No vídeo, Bolsonaro afirma: “se nós vivêssemos no regimes que vocês defendem, você não estaria vendo esta mensagem através deste aparelho maravilhoso, que não é fabricado na Coreia do Norte ou Cuba”. “Caiam na real! Parem de se enganar a si mesmos. Tenho certeza que, agindo desta maneira, vocês não serão só mais respeitados, bem como poderemos trabalhar por um Brasil melhor. Podem não concordar comigo, mas na maioria das coisas eu sou muito melhor daquilo o que vocês ensinam”. E conclui: “acredito na recuperação de vocês”.
O vídeo foi publicado no YouTube na última segunda-feira (29), mas parece ter sido gravado antes de Bolsonaro ser eleito, no domingo (28), de acordo com o Jornal O Tempo. Tanto o jornal O Tempo como o 247 estão abstendo-se de veicular o vídeo para proteger os professores citados por Bolsonaro das inevitáveis perseguições e ameaças dos bolsonaristas.
Por meio de seu Diretório Acadêmico, alunos da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, ligada à Fundação João Pinheiro, criticaram a iniciativa de Bolsonaro.
“O D.A. CSAP vem, por meio desta nota, reconhecer a Escola de Governo Paulo Neves de Carvalho como ambiente plural e democrático. Nós, alunos, não reconhecemos nenhum tipo de doutrinação ou imposição de pensamento por parte do corpo docente da Fundação João Pinheiro”, diz a nota.
De acordo com o texto, “o ambiente educacional é composto por pessoas de diversas ideologias políticas e diferentes opiniões, essenciais para a construção de um pensamento crítico independente, base para a formação de pessoas que buscam atender o interesse público”. “Prezamos pela liberdade de expressão e por um espaço no qual o diferente seja sempre aceito e respeitado e nos esforçamos todos os dias para que isso seja possível. Repudiamos, portanto, qualquer tentativa de minar essa construção, essencial para a democracia”.
O deputado estadual Rogério Correia (PT), eleito deputado federal, afirmou que a postura do presidente eleito “é a velha tática da ‘caça às bruxas’, a mesma que só causou tumultos onde foi adotada. Desta vez é mais sério, pois os nomes dos docentes são citados pelo líder extremista brasileiro”.
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