política

Vexame nas prévias PSDB, pressão sobre Eduardo Leite e “jornalixo”, tudo num só artigo da FOLHA

A matéria da Folha que reproduzo a seguir, mostra a vergonhosa prévia do PSDB, com um Aplicativo de R$ 2 milhões que não funcionou, como um “avanço institucional”, dizendo que o método de Prévias e Eleições diretas que o PT adota desde 2002 teriam sido uma “curiosidade institucional”. Afora o conhecido antipetismo da mídia, a Folha relata no entanto a vergonheira do Partido tucano, que através de Aécio Neves começou as ações que culminaram no Golpe de 2016 contra a Presidenta Dilma e que levaram o país a decadência que vive hoje.

Segue na íntegra o artigo da FOLHA:

Pior melhor ideia dos últimos tempos na política, as prévias do PSDB fracassaram em sua primeira tentativa devido a uma crise anunciada que ameaça implodir o partido que até 2014 monopolizava com o PT a vida política nacional.

Eduardo Leite, Arthur Virgílio e João Doria no evento das prévias do PSDB, em Brasília
Eduardo Leite, Arthur Virgílio e João Doria no evento das prévias do PSDB, em Brasília – Divulgação / Eduardo Leite

Enquanto a fatura do desgaste será colocada de forma nominal na conta do presidente da sigla, Bruno Araújo (PE), o preço a pagar tem outro destinatário preferencial —ou, ainda, uma dupla: Eduardo Leite (RS) e Aécio Neves (MG) .

O processo por óbvio representa um avanço institucional no arcabouço partidário brasileiro, rompendo o padrão histórico da indicação vertical —o precedente petista de 2002 foi mais uma curiosidade do que uma disputa.

Ao mesmo tempo, claro, ele diz muito sobre a fratura da sigla que até 2014 polarizava a política nacional com o PT, só para sair do triunfal 2016 nas urnas para um desolador 2018, com os 4,76% de Geraldo Alckmin (SP) na eleição presidencial.

Favorito presumido pelo peso de sua cadeira , o governador João Doria (SP) se viu manietado diversas vezes, com a definição de regras que o contrariaram.

Para seus adversários, foi uma forma de contrabalançar um jogo pesado: há 40 dias enviados de Doria percorrem Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas Brasil afora para votos cabalares, amparados por um trabalho estruturado de marketing e análise política digno de eleição presidencial.

A situação ficou mais complexa quando surgiu a figura do aplicativo polêmico, que desde o mais recente aditivo de contrato já consumiu R $ 2 milhões de dinheiro público para um vexame que era antevisto na análise feita pela empresa de segurança cibernética Kryptus.

Araújo sustentava que tudo iria dar certo, que correções foram feitas a partir de fragilidades apontadas. Neste domingo, uma bomba explodiu com a instabilidade no sistema.

Contando os gastos totais das prévias, cerca de R $ 9 milhões, os cerca de 3.500 votos computados até a coisa travar sim configurem o sufrágio mais caro da história do país: mais de R $ 2.500 por eleitor, acima dos R $ 41 esbanjados por Henrique Meirelles (então MDB, hoje PSD) quando brincou de ser presidenciável em 2018.

Ao vexame público, temperado pelas usuais acusações de compra de votos, adiciona-se a responsabilidade política. Ao apoiar o aplicativo de forma incisiva, o governador Leite queria ver ampliada a base contra Doria. O estimulado por seu grande eleitor, o deputado Aécio.

Na semana passada, contudo, os dois coordenadores da campanha do gaúcho indicados pelo mineiro sugeriram que, se havia tanto problema como diziam os paulistas, que se adiassem as prévias . O episódio, como relatou a Folha , gerou uma suspeita de um golpe em curso no time de Doria.

As prévias, e o aplicativo, acabaram cool. Mas o decorrer da semana não suprir em nada o clima: dois coordenadores das prévias, o senador José Aníbal (SP) e o ex-deputado Marcus Pestana (MG), marcar seus postos para declarar apoio a Leite.

Isso fornece um contaminar o processo, alimentando os argumentos do tempo de Doria de parcialidade, o que ambos refutam. O estrago, contudo, estava feito —ea batata, pelando, nas mãos solitárias de Araújo.

Aécio sempre foi visto no PSDB e for dele como alguém que quer tomar o controle do partido e transformá-lo numa sigla do centrão, por assim dizer, parlamentar e dada a fisiologismos. O mineiro nega, naturalmente.

 O governador João Doria em 2021
O governador João Doria em 2021

Quando assumiu o papel de grande eleitor de Leite, não foram poucos que viram na jogada a ideia de fomentar um candidato mais aberto à ideia de serviço de alguém (o que o gaúcho nega) ou de abrir mão da candidatura numa composição para 2022 ( o que ele topa).

Mesmo admitindo a inocência de todos os envolvidos em suas intenções, a resultante ficou ruim para o conglomerado em torno do nome de Leite. Na visão benigna, ele desejava jogar a decisão para 2022 para tirar gás de Doria; na outra, para empurrá-la às calendas gregas.

No resto da dita terceira via, no Palácio do Planalto e na esquerda, só risadas a aumentar a piada sobre a energia consumida (para não falar no dinheiro) por prévias de um partido que amealhou menos de 5% dos votos na eleição presidencial passada.

É uma meia verdade: o PSDB ainda comanda uma máquina formidável, com grande capilaridade, apesar de ser só uma sigla média no Congresso. Vive de um passado de glórias, sim, mas carrega o software de como governar e tem quadros incorporados.

Este é Eduardo Leite, governador do RS
Este é Eduardo Leite, governador do RS

Isso gera o paradoxo de que todos que fazem piadas sabem que quem ganhar as prévias será ator inescapável na costura para tentar tirar Jair Bolsonaro (sem partido) do segundo turno que se prevê com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao mesmo tempo e também no registro paradoxal, uma decadência muscular torna o partido mais manobrável para quem vencer a disputa.

Se antes do partido rachado era garantia de derrota eleitoral, como prova a quase exceção do único pleito pós-FHC de união, de 2014, agora talvez seja possível uma articulação mais eficaz com aliados a partir da divisão prévia do butim.

Para Doria ou Leite, com Arthur Virgílio ao lado do paulista , é bom que essa teoria seja comprovável, porque após este domingo, se certeza há, é de que o PSDB trincou de vez.

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