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Chinelagem Jornalística: Como destruir um e-mail em uma lição

fogo

Maldita idade que me faz conservar certo modo cartesiano de pensar.

Daí que li a manchete do Estadão sobre o bilhete onde Marcelo Odebrecht manda “destruir o e-mail sondas”, escrito na cela da PF e xerocopiado pelos sherlocks da Polícia Federal.

Esqueça-se o que disse a defesa, alegando que era destruir juridicamente um e-mail sobre sondas arrolado como prova, tanto que era um item do ” pontos para o habeas corpus” (a imagem o Estadão deixa claro) e que, logo a seguir o texto explica como rebater: “lembrar que naquela época, a Sete…” etc.

Vamos ficar na questão da destruição física, mesmo.

Se o cidadão está pedindo para os advogados destruírem, das duas uma: ou o e-mail não foi apreendido, ou foi.

Se não foi, apareceria o pedido assim, sem especificação. Como os advogados dariam, abririam a caixa de mensagens de Marcelo e procurariam, entre milhares de e-mails, qual deles se referia a sondas.

Como sonda é um negócio de vulto, deve haver dezenas. Qual deles, o doutor e a doutora causídica iam destruir? E será que eles não sabem que, apreendido o computador ou através do servidor de e-mails, mesmo que se delete algo, isso pode ser recuperado?

Isso é canja para qualquer perito em informática da Polícia, ora. E o megaempresário e seus advogados estão carecas de saber disso. E-mail fica armazenado no servidor, tanto que você pode abrir sua caixa de mensagens em outro computador, na Conchinchina e estarão todos lá, porque estavam no servidor e é só pesquisar os arquivos apagados e reconstituir.

Mas se o e-mail foi apreendido, como destruí-lo? Quem sabe entrar um casal de advogados, ela com roupas bem provocantes, distraem o jovem e impetuoso agente da  lei e ele, num golpe de prestidigitador, arrancam o e-mail do processo?

Assim, coisa de Mata-Hari, né?

Se não fosse o apagão mental que parece ter tomado conta dameganhagem, inclusive a jornalística, era só um bobagem policialesca.

Aliás, o delegado diz que “deixou passar”o bilhete para ver se o advogado do acusado viria “acusar” o seu cliente de estar cometendo crime de destruição de provas… Pode rir à vontade.

Ou então foi delírio de quem andou vendo demais “Missão Impossível” e aqueles gravadores de fita que diziam “esta mensagem se autodestruirá em cinco segundos”…

Mas é manchete e grande acontecimento jurídico.

PS. Embora fosse óbvio, só a Folha percebeu e noticia, discretamente: “Bilhete de presidente da Odebrecht revela estratégias de defesa“. Simples assim.


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3 pensamentos sobre “Chinelagem Jornalística: Como destruir um e-mail em uma lição

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