Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado uma perigosa fusão entre política e criminalidade. O bolsonarismo, enquanto movimento político, não apenas radicalizou o discurso público, mas também abriu espaço para que o crime organizado se aproximasse ainda mais das estruturas institucionais.
A prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro simboliza o colapso da fronteira entre política e crime. O estado, historicamente marcado pela presença de milícias e facções do tráfico, vê parlamentares mancomunados com organizações criminosas, transformando o parlamento em extensão dos interesses ilícitos.
A operação Carbono Oculto expôs a participação de parlamentares e apoiadores ligados ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. O episódio reforça a percepção de que o bolsonarismo não é apenas um movimento ideológico, mas também uma rede de poder que se alimenta de práticas criminosas para sustentar sua influência.
A fuga de figuras como Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, ambos ligados ao núcleo duro do bolsonarismo, simboliza a tentativa de escapar da responsabilização judicial. A ausência de cooperação com a justiça e a busca por refúgio fora do alcance das autoridades demonstram como o movimento se blinda contra a lei, reforçando a ideia de que o crime organizado encontrou guarida dentro da política.
No Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados tenta manter o mandato de parlamentares acusados de envolvimento com práticas criminosas. Essa blindagem institucional revela a profundidade da crise: quando o próprio parlamento se torna cúmplice da criminalidade, a democracia perde sua capacidade de se defender.
O bolsonarismo não apenas radicalizou o discurso político, mas também abriu espaço para que práticas ilícitas se tornassem parte da engrenagem institucional. O Brasil enfrenta, assim, um desafio histórico: reconstruir a separação entre política e crime, fortalecer suas instituições e impedir que a democracia seja corroída por dentro.
Marcos Rolim, em artigo publicado no site Outras Palavras, defende que o enfrentamento ao crime organizado e à crise da segurança pública no Brasil exige reformas estruturais: mudança radical no modelo policial, foco em direitos humanos, controle externo das corporações e políticas sociais que reduzam a dependência das comunidades em relação às milícias e facções.
Segundo Rolim, o enfrentamento não pode se limitar a operações policiais pontuais ou ao aumento da repressão. Ele propõe medidas estruturais:
Reforma profunda das polícias: substituir o modelo militarizado por forças civis de caráter comunitário, voltadas para a proteção de direitos e não para a guerra contra inimigos internos.
Controle externo efetivo: criar mecanismos independentes de fiscalização das corporações policiais, evitando que elas se tornem autônomas e fora do alcance da lei.
Políticas sociais nas periferias: garantir serviços públicos, infraestrutura e oportunidades econômicas para reduzir a dependência das comunidades em relação às milícias e facções.
Desmilitarização da segurança pública: romper com a lógica de confronto permanente e adotar práticas de policiamento orientadas pela prevenção e pela mediação de conflitos.
Integração institucional: articular segurança pública com saúde, educação e assistência social, reconhecendo que o crime organizado se fortalece em territórios abandonados pelo Estado.
Essas propostas se alinham a experiências internacionais bem-sucedidas, como o policiamento comunitário em Bogotá e Medellín, que reduziram a influência dos cartéis ao combinar segurança com políticas sociais.
O bolsonarismo levou o crime organizado ao centro do poder, mas há alternativas concretas. As propostas de Marcos Rolim apontam para uma reconstrução da segurança pública baseada em direitos humanos, controle institucional e políticas sociais. Sem essas mudanças, o país corre o risco de consolidar um modelo em que política e crime se confundem, corroendo a democracia por dentro.
Leia o artigo completo de Marcos Rolim, clicando no link Outras Palavras – “Segurança Pública: O que fazer”.
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Será que ainda tem jeito?
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Tem jeito sim. A PEC da SEGURANÇA é um passo pra isto. Por isto nossos senadores estao recompondo a PEC que a Câmara tentou arrebentar
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