A redução na produção de veículos este ano, anunciada ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), mais do que preocupar, deve mobilizar os setores vinculados à área na busca de soluções para o problema e por fazer a área voltar ao dinamismo que sempre teve no Brasil em termos de geração de emprego e movimentação de negócios.
Esta redução deste ano nada mais é do uma adaptação da indústria a realidade da nossa economia – uma realidade de juros mais altos, crescimento econômico menor e crédito mais reduzido. Nada mais é do que o consumidor se reorganizando e esperando novos descontos.
A questão é estrutural e o Brasil deve aproveitar essa redução nas vendas para discuti-la. Aproveitá-la e debater o papel do transporte individual x transporte coletivo em nosso país, a mobilidade urbana, o custo para o Brasil de insistir na prioridade ao transporte individual, que vem da 2ª metade dos anos 50 quando o governo Juscelino Kubitschek implantou para valer a indústria automobilística aqui.
Temos que discutir se não é hora de inverter essa lógica e priorizar o transportes coletivo. É um princípio que já está sendo adotado, por exemplo, pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), nesses seus primeiros dois anos de governo na capital paulista, nos quais vem imprimindo a marca de um governo dos transportes coletivos, com a construção de quase 400 km de corredores e faixas exclusivas de ônibus que não circulam superlotados, e estão muito mais rápidos, o que contribui, também, para a melhoria do trânsito.
Precisam parar de esperar novos incentivos, desonerações e privilégios
É hora, portanto, da indústria de automotores brasileira se reorganizar, se reinventar em matéria de mobilidade urbana e deixar de esperar novos incentivos, desonerações e privilégios. O setor tem sido o mais beneficiado por esse tipo de medida adotada pelo governo para manter o emprego (e que ela nem sempre obedece) e enfrentar os efeitos aqui da crise econômica global. As desonerações de IPI à indústria automobilística têm sido dadas e renovadas.
O mesmo – se reorganizar, se reinventar e deixar de esperar incentivos – vale para o movimento sindical metalúrgico, que precisa também repensar a indústria automobilística e de transporte como um todo e se adaptar a estes novos tempos.
De acordo com os dados divulgados ontem pela ANFAVEA a produção de veículos no Brasil entre janeiro e novembro deste ano caiu 15,5% em relação ao mesmo período de 2013. Neste 2014 foram fabricados 2,94 milhões de unidades. Na comparação entre novembro e outubro últimos, a queda na produção nacional de veículos foi de 9,7%. Também as vendas de carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus recuaram 4% em novembro ante outubro, ficando em 294,7 mil comercializados em novembro.
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O automovel no Brasil esta deixando de ser um item que antigamente se usava pra se chegar mais rapido ao nosso destino, principalmente o trabalho..hoje , com vias completamente congestionadas e com o valor altissimo dos combustíveis e manutenção este meio de transporte se tornou muito caro…portanto devemos repensar , e começarmos a usar o transporte coletivo que sempre vai sair mais em conta e contar com as novas modalidades que estão criando para estes veiculos, principalmente os corredores para que os mesmos se desloquem com mais agilidade !
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