Estradas/Rio Grande do Sul

Enquanto Pedágios Estaduais seguem privados e caros, Governo Lula Libera o Trecho Federal Mais Caro do RS

O Rio Grande do Sul vive, nestes primeiros dias de março de 2026, vive um contraste gritante entre duas abordagens ao tema da infraestrutura rodoviária e dos pedágios.

De um lado, o governador Eduardo Leite (PSD) foi obrigado a suspender — ou melhor, adiar indefinidamente — o leilão do Bloco 2 de concessões de rodovias estaduais, pressionado por denúncias, auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) e pela atuação incisiva da CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa.

Do outro, o governo federal, sob o presidente Lula, encerrou o contrato de concessão do Polo Rodoviário de Pelotas (BR-116 e BR-392), acabando com a cobrança em cinco praças que cobravam uma das tarifas mais absurdas do Brasil — R$ 19,60 por passagem em alguns casos —, liberando o tráfego livre a partir de 4 de março.

Esses dois fatos não são isolados: revelam visões opostas de como tratar o desenvolvimento econômico e a logística do estado.

Enquanto o modelo estadual de Leite prioriza concessões privadas aceleradas, com tarifas elevadas e pouca transparência (como como denunciei aqui no blog, o modelo federal do Governo Lula optou por encerrar um contrato de 28 anos que se revelara insustentável e injusto para a população e para a economia gaúcha.

O Bloco 2, que Leite tentou levar a leilão em março, previa a concessão de centenas de quilômetros de rodovias com instalação de 24 pórticos free flow — sistema de cobrança automática que, na prática, tem gerado multas em cascata e revolta de motoristas.

A auditoria do TCE-RS apontou fragilidades graves: inconsistências técnicas, riscos de tarifas abusivas e falta de equilíbrio econômico-financeiro. A CPI dos Pedágios, instalada no final de 2025, investigou esses pontos com rigor, expondo possíveis conflitos de interesse e atrasos em obras.

Denúncias como as publicadas aqui no Blog, que chamaram a atenção para o “pedágio que sangra o bolso dos gaúchos”, com free flow caótico e privatizações às pressas — ajudaram a mobilizar a opinião pública e forçaram o recuo.

Leite anunciou redução de tarifa por quilômetro e adiamento para maio/junho, mas o episódio já é visto como vitória da sociedade organizada contra um modelo que beneficia concessionárias em detrimento do usuário.

Em contrapartida, o fim da concessão do Polo Rodoviário de Pelotas representa um alívio concreto para a logística exportadora do RS. O trecho Pelotas-Rio Grande, pelas BR-116 e BR-392, é vital: escoa grande parte da produção agrícola, industrial e pecuária do sul do estado rumo ao porto de Rio Grande e ao Mercosul.

Por ali passam grãos, carnes, frutas e bens importados. Durante 28 anos, a Ecovias Sul (Ecosul) cobrou tarifas altíssimas, uma das mais caras do país, em um contrato assinado ainda em 1998 e repassado ao governo federal.

O fim do acordo, sem renovação, permite que o DNIT assuma a gestão provisória, com cancelas abertas e tráfego livre — pelo menos até uma nova concessão mais equilibrada.Aqui reside a diferença fundamental: o governo Lula, ao não renovar um contrato oneroso e injusto, priorizou o interesse coletivo, reduzindo custos logísticos que pesam sobre produtores, transportadores e consumidores.

Já o modelo de Leite, mesmo recuando sob pressão, insiste em concessões privadas que transferem o ônus para o usuário via tarifas altas, em vez de buscar equilíbrio entre investimento privado e proteção ao bolso gaúcho.

O RS precisa de estradas melhores, sim. Mas desenvolvimento não se faz às custas de pedágios abusivos que encarecem a produção e penalizam o cidadão comum.

A suspensão do Bloco 2 é um freio necessário; o fim da cobrança em Pelotas-Rio Grande é um avanço real.

Cabe ao estado aprender com o federal: concessões devem servir ao povo, não explorá-lo.

Enquanto Leite foi forçado a recuar pela pressão popular e institucional, o governo Lula entregou um alívio imediato para quem depende da logística sul-rio-grandense.

É hora de alinhar as visões: infraestrutura de qualidade, tarifas justas e prioridade ao desenvolvimento regional. O RS merece estradas sem pedágios que “sangrem o bolso”.


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