Por Luiz Eduardo Gomes no SUL21
O primeiro caso ocorreu no sábado (15), quando uma equipe da Justiça Eleitoral conduziu uma investigação na sede municipal do PMDB para apurar denúncias de que o local funcionava como um comitê não declarado da campanha de Melo.
Em um vídeo divulgado no domingo, o próprio candidato, porém, fez a denúncia de que a campanha de Marchezan contratou uma equipe para estar presente no local durante a verificação judicial e que estas pessoas teriam mexido em documentos e feito fotografias. Melo também diz que se tratou de uma “ação truculenta” e que “não se pode ganhar a eleição de qualquer jeito”.
Em comunicado, o PMDB municipal alega que a averiguação judicial na sede da legenda foi feita a pedido da coligação de Marchezan e que uma “advogada da referida candidatura e um fotógrafo que não se identificou tiraram proveito da ordem judicial”. “De forma ilegal, o fotógrafo invadiu a sede que pertence ao PMDB há mais de 30 anos, percorreu os dois pisos da casa e fez registros de imagem. A advogada representante do candidato Nelson Marchezan Júnior, por sua vez, foi flagrada por testemunhas presentes ao episódio também captando imagens e vasculhando materiais pertencentes ao PMDB, agindo de maneira afrontosamente ilegal, desrespeitando a presença da oficial de Justiça”, diz a nota.
Também via comunicado, a campanha de Marchezan se reconhece como autora da denúncia e acusa a campanha de Melo de manter no local “constante movimentação de cabos eleitorais, coordenadores de campanha, veículos e materiais de propaganda, sem qualquer declaração à Justiça Eleitoral”. “Além de não ter declarado despesas com a instalação e manutenção de comitês, a campanha de Melo não declarou qualquer gasto com a contratação de pessoal de campanha. Em vídeo trazido na denúncia, ainda, foi flagrada a utilização de servidores da Prefeitura Municipal de Porto Alegre trabalhando no local em horário de expediente, a presença de computadores e de material de campanha”, continua a nota, que não menciona a presença de supostas pessoas ligadas ao candidato tucano no local.
Em postagem no perfil oficial de Marchezan, também acusam a campanha de Melo de estar se “vitimizando”. “Uma Oficial de Justiça foi ao local e fez tudo dentro da lei. E o que eles fizeram? O que temos visto uma turma fazer em cenário nacional há algum tempo: se vitimizaram. Isso lembra vocês de alguma coisa?”.
Em despacho divulgado no sábado, o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 113ª Zona Eleitoral, determinou averiguação se o local funcionava como comitê clandestino ou regular. Ainda não há posicionamento do juiz posterior à visita.
Disparos contra o comitê de Marchezan
O contorno policialesco da eleição ocorreu no início da madrugada desta segunda-feira, quando, segundo a Brigada Militar, um veículo Ford Focus de cor prata passou em frente ao comitê oficial da campanha de Marchezan, localizado na esquina das avenidas Ipiranga e Azenha, e abriu fogo contra o local. Foram ao menos 15 disparos que estilhaçaram parte da vidraça da sede.
Um vigilante estava no local no momento do tiroteio e informou a polícia de que o carro estava com as luzes desligadas e fugiu em direção ao bairro Santana. Ninguém ficou ferido.
De acordo com o delegado César Carrion, que investiga o caso, ainda não se pode fazer afirmações sobre o caso, mas “com certeza tem cunho político”. A Polícia Civil vai analisar imagens das câmeras de vigilância para buscar mais informações sobre o episódio.
Incêndio no DEP
Também durante a madrugada desta segunda foi registrado um incêndio na sede do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), localizada na rua General Lima e Silva, na Cidade Baixa.
De acordo com o delegado adjunto da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária do Departamento Estadual de Investigação Criminal (Deat-Deic), Max Ritter, um armário na Procuradoria Jurídica do órgão foi queimado por volta das 4h. Documentos foram inutilizados e um galão de cinco litros, com restos de combustível, foi encontrado no local.
Segundo ele, trata-se de um incêndio criminoso que teria ligações com a investigação sobre fraudes nos contratos de limpeza de bueiros firmados pelo DEP, pasta da Prefeitura que é controlado por pessoas indicadas pelo Partido Progressista (PP), que está coligado com Marchezan e indicou o candidato a vice na chapa.
“Nós acreditamos que tem ligação direta com as investigações que estamos desenvolvendo há algum tempo com relação às fraudes envolvendo os serviços de limpeza de bueiros”, disse Ritter, acrescentando que o incêndio fará parte da investigação principal sobre o DEP.
Sem entrar em detalhes, o delegado também disse que já há indícios sobre a autoria do crime e não descartou a possibilidade de ligação com a campanha eleitoral, mas salientou que, por enquanto, não há nenhuma evidência nesse sentido.
O DEP foi procurado para comentar, mas até o fechamento desta reportagem não foi possível obter contato com a direção do departamento.
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