Inteligência Artificial/política/Tecnologia

A Viagem de Lula à Índia e Coréia é Um Marco para o Brasil na Era da IA, das Terras Raras e da Soberania Tecnológica

Lula de mãos dadas com Narenda Modi na Cúpula Global de IA

Enquanto alguns ainda veem apenas “viagens internacionais”, a realidade é que Lula consolidou parcerias que colocam o Brasil no centro das cadeias globais de valor da inteligência artificial, dos minerais críticos e da inovação tecnológica.

Em um mundo onde o poder se mede cada vez mais por controle de tecnologias de ponta e de recursos estratégicos, a viagem do presidente Lula à Índia e à Coreia do Sul não foi só uma agenda diplomática. Foi uma jogada de xadrez geopolítico inteligente, visionária e profundamente benéfica para o futuro do Brasil.

Na Índia, o destaque absoluto foi duplo: a participação de Lula na Cúpula Global de Inteligência Artificial em Nova Délhi e a assinatura de um acordo pioneiro sobre minerais críticos e terras raras. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses elementos — essenciais para baterias de carros elétricos, painéis solares, semicondutores e o próprio hardware da IA. O pacto com o primeiro-ministro Narendra Modi não é só de exploração: prevê troca explícita de tecnologia para que o Brasil processe esses minerais aqui, agregue valor e reduza a dependência global da China (que domina mais de 80% do processamento mundial).

Lula foi claro: “Ampliar os investimentos e a cooperação em energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”.

E na Cúpula de IA, defendeu com veemência uma inteligência artificial democratizada, acessível ao Sul Global, com governança inclusiva e benefícios compartilhados — não concentrados em poucas big techs do Norte.

O Brasil presidiu grupo de trabalho sobre IA segura e confiável. Isso não é retórica: é estratégia para que a IA sirva à Industria, agricultura de precisão, à saúde pública e à educação brasileira, e não apenas ao lucro de corporações estrangeiras.

Já a Primeira visita de Estado de um presidente brasileiro à Coreia do Sul em 21 anos, resultou em dez memorandos de entendimento e na adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029. Entre os destaques: cooperação em minerais críticos (com atração direta de investimentos de gigantes como Samsung e SK Hynix para o setor de chips), inteligência artificial, semicondutores, farmacêuticos, aviação e ciência & tecnologia. A Coreia é líder mundial em inovação — pense em celulares, TVs, baterias e semicondutores que movem o planeta. Ter essas empresas olhando para o Brasil com olhos de parceiro estratégico é um salto qualitativo enorme.

Lula e o Presidente da Coréia do Sul, Lee Jae-myung assinam documentos de cooperação em comércio, agricultura, saúde e tecnologia durante visita de Estado na capital sul-coreana

Na modesta opinião deste blogueiro, um leigo no tema, o que torna essa viagem histórica, é exatamente o tripé que o governo priorizou: IA + terras raras + troca de tecnologias.

IA: Em vez de ficarmos apenas consumindo ferramentas estrangeiras, estamos construindo governança e parcerias para desenvolver soluções brasileiras.

Terras raras: Transformamos uma riqueza natural em indústria nacional de alto valor, gerando empregos qualificados no interior do país e receita que fica aqui.

Troca tecnológica: Deixamos de ser “fornecedor de commodities” para entrar na 4ª Revolução Industrial como ator relevante.

O comércio com a Índia já superou US$ 15 bilhões em 2025 (crescimento de 25%), e a meta é US$ 20 bilhões até 2030. Com a Coreia, foram US$ 10,8 bilhões. Mas o mais importante não é o número de hoje — é o que esses acordos vão multiplicar amanhã em investimentos, patentes e capacidade industrial. Essa é a diplomacia que o Brasil precisa: ativa, pragmática e voltada para o desenvolvimento soberano.

Em tempos de incerteza global, Lula mostrou que é possível diversificar parceiros, reduzir vulnerabilidades estratégicas e colocar a tecnologia a serviço do povo brasileiro.

Não é exagero dizer: essa viagem pode ser lembrada como o momento em que o Brasil decidiu, de fato, entrar no clube dos países que não apenas consomem o futuro — mas o constroem. E isso é bom para todos nós.


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