
Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o país vendeu impressionantes US$ 61,1 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano, o que representa quase 27% de suas reservas em dólar.
Essa redução percentual é a maior do mundo, superando até mesmo a Índia, com 21%, e a China, que registrou menos de 10% de diminuição, apesar de terem vendido valores absolutos maiores.
Essa movimentação reflete uma maturidade econômica que posiciona o Brasil como líder entre as nações emergentes, promovendo maior autonomia e resiliência financeira.
Essa decisão do Banco Central do Brasil (BCB) sob o Governo Lula não é mero acaso, mas uma resposta inteligente às dinâmicas globais.
Os títulos do Tesouro dos EUA, embora historicamente considerados “ativos seguros”, estão sujeitos a riscos crescentes, como a inflação persistente nos Estados Unidos e as políticas fiscais expansionistas que estão desvalorizar o dólar.
Ao reduzir sua exposição a esses ativos, o Brasil mitiga potenciais perdas e libera recursos para investimentos mais diversificados.
Países como China, Índia e Brasil – membros do BRICS – estão liderando essa tendência de “desdolarização” gradual, com reduções bilionárias em um único mês, sinalizando uma mudança profunda no cenário financeiro internacional.
Para o Brasil, essa estratégia não só protege as reservas nacionais, mas também fortalece a credibilidade internacional, atraindo investidores que valorizam a prudência fiscal.Além da venda de títulos americanos, o BCB tem se destacado pela aquisição estratégica de ouro, um ativo milenar que serve como hedge contra instabilidades.
Após uma pausa de quatro anos, o banco retomou as compras em setembro de 2025, adicionando cerca de 42,8 toneladas ao seu estoque até novembro, elevando as reservas para 172,4 toneladas – um aumento de 33%.
Em novembro, foram adicionadas mais 11 toneladas, consolidando o Brasil como um dos principais compradores globais nesse período.
Essa movimentação alinha-se a uma tendência mundial, onde bancos centrais acumularam 634 toneladas de ouro em 2025, impulsionados por riscos geopolíticos e a busca por diversificação.
O ouro, com seu valor intrínseco e independência de moedas, oferece proteção contra a inflação e crises, como vimos em anos recentes com o metal atingindo recordes acima de US$ 4.000 por onça (28,3 g).
Essa compra de ouro pelo BCB é particularmente louvável, pois reflete uma visão de longo prazo.
Em um contexto de alta nos preços do ouro e de demanda robusta por parte de nações como Polônia e Brasil, o país não só preserva o valor de suas reservas, mas também se posiciona para lucros futuros.
Diferentemente de ativos digitais voláteis ou moedas estrangeiras suscetíveis a sanções, o ouro representa estabilidade e soberania.
Para o Brasil, uma economia rica em recursos naturais, investir em ouro também pode estimular setores internos, como mineração, gerando empregos e impulsionando o crescimento sustentável.Em resumo, as ações do Brasil entre 2024 e 2025 marcam um capítulo positivo na história econômica do país.
Ao liderar a redução percentual em títulos americanos e expandir suas reservas de ouro, o BCB demonstra proatividade e inteligência estratégica, preparando o Brasil para um futuro mais independente e próspero.
Essa diversificação não é apenas uma defesa contra riscos globais, mas uma afirmação de que o Brasil está pronto para navegar as águas turbulentas da economia mundial com confiança e visão de vanguarda.
https://ticdata.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/tic/Documents/slt_table5.html
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