Educação/mídia

Revista francesa denuncia descaso da mídia brasileira com ocupações de escolas em todo o país

Do O CAFEZINHO

ocupa-globo

Milhares de escolas e universidades ocupadas, no Brasil, contra as políticas de austeridade

Em artigo publicado pela revista francesa Basta! com a manchete “Milhares de escolas e universidades ocupadas, no Brasil, contra as políticas de austeridade”, jornalista afirma que quando o mainstream da mídia fala, é para estigmatizar os estudantes

Texto publicado originalmente em BASTA! | Traduzido por Luc Duffles Aldon, MD18, para o Mídia Ninja

No último dia 3 de outubro, em São José dos Pinhais, no Estado brasileiro do Paraná (sul do Brasil), um grupo de secundaristas decidiu ocupar sua escola. Eles contestam as políticas do governo de direita de Michel Temer. O movimento ganhou força rapidamente. Em todo o Brasil, cerca de 1.200 escolas públicas estão atualmente ocupadas por alunos, e também uma centena de universidades. A maioria está no Estado do Paraná onde ocupam a metade das escolas, cerca de 800 colégios.

Os alunos e os estudantes se opõem ao projeto de reforma da educação pensado pelo atual governo de direita, mas também à reforma constitucional que prevê o congelamento dos gastos públicos por vinte anos, incluindo os da educação e da saúde (ver artigo do BastaMag 14/10). Este novo movimento estudantil também desafia o projeto dito da “Escola Sem Partido” iniciado pelos conservadores, que visa eliminar todas as formas de pensamento crítico, rotulados de esquerda, na educação.

Uma escola sem um partido é uma escola sem senso crítico, é uma escola racista, é uma escola homofóbica (…) Estamos aqui por ideais falou corajosamente uma estudante de 16 anos, Ana Júlia Ribeiro, no dia 31 de outubro. Ela falava na frente dos deputados do Paraná para explicar as razões do movimento.

Nas escolas ocupadas, jovens trabalham em comissões e fazem assembleias para decidir de suas ações. No dia 26 de outubro, representantes de cerca de 600 escolas ocupadas no Paraná, se reuniram em assembleia geral conjunta para decidir sobre a continuidade do movimento pela “educação pública gratuita e de qualidade”, como o defende a União Brasileira Estudantes. O movimento se afirma com forte independência a qualquer partido político, mesmo que seja oposição ao governo de Michel Temer. Ele escapa até agora das tentativas de recuperação pelos sindicatos e os partidos da esquerda institucional.

Um movimento de jovens pobres que se expande e ataca a política de austeridade

Os estudantes brasileiros já se mobilizaram massivamente no ano passado, especialmente no Estado de São Paulo. Centenas de escolas públicas foram ocupadas por seus alunos, dia e noite durante várias semanas, em oposição ao projeto do governador de fechar vários estabelecimentos de ensino.

“Marcado pela espontaneidade e pelo seu caráter essencialmente horizontal, sem hierarquia, esse movimento está na vanguarda da luta contra o governo federal, do conservadorismo das camadas superiores e da nova onda de políticas de austeridade”, analisa de Glauber Aquiles Sezerino, sociólogo, administrador da associação Autres Brésils. “Em junho de 2013 durante protestos contra o aumento da tarifa do transporte, ou os “rolêzinhos” esses “passeios” de jovens da periferia em centros comerciais destinados às camadas mais privilegiadas, já eram movimentos espontâneos e autônomos. Mas, até então, os protestos se focalizaram numa reivindicação limitada, como a tarifa do transporte, a repartição das escolas ou o acesso a lazeres. Agora, as palavras de ordem são mais amplas, e visam diretamente as políticas de austeridade econômica e a falta de diálogo do governo federal.”

Diante dessa nova dinâmica, o governo federal, os governos estaduais e vários partidos de direita estão pouco abertos ao diálogo. As autoridades não hesitam em chamar a polícia militar para reprimir violentamente as ocupações, como na semana passada no Estado de Santa Catarina (Sul), onde a polícia apontou armas para os alunos. Em São Paulo, a polícia evacuou pelo uso da força as ocupações que apenas começavam, como no dia 25 de outubro, no norte da capital econômica do país. Apesar da importância do movimento, a grande imprensa mainstream levou semanas para se interessar. Na maioria das vezes, para estigmatizar estes estudantes.

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