamente, poluição. “O problema é que nós pensamos dentro de uma geração sem pensar nas próximas“, disse Ana Paula, frisando que a extração do petróleo da região do pré-sal deverá contribuir para a aceleração dos prejuízos ambientais em escala global. (daqui)

Ana Paula parece não ter saído do século XX. Esqueceu-se de atualizar o conceito de sustentabilidade. Está certo que é um conceito que possui dezenas de interpretações, mas uma única certeza o mundo já tem: seguir falando em pensar nas gerações futuras preocupada apenas com as consequências ambientais é um anacronismo. Se pensarmos bem, até o conceito de ambiente, subentendido na colocação de Ana, é anacrônico.

De há muito que já evoluímos para o conceito de sustentabilidade social. E responsabilidade social é a resultante de duas forças, de duas sustentabilidades: ambiental e econômica.

A sustentabilidade ambiental, em uma “tradição” mais moderna, inclui o ambiente humano e não apenas o ambiente natural, entendido como aquele não produzido pelos humanos. E, se inclui o ambiente humano, inclui, necessariamente, a cultura, a educação, a saúde, o patrimônio construído pela humanidade e suas relações com o ambiente natural.

A mesma tradição moderna, já incluiu a economia com uma das pernas da sustentabilidade. E economia nada mais é do que a forma como os humanos se relacionam com o ambiente natural para dele extrair a subsistência.

Ana Paula parece ter esquecido esses conceitos básicos ao se colocar contra o pré-sal, principalmente quando diz que “é muito profundo, desnecessário” e coloca em risco parques marítimos como Abrolhos e Fernando de Noronha. Em tom bastante alarmista, ela vê risco de um acidente ambiental de grandes proporções e critica as empresas chinesas que fazem parte do consórcio que fará a extração do óleo. “São empresas tradicionalmente desleixadas em relação ao meio ambiente“.

O grande avanço do conceito de sustentabilidade social foi a percepção adquirida, pela humanidade, de que o corpo só poderá andar bem se andar sobre as duas pernas. E de que uma depende da outra. Deixar de explorar o pré-sal por uma hipótese de prejuízo em Abrolhos ou em Fernando de Noronha é uma afirmação que beira ao crime de lesa pátria, pois desconsidera todos os investimentos que serão realizados na educação e na saúde. Ana Paula pretere milhões de humanos, que COM CERTEZA, serão prejudicados, em prol de uma hipótese sobre o ambiente natural.

Ignora, ainda, que um povo com mais educação e com mais saúde – portanto, vivendo mais tempo – saberá não apenas exigir, mas cobrar das “empresas tradicionalmente desleixadas” que apliquem recursos em tecnologia de proteção ao ambiente natural. Por fim, se esquece a Ana Paula, que um povo mais educado e com mais saúde será um povo com maiores probabilidades de fazer com que a economia cresça para todos, isto é, seja uma economia para as gerações futuras também, e não apenas para uns poucos, como tem sido até agora.

Penso que devemos ajudar a Ana Paula a voltar para o seu navio do Greenpeace. Sua luta é importante. As entrevistas?


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5 pensamentos sobre “Quem é Ana Paula Maciel?

  1. Quem paga estes ativistas sao as proprias empresas que querem explorar porem perderam a licitaçao sao um antagonismo eu sei mas se fizer um apanhado podera chegar a esta conclusão…querem desestabilizar o Brasil para que possam explora-lo

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    • Quem quer desestabilizar o Brasil é quem inventou esta tal |Copa do Mundo que está tornando nossas cidades mercantilizadas, carrocentristas. Parece mentira que um partido, ao qual, ainda sou filiada, concorda e dár força para esse tipo de administração. Cidades comandadas pelo poder econômico, pela Coca-Cola, pela FIFA que, inclusive, acabou com a soberania nacional. Criaram expectativas na população de que isso seria bom. Só pra começar, não chegou ainda a desgraçada, mas 9 cidades do Rio Grande do Sul já tiveram suas expectativas desmoronadas: investiram e não haverá nenhuma atividade da Copa lá. Porto Alegre, cidade considerada a mais arborizada do mundo, está sendo Fortunatizada (termo que criamos para quem está botando abaixo milhares de árvores da cidade) tudo em nome das obras para a Copa. Porto Alegre, como outras cidades-sede, estão na contramão da história. Enquanto os grandes centros do primeiro mundo estão esvaziando os centros históricos de carros, aqui, haverá um estímulo pela construção de auto-estradas em pleno centro. Sequer estudo de impacto sobre os prédios históricos foram feitos. É o conluio do poder econômico com o poder político determinando o futuro de nossas cidades. Não estamos conseguindo discutir – as portas estão fechadas,- a cidade que queremos e queremos uma cidade para as pessoas e não para carros. Porto Alegre, cidade que se notabilizou pela participação popular, está nas mão das grandes empreiteiras, por conta das dívidas com campanhas.O PT nunca se preocupou com as questões ambientais, pelo contrário, os poucos que abraçavam a causa eram ridicularizados.Não há nenhuma discussão séria sobre preservação do meio ambiente. Aliás em partido nenhum do País, pois os verdes são, esses sim, uma verdadeira piada. Outra discussão importante e que nunca esteve na agenda dos partidos políticos é a questão da libertação animal. Pelo contrário, no RS, um deputado petista foi autor da lei que permite sacrifício, com muita dor, de animais nos terreiros de umbanda. sempre na contramão da história, como disse acima. Vigora só o pragmatismo da eleição e da eleição a qualquer custo. Não se discute mais nada neste partido.

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  2. Na minha visão, tu está entendendo tudo errado. Pra mim, tu está vendo tudo de uma forma lucrativa da coisa, porém esquecendo todos os fatores que já são “normais” para o povo brasileiro, e que são no mínimo desumanos. Pensar que pelo fato de existir tal exploração, a educação/necessidades do povo brasileiro irão melhorar, é errônea. Penso que o que falta no Brasil são outras coisas, como o real investimento de impostos absurdos cobrados em cima de um povo que conquista tudo com suor, e não a exploração de um recurso que foi “prometido” pela nossa ilustre presidenta. Posso estar errado. Posso estar certo. Pra mim, tu é mais um deles.

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  3. Concordo em parte com Unnamed. O Brasil vem sendo espoliado há mais de 500 anos. Ele foi colonizado, lembremos disso, o que significa que já nasceu explorado, roubado. São mais de 500 anos de colonialismo e de dominação da elite branca, burra e endinheirada que deixou o país do jeito como ele está hoje. Não é o pré-sal que vai resolver isso. E não é a educação que vai melhorar o país, até porque a educação que está aí só forma mão de obra barata. Precisamos de formação política em larga escala, de leis que garantam democracia midiática e que imponham limites nos lucros das igrejas que manipulam as consciências. E sim, o pré-sal pode causar terríveis danos ambientais. Inclusive propositais. Ou ninguém se lembra mais dos crimes que as petroleiras vêm impetrando há mais de um século no mundo?

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