
A midiática família foi atendida num Hospital do SUS, por médicos do SUS, por que o “plano de saúde” da dupla não quis ir para o interior atendê-los. O agradecimento no entanto foi para “Deus e o Piloto”. Nada contra agradecerem ao piloto, corajoso e audacioso herói. Mas como “esqueceram” o SUS que, vira e mexe, a emissora em que as duas peças trabalham, ataca a qualidade do serviço público? Desta feita poderiam no mínimo ter reconhecido. Não reconhecem. A Globo no dia seguintre voltará a dar pauladas no SUS, buscando para isto um exemplo ruím, nem que seja em “cacimbinhas”. Mas a máfio midiática família e seus patrões também omitem o nome das babás de suas crianças. Não é “esquecimento”. É esconder mesmo. É muito mais que resquicio da escravidão. É disposição de esconder, manipular e até mentir se necessário for. Simples assim. Ou será preciso desenhar? Vai artigo pescado do Jornal GGN
Por Luiz Antonio Simas, via facebook
As moças se chamam babás; é isso?
Como escrevi certa feita, há um senhor de engenho nos espreitando nos elevadores sociais e de serviço; nos apartamentos com dependências de empregadas; no bacharelismo imperial dos doutores que ostentam garbosamente o título; na elevação do tom de voz e na postura senhorial do “sabe com quem você está falando?”; na cruzada contra a umbanda e o candomblé; na folclorização pitoresca dessas religiosidades; nos currículos escolares fundamentados em parâmetros europeus, onde índios e negros entram como apêndices do projeto civilizacional predatório e catequista do Velho Mundo; no chiste do sujeito que acha que não é racista e chama o outro de macaco; no pedantismo de certa intelectualidade versada na bagagem cultural produzida pelo Ocidente e refratária aos saberes oriundos das praias africanas e florestas brasileiras.
O fato é que somos herdeiros de uma das maldições que o cativeiro legou entre nós: a ideia de que a exploração do serviço braçal é quase um favor que o senhor presta àquele a quem explora. Jogam no mesmo time dos que diziam, na abolição da escravatura, que sem o seu senhor o negro quedaria desamparado.
Tudo isso nos permite constatar que Joaquim Nabuco de fato acertou na mosca. Disse ele que mais difícil do que acabar com a escravidão no Brasil seria acabar com a obra que ela produziu. É ela, a obra da escravidão, erguida em alicerces sedimentados de uma forma profunda e eficaz na alma brasileira, que até hoje nos assombra — porque nos reconhecemos nela como algozes ou vítimas cotidianas — e precisa ser sistematicamente combatida.
O jornal poderia informar ao menos os nomes das babás?
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Se o SUS e socorro de urgência serviram, poderiam ao menos serem lembrados. Uma linha que fosse.
Notável é a omissão dos nomes das babás. Até parece que não são gente. Com certeza os filhos mais tarde lhes farão jus, pois convivem mais com elas do que com os pais, por mais presentes que possam conseguir se fazer nos momentos de folga.
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E todo mundo fica consternado com a dupla, dou o mesmo desprezo que eles e a mídia deu às babás.
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