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Falta de Canetas para Diabetes no Brasil: O Desafio Persistente e o Empenho do Governo em Ampliar a Produção Nacional

Neste início de 2026, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) relatam dificuldades persistentes em obter os aplicadores necessários, mesmo com esforços do governo para mitigar o desabastecimento por meio de importações emergenciais e entregas adicionais.

A demanda explosiva por análogos de GLP-1, como o Ozempic, levou fabricantes a priorizarem o mercado de obesidade, impactando a produção de insulinas tradicionais e seus dispositivos. Entidades médicas e especialistas alertam que a falta de canetas afeta diretamente cerca de 1,5 milhão de brasileiros dependentes de insulinoterapia.

A Anvisa tem combatido a venda irregular de produtos sem registro, enquanto o Ministério da Saúde trabalha para agilizar registros e garantir o abastecimento.

O Empenho do Governo Federal na Ampliação da Produção Nacional

Diante desse cenário, o governo brasileiro tem demonstrado forte empenho em investir na soberania farmacêutica e na produção local de medicamentos para diabetes. Por meio do Ministério da Saúde, do BNDES e de parcerias estratégicas, foram lançadas iniciativas robustas para retomar e expandir a fabricação nacional, reduzindo a dependência de importações e aumentando a oferta para o SUS.Um marco importante foi a retomada da produção 100% nacional de insulina após mais de 20 anos.

Em julho de 2025, o Ministério da Saúde recebeu o primeiro lote produzido pela Biomm, em Nova Lima (MG), via Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e transferência de tecnologia da indiana Wockhardt, em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed). O investimento governamental de R$ 142 milhões na aquisição da tecnologia beneficia cerca de 350 mil pacientes, com contratos prevendo a entrega de 8,01 milhões de unidades (frascos e canetas) ao SUS em 2025 e 2026.

“A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Isso é parte de uma política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”, destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes”, reforça.

A fábrica da Biomm, inaugurada em 2024 com apoio do BNDES (R$ 100 milhões, parte via BDMG) e investimentos totais de R$ 800 milhões, já entregou milhões de unidades e planeja suprir grande parte da demanda nacional.

Outro destaque é a expansão da Novo Nordisk em Montes Claros (MG), anunciada em abril de 2025 com investimento de R$ 6,4 bilhões — o maior aporte farmacêutico da história do país por uma única empresa.

O projeto, apoiado pelo governo federal, dobra a capacidade de produção de medicamentos para diabetes, obesidade e doenças crônicas, fortalecendo o Brasil como polo produtor e exportador.

A EMS, maior laboratório farmacêutico brasileiro, inaugurou em 2024 a primeira fábrica nacional dedicada à produção de peptídeos sintéticos, como liraglutida e semaglutida, em Hortolândia (SP). Com R$ 70 milhões investidos e apoio de R$ 48 milhões do BNDES, a unidade tem capacidade para 20 milhões de unidades anuais.

Adicionalmente, o BNDES financiou R$ 500 milhões via programa Mais Inovação para a EMS, além de R$ 107,6 milhões em 2025 para ampliação do centro de PD&I. A empresa está preparada para lançar versões acessíveis após a expiração da patente.

Esses esforços integram a Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com pacotes bilionários anunciados pelo Ministério da Saúde e BNDES para PDPs, transferência de tecnologia e inovação

Parcerias como a da Fiocruz com a EMS visam produzir semaglutida nacionalmente, ampliando o acesso via SUS.

A patente do Ozempic expira em março de 2026, com o STJ rejeitando extensão até 2038. Isso facilitará a entrada de genéricos e similares, aumentando a oferta e reduzindo preços.

Com as novas fábricas e investimentos governamentais, o Brasil estará melhor posicionado para produzir localmente, potencialmente dobrando o mercado e beneficiando milhões de pacientes com diabetes e obesidade.

O empenho do governo em investir pesadamente na produção nacional — com bilhões em financiamentos, PDPs e inaugurações estratégicas — representa um avanço decisivo para superar a escassez de canetas para diabéticos. Essas ações promovem autonomia, acessibilidade e qualidade de vida para os cerca de 13 milhões de brasileiros com diabetes.

Com a combinação de produção local ampliada e genéricos a partir de 2026, o futuro aponta para um tratamento mais equitativo e sustentável no país.


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