
A morte brutal do cachorro comunitário Orelha, em Florianópolis, chocou o Brasil. O animal, de cerca de 10 anos, foi agredido violentamente por quatro adolescentes na Praia Brava, sofrendo lesões graves na cabeça que levaram à eutanásia para encerrar seu sofrimento.
O laudo pericial apontou para uma “lesão contundente”, possivelmente causada por objetos como paus ou garrafas, e o caso envolveu suspeitas de coação de testemunhas por familiares dos jovens.
Essa crueldade não é um incidente isolado, mas reflete um contexto social mais amplo em Santa Catarina, marcado pela proliferação de células neonazistas e por posturas políticas que reforçam narrativas de supremacia branca. Santa Catarina abriga o maior número de grupos neonazistas no país, com 320 células ativas identificadas em 2022, representando mais de um quarto do total nacional.
Blumenau, com apenas 365 mil habitantes, concentra 63 desses grupos, superando cidades muito maiores em termos proporcionais.
Essa presença extrema tem raízes na herança de imigração alemã e na ascensão recente de ideologias reacionárias, fomentando discursos de ódio, antissemitismo e violência.
Operações policiais, como a “Nuremberg” em 2025, desarticularam redes que propagam o nazismo, mas o problema persiste, alimentando uma cultura de impunidade e agressividade entre jovens – exatamente o perfil dos agressores de Orelha.Nesse cenário, a posição do governador Jorginho Mello (PL) agrava o quadro. Em janeiro de 2026, ele sancionou a lei 19.722/26, que proíbe cotas raciais em universidades públicas e privadas subvencionadas, argumentando que o estado “ostenta” a maior população branca do Brasil (cerca de 81,5% a 85%), o que tornaria desnecessárias ações afirmativas baseadas em raça.
Essa defesa, enviada ao STF, foi criticada pela PGR, que pede a suspensão da lei por violar a Constituição e decisões judiciais sobre igualdade racial.
A relação entre esses elementos é clara: a violência gratuita contra Orelha simboliza uma falha societal em SC, onde o florescimento de células neonazistas promove ódio e desumanização, enquanto posturas governamentais como a de Mello legitimam a exclusão de minorias ao enfatizar a “maioria branca”.
Isso cria um ambiente tóxico que normaliza atos brutais, exigindo intervenções urgentes para combater a violência de gênero, o racismo estrutural e o extremismo.
Aliás, afora o Nazismo latente em Santa Catarina, a Violência da “ostentação” Branca defendida por Jorginho Mello não é de hoje.
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