Inflação/Segurança Alimentar

RS: Produtores de leite e trabalhadores pagam MUITO CARO pela “inflação baixa” do Governo

LeiteSó no Vale do Taquari 1.080 famílias deixaram de produzir leite e muitas delas quebram econonômicamente

Recentemente este blogueiro publicou o artigo PARA FAVORECER GRANDES LATICÍNIOS, SARTORI E TEMER QUEBRAM PEQUENOS PRODUTORES DE LEITE DO RS não sabia que a tragédia só cresceria.

A Agricultura Familiar é quem garante e coloca boa parte da comida  na mesa dos brasileiros. O agro negócio produz grãos e carnes, mas é para exportar. Para melhorar as condições de trabalho e a produtividade da agricultura familiar os governos do PT criaram programas de apoio ao setor. O PAA- Programa de Aquisição de Alimentos, passou a comprar comida dos pequenos agricultores nas próprias cidades dos mesmos e os distribui em programas sociais; o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar passou a obrigar que pelo menos 30% da merenda escolar passasse a ser comprada da agricultura familiar nos próprios municípios das escolas. Bom para os agricultores e melhor qualidade de alimentação para nossas crianças e jovens Estudantes bem na época em que a alimentação tem um papel fundamental para o crescimento e desenvolvimento deles. Mas isto desagradou os poderosos. Por que antes disto a merenda escolar ela feita principalmente de bolachinhas baratas, leite em pó e outros tipos de alimentos baratos e sem qualidade nutricional produzidos por grandes industrias nacionais e internacionais. E então, além de outras maldades, o governo cortou a maior parte dos recursos para programas como o PPA, PNAE e até o PRONAF. E pior do que isto: Os Governos Temer e Sartori concederam redução de impostos para as industrias de laticínios importarem leite de outros países. Pode até aparentemente custar mais barato para o povo e ajudar a “baixar” a inflação, mas na verdade custa é muito caro. No caso da Cadeia produtiva do Leite, liquida os pequenos agricultores que ganham cada vez menos pelo litro de leite e liquida os empregos nas indústrias processadoras de leite, por que estas agora compram mais barato o leite vindo de outros países.

Reproduzo a seguir matéria do jornal “A HORA” do Vale do Taquari

Vazio de esperança

Milhares encerram a produção e abalam pilar da economia do Vale. Sem perspectivas para o fim da crise no setor, agricultores procuram outras opções para estancar sangria da cadeia leiteira. Com o custo de produção acima do valor pago pelo litro in natura, famílias acumulam prejuízos. Autoridades públicas e representantes do segmento tentam encontrar uma solução. Ao menos três municípios estudam decreto de emergência ou calamidade financeira

Crédito: Thiago MauriqueOswaldo Berwanger, 59, é um dos mais de 80 produtores de Estrela que abandonaram a atividade devido à instabilidade no segmento
Oswaldo Berwanger, 59, é um dos mais de 80 produtores de Estrela que abandonaram a atividade devido à instabilidade no segmento

O produtor rural Jonas Müller, de Teutônia, conta os dias para deixar a produção de leite. Após acumular R$ 40 mil de prejuízos na atividade em 2017, vendeu parte do rebanho de 40 vacas em dezembro, e o restante será comercializado nas próximas semanas.

Aos 27 anos, Müller é um dos mais de mil produtores que abandonaram a atividade no Vale do Taquari desde janeiro de 2017. Dois anos antes, em 2015, ele investia na ampliação da produção. “Chegamos a chamar a minha irmã, que trabalhava na cidade, para ajudar a tocar a propriedade.”

Na época, a família realizou um planejamento estratégico para os dois anos seguintes, frustrado com a queda no preço pago ao produtor. Como o leite representa 80% do faturamento da propriedade, Müller agora pensa em alternativas para mantê-la aberta.

“Estamos com uma plantação de soja e planejando trabalhar com criação de terneiras”, ressalta. Segundo ele, boa parte dos produtores que hoje ainda trabalham com o leite tenta trocar de setor. “Gostamos da atividade, mas estamos pagando para trabalhar”, aponta.

