As competentes assessoras da pré-candidata pedessista ao Piratini que me desculpem. Elas cavaram amplos espaços nobres nos jornais gaúchos para colocar a sua assessorada parlamentar como ilustrativa do Dia Internacional da Mulher. Um belo exemplo para emblematizar as homenagens da data?
Não, de jeito algum. Não concordo, terminantemente.
Posso discordar, gentilmente? Tenho chance de emitir minha opinião, por favor?
Se fosse para Primeira Dama do Agronegócio, eu votaria junto. Aplaudiria de pé, com a bancada ruralista, os latifundiários, a Farsul, a Expodireto e o deputado Heinze, das minorias que não prestam.
Caso a ARENA revivida propusesse algo similar, o titulo se encaixaria, aí sim, perfeitamente.
E se fosse láurea da corporação privada para funcionária jubilada, presenteada com relógio dotado de painel de fundo com a logomarca da rede, bem que eu ovacionaria.
“Linda!” “Linda!” até tietaria, eu que gosto que me enrosco de fábulas da bonita borralheira que desposa o pétreo barão.
Não é caso, entretanto, de fulgurar esta distinta madame.
Nesta minha coluninha singela, meramente virtual e de coloração parcial, que sou de esquerda e não escondo, selecionaria outras mulheres, de jornadas modelares, de mais ação que discurseira, de mais vivência real que prova testemunhal.
Incluiria, certamente, a brava, insubstituível em sua efervescência feminina, a saudosa Marcia Santana em homenagem póstuma eis que justo amanhã, dia 13, completa um ano de sua prematura partida.
Todas as mulheres, vitimas e sobreviventes da tragédia impune da boate Kiss, entrariam na minha coluna neste dia de reflexão sagrada.
Elegeria a irmã Lourdes Dill, idealizadora do Fórum Mundial de Cooperativismo e coordenadora do Projeto Esperança / Cooesperança da Diocese de Santa Maria e que torna a cidade enlutada na capital de um outro mundo possível uma vez por ano, ao menos.
Eu premiaria outras três mulheres mais conhecidas como ambientalistas, seguidores do Lutzenberger – Magda Renner,Hilda Zimermann e Giselda Castro – mas que forma muito mais, ativistas, militantes, mulheres já maduras que despertaram para a prática da cidadania há precisos 50 anos com a criação da ADFG.
A Margarete Moraes, decerto, seria ungida, no mínimo pelo ativismo mobilizador e respeito à cultura em suas mais varidas matizes e manifestações.
E muitas outras de trajetórias exemplares ilustrariam minha admiração.
As minhas mulheres do coração, da família, ainda que mereçam distinção, eu não colocaria porque detesto nepotismo; indicação de aparentado para cargo público é obscenidade.
Meu modelo simbólico de mulher de fibra em alusão a este dia é bem outro. São bem diferentes as lutadoras sociais que eu elegeria.
Mas sendo uma só escolho uma Tereza.
Tereza não é politica; não caça votos; é uma técnica competente que se revelou uma gestora ainda melhor a frente da Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, encarregado de conduzir o Bolsa Família e o Brasil sem Miséria que ajudou a construir desde o comecinho.
Tereza é esposa e mãe. Tereza é sobretudo uma sobrevivente, como muita gente.
Tereza, ainda assessora qualificada de Lula, viveu um drama intenso, imenso, compartilhado com o marido Paulo Ferreira, com os parentes e amigos íntimos, durante a gestação complicada. Ficou em coma, quase faleceu. E quase perdeu Luisa.
Mas Tereza não esmoreceu.
Sobreviveu, reviveu.
Da gravidez complicada, Tereza aprendeu que com as dores, vem a compensação.
Então garante: “seria mãe de novo”.
Depois, Tereza teve um câncer agressivo em pleno exercício do cargo de ministra.
Perdeu os cabelos, mas não a dignidade.
Um dia de trabalho duro, outro de quimio / radioterapia e cuidados preventivos severos.
Era a sina dolorosa do tratamento longo, das lágrimas escamoteadas, da tristeza censurada, das dores irreveladas, dos medos inconfessados.
Do rosto marcado pela doença, em que o sorriso insistente tentava se impor, acima da angústia pessoal.
Tereza não se apequenou diante do peso do cargo e da dimensão da responsabilidade de ajudar na redução da desigualdade no Brasil.
Agora exulta como se desse à luz um irmão de Luiza ao comemorar um milhão de beneficiários do Programa de Acesso ao Ensino Técnico e de Emprego, que empolga pessoas de baixa renda e congrega, por inovadora decisão, também os de baixa escolaridade.
Tereza nem dá tanta bola para as estatísticas, para a lista portentosa de números na casa dos milhões que ascenderam socialmente no país que, como nunca dantes, cresce e inclui; Tereza vibra mais com cada brasileiro que escapa da miséria.
Tereza sorridente, porque se reergueu de muitos tombos, ilumina todo o pastoreio do Negrinho, no vetusto Palácio Piratini quando fissura o vocativo do cerimonial e cita o deputado como seu companheiro, seu amor, assim, de súbito, sem abalar o senhor governador. Estando ministra e falar de amor, assim, de público, demonstra a satisfação e alegria com o que faz, na missão solidária de servir ao público; contemplar a prioridade do outro.
Gente como Tereza tem coração generoso tão amplo que mal cabe no aperto do peito.
Por isso, antes pensa nos desejos alheios e nos sonhos dos que agem para conquistarmos um país melhor.
A Tereza Campello, mais que o troféu Mulher Cidadã 2014, concedido hoje pela Assembleia, na sessão solene da data alusiva a 8 de março, devemos agradecer pelo exemplo de bravura e de vida que nos serve de inspiração para sempre.
André Pereira é jornalista.
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