Guerra/Petróleo/PETROBRAS

Aviso aos Navegantes: Sobre o possível novo “Choque do Petróleo” (Por Paulo Timm*)

Ainda não chegamos ao dito CHOQUE DO PETRÓLEO mas guardamos na memória os dois choques, de 1973 e 1979, quando o barril passou de US$ 2,50 o barril para US$ 15 e daí para US¨$ 30. Enfrentamos aquela crise, em pleno regime militar, sob o comando, a partir de 74, do General Geisel, em três frentes:

1-Manter o volume de importações de petróleo, com vistas a manutenção do emprego na economia e condições de vida da classe média, principal sustentáculo político do regime;

2- fortalecer a PETROBRÁS, com vistas à sua capacidade de prospecção no mar, resultando na descoberta e exploração do pré-sal, o que ocorreria 30 anos depois;

3- abertura para novas fontes renováveis de energia, tal como o PROALCOOL.

O principal problema que tivemos com esta Política foi o endividamento externo, que levou à crise dos anos 80.

Agora estamos diante da possibilidade de novo choque. O patamar do preço do petróleo poderá subir de cerca de US$60 o barril para perto de R$ 100.

Haverá um impacto imenso nos preços internacionais. O BRASIL precisa discutir mais a fundo este dilema. As medidas tomadas pelo Governo ainda são insuficientes.

Temos que REFORÇAR A PETROBRÁS, por uma lado, retomando, talvez, sua capacidade de assegurar a SEGURANÇA ESTRATÉGICA na distribuição de combustíveis, hoje, em mãos de empresas privadas que importam o petróleo e repassam os preços mais altos, refinam e distribuem os derivados, e MAIOR CAPACIDADE DE PRODUÇÃO EM FONTES ALTERNATIVAS, sobretudo quanto aos óleos vegetais, visto sermos dependentes do exterior, em DIESEL em 26% do mercado. URGE!

Devemos, também, evitar o processo de endividamento externo como fizemos na década de 70, com base no endividamento privado do setor privado, o que poderá nos levar à uma nova e fatal crise externa. Nossa exposição já é grande : Temos o dobro, em dívidas externas (privadas mas garantidas pelo governo- COMO SEMPRE), relativamente às proclamadas reservas em papéis do Tesouro americano (falido): US $ 700 bilhões x US$ 350 bilhões.

O Governo Federal deveria constituir um Gabinete de Crise, voltado ao acompanhamento da questão petróleo, formulando diretrizes que devem ser levadas à análise do Conselho da República e daí submetidas ao crivo do Congresso Nacional, de forma a ser colhido de surpresa, forçando-se à decisões emergenciais pouco assimiladas pela sociedade.

A conjuntura externa, hoje, é de agudização das tensões entre grandes potências – e destas com países de menor capacidade de resistência – e está a exigir a internalização urgente destas tensões na forma de adequação da nossa governança aos impasses que se anunciam

PAULO TIMM, É economista, formado pela UFRGS. Pós-Graduado na ESCOLATINA, da Universidade do Chile e CEPAL/BNDES. Foi professor da Universidade de Brasília – UnB – e Técnico do IPEA, órgão do Ministério do Planejamento, em Brasília, onde residiu por 35 anos e onde fez sua vida profissional e pública


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