Para a família Berwanger, de Estrela, a decisão de abandonar o leite foi tomada logo no início da crise. Moradores da linha São José, os irmãos Cecília, 65, e Oswaldo, 59, decidiram vender no início de 2017 os animais que produziam cerca de 1,3 mil litros por dia.

Hoje, a propriedade se mantém com uma granja de suínos e plantações de milho, trigo e soja. “Quando paramos, o litro era vendido a R$ 1,35. Ganhamos na loteria por ter parado logo”, diz Cecília. Para o irmão, a situação é resultado do descaso dos governos estadual e federal com os produtores rurais.

A propriedade ainda conserva o prédio e os equipamentos onde eram realizadas as ordenhas. Segundo ele, a estrutura foi fruto de um investimento de R$ 30 mil realizado em 1992. Apesar de ser um valor considerável para a época, ressalta que o financiamento de cinco anos foi pago com tranquilidade com os recursos provenientes da atividade.

“Hoje, os produtores fazem financiamentos muito mais longos e não conseguem quitar”, alerta. Para o agricultor, se anos atrás o trabalho rural era considerado o futuro da região, hoje não existem mais atrativos capazes de manter as famílias no campo.

Na propriedade de Oswaldo Bewanger, em Linha São José, em Estrela, prédio da ordenha é ocupado para secagem de milho para pipoca
Na propriedade de Oswaldo Bewanger, em Linha São José, em Estrela, prédio da ordenha é ocupado para secagem de milho para pipoca
Crédito: Thiago Maurique

Emergência ou calamidade pública

Ao menos três municípios estudam a possibilidade de decretar estado de emergência ou calamidade pública devido à crise do leite. A medida foi sugerida na semana passada, em reunião do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Arroio do Meio.

O assunto será debatido em reunião da Amvat amanhã. Secretário de Agricultura de Arroio do Meio, Eloir Lohmann afirma que já foi iniciada a coleta de assinaturas e os levantamentos para viabilizar a proposta. Além de Arroio do Meio, a medida também é avaliada em Estrela e Travesseiro.

Secretário de Agricultura de Estrela, José Adão Braun afirma que pelo menos 80 famílias abandonaram a atividade em 2017 no município.

“Estrela está em situação pior do que os outros municípios da região, pois temos o maior volume de produção do Vale”, ressalta. Segundo ele, o decreto de calamidade ou situação de emergência ajudaria a chamar a atenção das autoridades para o drama vivido pelos agricultores.

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Na sessão da câmara de segunda feira, os 13 vereadores fizeram um requerimento pedindo a decretação de estado de calamidade pública financeira. O texto foi remetido ao prefeito Rafael Mallmann.

Secretário de Planejamento de Travesseiro, Lari Hofstetter calcula em cerca de 50 o número de produtores que abandonaram a atividade no ano passado. “Muitos agricultores querem vender as vacas e abandonar, mas ninguém mais quer comprar gado leiteiro.”

Conforme Hofstetter, cada produtor perde em média R$ 0,70 por litro de leite produzido. Com isso, aponta, deixam de circular cerca de R$ 5,6 milhões por ano na cidade.

Somente em retorno do ICMS, alega, Travesseiro perde cerca de R$ 50 mil por mês. “É a crise mais grave que o estado já viu”, enfatiza. Para ele, se a situação não for revertida, os produtores irão à falência, o que trará dificuldades também para as agroindústrias e cooperativas.

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Debate em Anta Gorda

Principal feira da região voltada para a produção leiteira, a Festleite 2018 também será palco de debates sobre a crise. Para o presidente do evento, Vanderlei Moresco, hoje o setor leiteiro vive o pior momento de sua história.

“A cadeia como um todo está sofrendo, o que inclui desde o produtor, os comerciantes e as fábricas de laticínios”, aponta. Segundo ele, a intenção da feira é incitar uma discussão que aponte caminhos para o fim da crise, além de ser uma propaganda do leite e seus derivados.

As autoridades regionais são unânimes em apontar as medidas capazes de amenizar a crise. A principal seria impedir as importações do produto em pó até o preço atingir patamares aceitáveis, para depois estabelecer cotas de importação.

Outra ação defendida é a busca por novos mercados externos para ampliar as exportações.

Thiago Maurique: thiagomaurique@jornalahora.inf.br

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