Do Blog do Joel Bueno
Wilhelm Reich escreveu “Psicologia de Massas do Fascismo” em 1933. Ele procurava entender por que o eleitor alemão, empobrecido e ameaçado, escolhia o nazismo, não as esquerdas. Naquele tempo, o Reich ainda era psicanalista e marxista, embora já dissidente.
Resumindo muito, no fundo da psicologia de adesão ao fascismo está a repressão sexual na infância, que constrói uma personalidade avessa às afirmações de potência e amiga das rotinas que protegem o neurótico da própria natureza desejante. O indivíduo reprimido não afirma sua individualidade. Tem uma mentalidade de rebanho. É dominado pelo medo. Tudo o que ele quer é um condottiere.
Na origem do fascismo está o medo. Na origem do medo está a repressão sexual. Na origem da repressão, a estrutura familiar tradicional. Não é por acaso que a direita sempre se apresenta como defensora da família.
Um parênteses. É interessante notar que, para o Reich, a repressão marcava o corpo. Não é só o gestual contido ou a postura rígida. É uma verdadeira “couraça neurótica”, que envolve a tensão muscular, em especial na região do abdômen, além das dimensões simbólicas. Apalpe aí sua barriga, para ver se você é candidato a coxinha.
A repressão sexual dos nossos dias não é a mesma da década de 1930. Mas não subestime a geração de comportamentos e atitudes conformistas. A masturbação infantil anda é tabu. Aí começa a novela – ou o novelo. E continua: a sagrada família não se cansa das cotidianas lições de alienação de si mesmo e de negação do Outro. O Outro mais imediato é interno, o próprio Id.
A gente brinca que o coxinha vai protestar porque o toddynho veio sem canudo. É um pouco verdade. Nosso herói passa a vida construindo uma realidade paralela confortável. Dá um trabalho danado. No mundinho imaginário dele, tudo está previsto. A feijoada é na sexta-feira. O sexo é no sábado. O futebol é no domingo. Nenhuma ameaça. E aí vem um toddynho castrado!
Meu filho Daniel critica a atuação das esquerdas nas redes sociais. Ele diz que o pessoal não argumenta, hostiliza. Não deixa de ser verdade. Acho que as interações na internet têm muito disso, mesmo fora da política. Torcedores do Flamengo e do Vasco. Enófilos e cervejófilos. Fãs da Marlene e da Emilinha. Mas esse é outro papo. O caso é que o coxinha, o “Zé Ninguém” do Reich, é impermeável à argumentação. Ele está atolado em preconceitos, senso comum, crenças irracionais – tudo por causa do medo.
O medo é mau conselheiro. Ele gosta de soluções simplistas, até desesperadas. É chegado ao pensamento mágico. Ocupa todo o pensamento, o tempo todo. Não respeita as diferenças. Pior: desumaniza o diferente. A julgar por alguns cartazes que fizeram sucesso nas manifestações de ontem, o medo também não é lá essas coisas em ortografia.
Meu caro amigo, minha amiga querida: quando você se deparar com um coxinha, desses bem fritinhos e redondos, não brigue com ele, não xingue. Também não discuta, que não adianta. Melhor encaminhá-lo a um psicanalista.
Postado há 9 hours ago por Joel Bueno
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