Carlos Ferreira é membro do diretório municipal do PT de Porto Alegre e da CNB
À Direção Estadual do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul,
O cenário político em que nos encontramos exige, com urgência e responsabilidade histórica, a revisão de posições e decisões que, no plano regional, possam inviabilizar a construção de um palanque amplo, forte e verdadeiramente estratégico para a defesa da democracia, a manutenção do projeto nacional liderado pelo presidente Lula e a continuidade do governo do PT no Brasil.
A busca pela unidade dos setores do campo democrático não pode ser compreendida como mera aliança eleitoral circunstancial, motivada por conveniências episódicas, interesses particularistas ou acomodações momentâneas. Trata-se, antes de tudo, de uma exigência histórica do nosso tempo: a defesa das instituições democráticas, o enfrentamento à extrema direita e a resistência organizada contra um projeto autoritário, antinacional e socialmente destrutivo que ameaça o Brasil, sua soberania e seu povo.
Estamos diante da necessidade de consolidar um projeto político comprometido com a continuidade de um governo que recolocou o Estado a serviço dos que mais precisam, recuperando políticas públicas, reconstruindo capacidades institucionais e reafirmando o papel do Brasil no cenário internacional. Esse projeto tem no presidente Lula sua maior expressão política, humana e histórica.
Lula, por seu legado de luta, resistência e compromisso com o povo brasileiro, fez e faz sacrifícios que transcendem a dimensão pessoal. Ao longo de sua trajetória, enfrentou perseguição, prisão injusta, ataques cotidianos da grande mídia e de setores do sistema de justiça comprometidos com interesses alheios ao desenvolvimento nacional. Perdeu familiares, companheiros de vida e amigos, mas jamais abriu mão da luta pelo Brasil. Sua leitura política do momento atual aponta, com clareza, para a necessidade de composição, generosidade e compromisso coletivo em defesa da democracia e da soberania nacional.
Por isso, rediscutir no cenário gaúcho uma decisão tomada sem o necessário aprofundamento estratégico não representa recuo, fraqueza ou negação partidária. Ao contrário: representa maturidade política, compromisso coletivo e compreensão da gravidade da conjuntura. É a capacidade de abdicar de projetos particulares em nome de uma tarefa maior, mais urgente e mais necessária ao povo gaúcho e brasileiro.
Não se trata aqui da figura individual de Juliana Brizola. Tampouco se trata de um debate personalista ou de mera preferência eleitoral. Trata-se de compreender que parte significativa do eleitorado gaúcho não se identifica, a priori, com a simbologia partidária do PT, mas pode convergir em torno de uma candidatura capaz de ampliar a frente democrática, atrair setores populares e dialogar com segmentos mais amplos da sociedade. Também não se trata apenas dos índices atuais das pesquisas. O ponto central é outro: a necessidade de unidade real e de soma concreta de forças para enfrentar o bolsonarismo e a extrema direita, que certamente chegarão organizados e unificados ao segundo turno.
Persistir em uma tese eleitoral fechada, por apego interno ou cálculo restrito, pode nos conduzir a uma derrota já anunciada: a fragmentação do campo democrático, a pulverização de votos, a redução das chances reais de vitória no Estado e o risco de comprometer inclusive a disputa por uma cadeira ao Senado. O que está em jogo é muito maior do que uma candidatura isolada. O que está em jogo é a contribuição do Rio Grande do Sul para a sustentação do projeto nacional liderado por Lula.
É nessa perspectiva que o presidente Lula sinaliza a importância de um palanque único e fortalecido, alicerçado na ideia de um projeto comum para os gaúchos e para o Brasil. Ignorar esse chamado, em nome de disputas internas, ambições de gabinete ou estratégias voltadas exclusivamente à autopreservação de mandatos, seria um erro de enormes proporções políticas.
A insistência na manutenção de uma candidatura que, até o momento, não mobiliza amplamente o eleitor comum, nem empolga setores decisivos da sociedade gaúcha, precisa ser debatida com franqueza. Há, inclusive, entre militantes históricos do próprio PT, o sentimento sincero de que apoiar uma candidatura mais competitiva no campo democrático pode ser o gesto mais coerente com a necessidade de derrotar a direita e preservar o projeto nacional de reconstrução do país.
Seria um gesto histórico de humildade e grandeza política do PT gaúcho compreender o momento e agir à altura dele. O partido poderia contribuir decisivamente para a unidade democrática no Estado e, assim, fortalecer o projeto nacional que o presidente Lula vem conduzindo com coragem, inteligência e compromisso popular.
Também é necessário pensar estrategicamente o futuro. O ano de 2028 pode ser, com mais acúmulo, articulação e construção social, o espaço adequado para consolidar um projeto petista mais competitivo e mais organicamente enraizado para disputas majoritárias locais, inclusive com o nome de Edegar Pretto em outras condições políticas. Forçar agora uma candidatura sem a necessária convergência externa e sem capacidade de ampliação pode comprometer não apenas 2026, mas o próprio horizonte estratégico do partido no Estado.
A experiência política demonstra que nem sempre a decisão mais correta é aquela que preserva posições internas já cristalizadas. Se fosse assim, o PT jamais teria assumido disputas difíceis e estratégicas em outras unidades da federação, inclusive em contextos adversos, quando o objetivo maior era fortalecer a reeleição de Lula, ampliar bancadas e consolidar presença política nacional.
No Rio Grande do Sul, o debate precisa superar os acordos internos de correntes, mandatos e gabinetes. Precisa sair da lógica autocentrada e se reconectar com a exigência do tempo histórico. A pergunta que precisa ser feita, com honestidade e coragem, é simples: a quem interessa insistir na manutenção de uma candidatura sem o devido debate estratégico, diante da necessidade nacional de unidade e diante do risco concreto de vitória da direita ou da extrema direita?
Essa não é uma discussão menor. Não é um debate de vaidades. É uma reflexão sobre responsabilidade política, sobre leitura de conjuntura e sobre compromisso real com o Brasil. Ao final, a história haverá de registrar quem esteve à altura do desafio e quem preferiu a rigidez interna à generosidade política necessária para vencer.
Ainda há tempo de corrigir rumos. Ainda há tempo de ouvir a militância, os aliados, os movimentos democráticos e a própria sinalização do presidente Lula. Ainda há tempo de construir no Rio Grande do Sul uma alternativa verdadeiramente unitária, competitiva e comprometida com a defesa da democracia, da soberania nacional e da continuidade do projeto popular em curso no Brasil.
Que o PT gaúcho escolha estar do lado certo da história.
Pela unidade do campo democrático.
Pela derrota da extrema direita.
Pela defesa do projeto nacional liderado pelo presidente Lula.
Carlos Ferreira
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